Depois que o DefesaNet publicou uma possível venda dos AH-2 Sabre (Mi-35) da FAB para os Emirados Árabes Unidos (que os repassariam para um General líbio), uma questão veio à tona: A FAB precisa do AH-2?

Obviamente que o Comando da Aeronáutica negou tal negociação. A pergunta é pertinente. Como já observamos em outro artigo, o Mi-35 é um ponto fora da curva dentro da Força Aérea Brasileira. Por serem tão poucos exemplares (12 unidades), formarem apenas um esquadrão e terem uma manutenção e logística totalmente diferente da doutrina, o AH-2 é mesmo necessário? Existe alguma coisa que ele faça que o A-29 Super Tucano não possa fazer?

Antes de continuarmos, vamos deixar uma coisa bem clara: O Mi-35 é uma máquina incrível. É um helicóptero forjado no calor das batalhas. Vitórias e derrotas singram o revestimento da nave. É um gigante no Panteão dos Combatentes.

Um helicóptero AH-2 Sabre do Esquadrão Poti. (Foto: Agência Força Aérea)

A compra do Mi-35 pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 2008 pegou toda a imprensa especializada de surpresa. Pegou de surpresa porque ninguém esperava. Nem a própria FAB. Foi uma compra política, uma imposição do Kremlin para suspender o embargo a carne brasileira. Embargo esse que também foi político, não sanitário. Acontece que a balança comercial pendia para o Brasil e o governo russo ordenou um equilíbrio, obrigando Brasília a aquisição de produtos russos. Mas o quê adquirir?

Não é possível afirmar, muito embora nossas fontes sejam altamente confiáveis, carece de confirmação, mas a “rádio corredor” conta que os russos queriam mesmo era vender o MiG-29SMT, que são os antigos MiG-29S atualizados (muita gente por aí replica como sendo o MiG-35, mas o 35 nem existia na época!), mas foi aí que o Alto Comando da FAB bateu o pé e disse não! Porém o Palácio do Planalto já havia se comprometido em comprar algo. Que venha o Mi-35, dos males, o menor.

Embraer A-29 Super Tucano (Foto: Sgt. Manfrim / Agência Força Aérea)

Imagina se a FAB fosse entubada com o MiG-29SMT? Um avião que nem os russos queriam. Imagine a logística. Uma Força com doutrina francesa e norte-americana. Pois é, o comando da FAB anteviu o problemão.

Uma coisa que nem a rádio corredor explica é porque essas aeronaves não foram parar no Exército…

Enfim, veio o Mi-35, que foi batizado em terra brasilis de AH-2 Sabre. Da noite para o dia a FAB teve de criar toda uma doutrina. Tenho certeza que tudo foi feito com o maior profissionalismo e competência, marcas registradas da FAB.

O AH-2 Sabre pode atuar como CAS (close air support – apoio aéreo aporximado)? Apoio a tropas no solo? Escolta armada? Interdição aérea? Pode, assim como o A-29 Super Tucano, uma aeronave amplamente utilizada pela FAB. Fora o voo pairado e a capacidade de transportar um diminuto grupo de soldados, o A-29 faz tudo que o AH-2 faz na FAB.

O CAVOK tem muitos amigos dentro das Forças Armadas e, como a “rádio corredor” já havia cantado a pedra há tempos, nos foi confirmado que sim, que o engine overhaul dos Sabres é o calcanhar de Aquiles desse helicóptero. Isto estaria forçando a um aterramento não programado das células. Adicione a isso a crise da Crimeia e o fato dos motores serem produzidos na Ucrânia…

A FAB realmente precisa do AH-2? Não seria melhor investir os recursos do Sabre no Super Tucano? Elevando um ou dois esquadrões ao padrão dos (Sierra Nevada) A-29 do Afeganistão que contam melhores aviônicos, armas e blindagem?

Outro dado que precisa ser levado em consideração é o armamento que o AH-2 usa. Tem mísseis anti-tanque? Não! Então como cumprir a missão de caça-tanque? Se é para jogar foguetes não guiados sobre o inimigo não seria melhor com o A-29? Se é para descarregar os canhões no inimigo, o A-29 é preferível, pois voa mais rápido e mais alto, esquivando-se melhor do inimigo.

