Há 30 anos a extinta URSS coloca no Espaço aquele que teria sido o melhor veículo espacial já produzido pela tecnologia Humana.

O Ônibus Espacial americano é e foi com certeza uma das naves espaciais mais icônicas de todos os tempos. Apesar de não cumprir a promessa de reduzir o custo do acesso ao Espaço, com certeza tinha algumas capacidades inigualáveis, como consertar satélites na órbita baixa e, talvez ainda mais impressionante, trazê-los de volta à Terra!

Na verdade, seu potencial militar era tão inovador que a União Soviética decidiu que também precisava de um Ônibus Espacial Bem-vindo ao Buran. Uma versão mais poderosa e mais capaz do Ônibus Espacial dos Estados Unidos.

O Buran pode parecer muito com o Ônibus Espacial da NASA, mas apesar de sua aparência, ele se comportou de uma maneira bem diferente. A União Soviética acoplou o Buran no terceiro foguete mais poderoso de todos os tempos: o Energia.

Ao contrário do Ônibus americano, que continha em sua fuselagem três motores (RS-25) que auxiliavam a nave a entrar em órbita, o Buran dependia exclusivamente do Energia para chegar ao Espaço.

O objetivo da NASA com seus Ônibus Espaciais era reutilizar o máximo possível o veículo e, por isso, os motores acabavam sendo peso morto no voo após cumprirem seu papel. A necessidade de recuper (transportar) os caros (e pesados) motores RS-25, significou que o Buran/Energia tinha uma massa de carga útil maior. 

Embora a reutilização também fosse um fator para a União Soviética, a principal razão pela qual a União Soviética perseguiu o Buran foi por seu potencial militar. A capacidade de colocar satélites ou mesmo poderosas armas a partir de seu grande compartimento de carga era muito atraente.

A construção dos orbitadores do projeto Buran começou em 1980, e o primeiro orbitador de grande escala foi concluído em 1984. A impressionante semelhança com o Ônibus Espacial dos Estados Unidos não é coincidência. A física dita muito bem a forma do veículo, e a União Soviética rapidamente percebeu que os EUA faziam o dever de casa e seguiram o exemplo. Mas apesar da aparência, eles ainda tinham o desafio de engenharia à frente deles.

Os soviéticos desenvolveram um sistema totalmente autônomo que poderia realizar todo o vôo e ainda pousar sozinho. Eles naturalmente tiveram que desenvolver suas próprias células de combustível e sistema de controle. Em seguida, eles acoplaram-no ao seu enorme foguete Energia, que era literalmente um animal poderoso. Isso significava que os soviéticos haviam desenvolvido um sistema mais flexível, tornando o Energia capaz de outras cargas úteis e não apenas do Buran.

Não só isso, o Buran era também capaz de voar como um avião graças a quatro motores a jato na extremidade traseira do veículo. Isso significa que oferecia redundância e flexibilidade ao pousar, ao contrário do ônibus dos EUA, que só tinha uma chance de acertar. No entanto, os motores não estavam presentes no primeiro lançamento do Buran.

O único vôo orbital do Buran (OK-1K1) aconteceu no dia 15 de novembro de 1988. A nave não continha tripulação. O lançamento foi perfeito, colocando o Buran no Espaço. A nave acabou numa órbita ligeiramente maior que o previsto, mas que em nada afetou o voo. O Buran realizou apenas duas órbitas, com o sistema automático reentrando e realizando um pouso perfeito.

Ao aterrissar, os técnicos soviéticos verificaram que das 38.000 placas térmicas, apenas 8 haviam se soltado, o que foi um grande contraste com a primeira missão de Ônibus Espacial dos Estados Unidos, que perdeu 16 e teve 148 danificadas.

O Buran deveria voar de novo 5 anos depois, mas com a queda e o conseqüentemente fim da União Soviética, mais o fim da Guerra Fria, o programa de Buran foi “congelado”. O Buran nunca mais voaria.

No dia 12 de maio de 2002, o único Buran OK-1K1 foi destruído quando o telhado do hangar colapsou por falta de manutenção. O acidente, além de destruir a nave, matou 8 trabalhadores.

Hoje existem dois Burans abandonados em um hangar enferrujado no Cazaquistão.


FONTE: Every Day Astronaut


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4 COMENTÁRIOS

  1. O que me chama atenção nesse e outros projetos é o quanto os russos e americanos "compartilhavam" informação, só havia agentes duplos ahah
    Visualmente o energia e pra mim o mais bonito foguete ja feito, tenho lombriga pra ter um revell do energia + Buran, nem sei se ainda vende isso mas ja vi.

  2. Esse programa merece sim ser retomado. Sabemos que é quase impossível, haja gás e petróleo!

  3. Uma correção aí na matéria: existem três mockups usados em testes estáticos em exposição (um um no Gorky Park em Moscow, outro no no cosmódromo de Baikonur e o terceiro em Sochi).
    E tem também um artefato que voou em vários testes atmosféricos, que fica no Technik Museum em Speyer na Alemanha.
    Infelizmente o que foi destruído foi justamente o que foi ao espaço ?
    E tem mais esses dois mockups do veículo e mais um mockup do Energia também usados em testes num hangar no Baikonur, cujo destino periga ser o mesmo do OK-1K1.

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