Havia um demônio que vivia no ar. Eles disseram que quem o desafia-se morreria. Seus controles se congelariam, seu avião se descontrolaria e ele se desintegraria. O demônio vivia em Mach 1, onde o ar não podia mais se afastar do caminho. Ele vivia atrás de uma barreira através da qual eles disseram que nenhum homem poderia passar. Eles chamaram de barreira do som.”

Há setenta anos o Homem vencia “o demônio do ar”, a “barreira invisível”.

No dia 14 de outubro de 1947, o Bell X-1 tornou-se o primeiro avião a voar mais rápido do que a velocidade do som. Pilotado pelo Capitão da Força Aérea dos EUA Charles E. “Chuck” Yeager, o X-1 atingiu uma velocidade de 1.127 km/h (Mach 1.06) a uma altitude de 13.000 metros.

O capitão Yeager batizou o avião de “Glamorous Glennis” em homenagem a sua esposa.

Lançado do ar a uma altitude de 7.000 metros de uma posição adaptada no compartimento de bombas de um Boeing B-29, o X-1 usou um motor foguete (2.700 kg de empuxo) para subir até a altitude do teste.

O X-1 realizou um total de 78 voos, sendo que no dia 26 de março de 1948, com Yeager nos controles, alcançou a velocidade de 1.540 km/h (Mach 1.45) a 21.900 metros. Até então foi a velocidade e a altitude mais alta alcançada por um avião tripulado.

Curiosidade: Embora originalmente concebido para decolagens convencionais, todos os aviões X-1 (dois foram construídos) foram lançados do ar a partir de B-29 ou B-50. As penalidades de desempenho e os perigos de segurança associados ao funcionamento de aeronaves com propulsão por foguete a partir do solo fizeram com que os planejadores da missão recorressem ao lançamento aéreo. No entanto, no dia 5 de janeiro de 1949, o X-1 (#1) “Glamorous Glennis”, pilotado por Chuck Yeager, concluiu com sucesso uma decolagem convencional.

 

8 COMENTÁRIOS

  1. Uns oito anos atrás eu escrevi um artigo para o portal do ALIDE fazendo um paradoxo entre este primeiro vôo supersônico e a celeuma sobre transferência de tecnologia no FX2.

    Nestes oito anos.. pouco ou nada mudou na verdade aqui no Brasil.

    • O Geoffrey de Havilland Jr. ( filho do fundador da de Havilland ) faleceu num acidente no DH 108 em 1946. Até se conhecer melhor os problemas da passagem de velocidade subsônica p/ a supersônica, muitos pagaram c/ a vida, infelizmente.

  2. Alguém já se perguntou o que são aqueles 'objetos' esféricos nos pós combustores de caças e em foguetes? Aquilo se chama shock diamonds. Acontece porque os gases atingem velocidades supersônicas, e o bocal de propulsão está sofrendo uma expansão maior do que o necessário para a altitude que o foguete se encontra, o que significa que a pressão do fluxo de saída está menor do que a atmosfera. Então forma-se essas ondas de choque oblíquas, onde a pressão e temperature são tão altas que eles brilham branco.

    Normalmente, os foguetes da NASA quando estão em baixa altitude, esse shock diamonds são comum, porque o bocal de propulsão foi desenhado para operar com sua máxima eficiência em maiores altitudes, onde a pressão da atmosfera e do fluxo de saída se igualam.

    Muito legal a matéria Gio. Com certeza foi um marco histórico.

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