Este editor, que não fica em cima do muro, acredita que seria muito melhor se desfazer do AH-2, agora, enquanto ainda são “novos” e valem um bom preço de revenda. Se for para ter helicóptero de ataque desse nível, vamos de AH-1 Cobra. Manutenção e peças tem pelos próximos 30 anos! Até os Fuzileiros Navais poderiam ser equipados com a versão naval do Cobra. E que podem ser armados com mísseis anti-tanque Hellfire.

O Cobra seria uma plataforma muito boa para todas as FAs brasileiras,

Claro, essa é uma análise muito superficial. Só trocar o aparelho por outro não resolve. Quando um Apache está em campo, lá no alto tem um F-15E. Nós não temos nada disso. Se trocar o AH-2 pelo A-29, é só céu azul sobre as lâminas. É como A-4 argentino indo atacar a frota inglesa em 1982, ou seja, sozinho, no peito e na raça…

AH-2 Sabre engaja dois A-29 durante combate simulado. (Foto: 2°/8° GAV)

Lá na página do CAVOK no Facebook tem uma enquete: De quem a FAB precisa mais: A-29 ou AH-2?


Giordani

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31 COMENTÁRIOS

  1. Concordo em gênero, número e grau! Nada contra os russos, o Mi-35 é indiscutivelmente uma super máquina. Mas simplesmente não está alinhado em nada com nossas doutrinas.

    Pergunto-me até se precisamos de fato de um helicóptero de ataque. Dada nossa situação geopolítica, acho que seria muito mais válido investir nos Super Tucanos!

  2. "Existe alguma coisa que ele faça que o A-29 Super Tucano não possa fazer?"
    Capacidade de pousar em qualquer lugar levando até oito soldados completamente armados, ou quatro macas de resgate para o front, isso somado a uma blindagem impressionante além do seu próprio armamento para ataque/defesa.
    Capacidades que um dia podem ser necessárias em uma região como a Amazônia.
    .
    Não estou entrando no mérito da questão "Força Aérea Brasileira: A-29 ou AH-2? Quem é mais necessário?"
    É apenas uma constatação.
    Resumindo, para cada necessidade existe uma solução mais adequada.

    • Olá Bruno_R sinceramente eu acredito que a FAB não precisa destes Helis mas seria muito mais interessante eles no exército mas acho que se o correto não seria estas belas aeronaves pois elas tem problemas de manutenção devido a falta de peças conforme o texto explica acima por isso eu acho que um apache ou mesmo os cobras seria bem vindos no exército mas tem que ter uma boa blindagem pois na amazônia na minha opinião isso é fundamental pra sobrevivência.

  3. Realmente com 12 unidades a logística fica complicada. Deveriam comprar os misseis que estão faltando, e comprar 48 unidades do MI28N , 24 para o exercito e 24 para FAB, com todo armamento que ele podem transportar.Os problemas logísticos acabariam.
    De repente o problema não é logístico, pode ser verba.

      • A pergunta é: qual a disponibilidade operacional do armamento russo nesses países? a que padrão de operacionalidade eles estão habituados? 20%, 30%, 40%? Algum destes países possui CLS com vocês russos?
        Se não tivessemos grana ou estivessemos sob embargos, estaríamos operando o tal do Mig-29 SMT, não Gripen.

  4. Olá, Giordani. Tudo bem?

    O Sabre não possui misseis anti-tanque? Como assim ?

    E os 9M120 ATAKA? A FAB faz fez exercícios de disparo com eles. Vc poderia me explicar melhor esse ponto? Fui pego de surpresa.

    Att,

  5. The question is initially wrong! What do i need?

    This is how to compare the A10 and Apache in the United States or the Su-25 and Mi-28N in the Russian Air Force, and for some reason they all coexist quietly!

    1) Learn how to use the Mi-35M correctly, right and not this nonsense now! He must not catch drug courier aircraft, he must fight, his goal is a total war, support for the advancing army, the fight against armored targets, the suppression of support points!

    2) On a leash of engines, once again I remind you that the engines on it VK2500 of Klimov firm (Russia) have been overhauled in Russia and no one has problems with it, Venezuela has no problems recently, all MI-35Ms underwent major repairs, Hungary has no problems, Azerbaijan – Peru – Kazakhstan, Iraq and Iraq have three types of Russian helicopters MI-35M-MI-28NE and Mi-17i from other countries – is there only one problem with the Brazilian Air Force? Why? Interest Ask

    3) Regarding the missiles, the Brazilian MI-35M has anti-tank missiles Attack – no problem

    Apparently one problem is the desire of the command or interested parties
    ———

    A questão está inicialmente errada! Do que eu preciso?

    É assim que se compara o A10 e o Apache nos Estados Unidos ou o Su-25 e o Mi-28N na Força Aérea Russa e, por alguma razão, todos coexistem silenciosamente!

    1) Aprenda a usar o Mi-35M corretamente, certo e não essa bobagem agora! Ele não deve pegar aviões de transporte de drogas, ele deve lutar, seu objetivo é uma guerra total, apoio ao avanço do exército, luta contra alvos blindados, supressão de pontos de apoio!

    2) Com uma coleira de motores, mais uma vez me lembro que os motores nele VK2500 da revisão da empresa Klimov (Rússia) foram controlados na Rússia e ninguém tem problemas com isso, a Venezuela não tem problemas recentemente, todos os MI-35Ms passaram por grandes reparos, a Hungria não tem problemas, Azerbaijão – Peru – Cazaquistão, Iraque e Iraque têm três tipos de helicópteros russos MI-35M-MI-28NE e Mi-17i de outros países – existe apenas um problema com a Força Aérea Brasileira? Porque Pergunta interessante

    3) Em relação aos mísseis, o MI-35M brasileiro possui mísseis anti-tanque Attack – não há problema

    Aparentemente, um problema é o desejo do comando ou das partes interessadas
    https://www.youtube.com/watch?v=-BmM07W3pq0

    • Rustan, concordo com a coexistência de helicópteros de ataque com aeronaves também de ataque como você citou; Apache + A-10 ou Mi-28 + Su-25 porém não acho tão necessário a combinação na FAB do A-1 (AMX) + A-29 + Mi-35… É isso que acontece aqui meu amigo e não estamos falando de um país em guerra então é esse o cerne da questão, não as capacidades e confiança da aeronave.

      • Regi5,

        I agree, give it to the army, if you don’t want to sell it better or give it to others, they will find it to use in Colombia, but don’t arrange a circus with the interception of drug couriers!

        —–

        Concordo, entregue-o ao exército, se você não quiser vendê-lo melhor ou entregá-lo a outros, eles o encontrarão na Colômbia, mas não organize um circo com a interceptação de correios de drogas!

  6. Mas o Mi35 é um heli, é uma plataforma diferente do A29, se a fab o usa como um A29 então é erro dela.
    O Mi é um Heli pra usar o canhão, misseis anti-tank e levar uns 8 soldados armados até um ponto proximo do alvo.
    Uma compra que nunca foi pretendida não podia dar certo, passou da hora de vender, muito mais racional vir uns Cobra usado, ja que o EB ja "testou" tudo quanto é heli de ataque.

  7. A FAB não deveria operá-lo. É uma anv pra ser usada pelo EB em treinamento com unidades de Forças Especiais, infiltração e extração de pequenas frações de tropas, com armamentos anti-carro contra as possíveis tropas inimigas etc. Não deveríamos tê-los comprados, mas já que os compramos (leia-se: fomos entubados), que os usemos direito, e não de forma improvisada e fazendo a função que A-29 faz mais e melhor.

  8. Os AH-2 Sabre faz o mesmo sentido que os Skyhawks A-4 na Marinha, somente um videogame de luxo para conhecer desenvolver doutrina. Agora a logistica precária dos russos já era esperada. Resta a FAB passar essa encrenca pra frente.

    • Agora a logistica precária dos russos já era esperada. Resta a FAB passar essa encrenca pra frente.
      ———

      Você está de novo Se o comando da Força Aérea Brasileira não der dinheiro para a compra de peças de reposição, novos mísseis e grandes reparos, a Rússia é responsável? )))

      Por exemplo, o Iraque tem 28 unidades MI-35M e todos lutam e voam e não há problemas por lá! Mesmo na pobre Venezuela, todos os MI-35Ms passaram por grandes reparos

      —–

  9. Doug385

    O A-29 cumpre muito bem a missão de policiamento do espaço aéreo por uma fração do custo de um Mi-35 efetuando a mesma missão.

    —–

    Mi-35 e MI-35M são helicópteros diferentes, eu também lhe disse para aprender o material!

    Força Aérea Brasileira opera com helicópteros MI-35M !!! Letra M !!! lembre-se disso))

    ——

    Mi-35 and MI-35M are different helicopters, I also told you then learn the material!

    Brazilian Air Force operates with MI-35M helicopters !!! Letter M !!! remember this))

  10. Bom dia.
    Pessoal, será que o problema pode ser uma aproximação nossa com EUA essa falta de peças ou falta de dinheiro mesmo?
    MI-35 é incrível, mas deveria estar no EXÉRCITO. Gostaria do Brasil ter AH-1 COBRA, poder de fogo enorme para se defender em caso de conflito. Agora esses motores são bons do MI-35, mas deve dar uma trabalheira

  11. Estes aparelhos nao foram comprados para caçar tanques e sim para caçar narcos que atravessam a fronteira seja de carro barco ou a pé. O que ele faz que o tucano nao faz ? Simples transportam soldados completamente armados a qualquer ponto mesmo que la nao tenha uma pista de pouso preparada.
    Não se deve comparar heli com aparelhos de asa fixa.

  12. A situação realmente é bem complicada, mas já é complicada desde o início.
    Realmente, a vinda destes helicópteros para a FAB foi na contramão de todo o raciocínio lógico das nossas Forças Armadas. Sempre fomos acostumados e preparados para operar material Francês a Americano, do nada, por decisão política acredito muito, o Mi-35M caiu aqui. Não seria errado operar meios de outra cultura, porém isso demandaria mais verba a disposição, além de tempo para desenvolvimento de doutrina. Com certeza, é um excelente helicóptero de ataque, a história mostra isso, a Rússia e diversos outros países operam essa máquina de guerra.
    A questão é a maneira como a FAB realmente o emprega e a quantidade.
    1º – Se fossem adquiridos muitas outra células, além de 12, talvez 48 ou chegando a 96, porque helicópteros de ataque são feitos para levar o inferno para o front. 2º – Eles deveriam desde o início terem ido direto para o Exército. 3º- Como foi dito acima, ele não deve estar voando sobre a Amazônia caçando Cessnas de narco-traficantes, isso o A-29 faz muito bem e com sobra. 4º – Não relacionado ao Hind, mas ao A-29, já passou da hora da FAB e da Embraer investirem num BLOCK II do Super Tucano, atualiza-lo e melhora-lo, assim como os da Sierra Nevada.

    • Não seria errado operar meios de outra cultura, porém isso demandaria mais verba a disposição, além de tempo para desenvolvimento de doutrina. Com certeza, é um excelente helicóptero de ataque, a história mostra isso, a Rússia e diversos outros países operam essa máquina de guerra.
      ______

      Alguns? )) Se, segundo as estatísticas, mais de 100 países do mundo rastrearem helicópteros MIL, as Forças Armadas e Especiais dos EUA no mesmo Afeganistão voam apenas principalmente no Mi-17)

      ———-

      Some ? )) If, according to statistics, more than 100 countries of the world crawl MIL helicopters, the US Armed Forces and Special Forces in the same Afghanistan fly only on the Mi-17 mainly)

  13. Deveriam ter trazido o MIg-29 sim! Embora problemático aonde quer que tenha servido, poderia sofrer uma análise e ser abrasileirado aqui com sucesso, além do que não estaríamos tão aleijados de caças de primeira linha. O Gripen deve aparecer por aqui lá pelos idos de 2025 quando já estiver obsoleto! Isto se não acontecer nenhuma merda no desenvolvimento de um caça que não existia quando foi vendido!

    • MiG-29cmt never planned, Rosoboronexport always promoted the Su-35 !!

      Only in the 90s of the last century, Brazil was offered the production of MIG in Brazil, but few people know about it in Brazil, like the T-80U tanks)))

      ——

      MiG-29cm nunca planejado, a Rosoboronexport sempre promoveu o Su-35 !!

      Somente na década de 90 do século passado, foi oferecida ao Brasil a produção de MIG no Brasil, mas poucas pessoas o conhecem no Brasil, como os tanques T-80U)))

  14. Helicóptero é capaz de pousar em qualquer clareira larga o suficiente para recebê-lo. Este helicóptero é também capaz de transportar um número suficiente de soldados e colocá-los próximos aos seus alvos. Estes helis são ainda bem novos, principalmente se os compararmos aos surrados Cobras da reserva norte-americana. Não é verdade que os mesmos não possuam mísseis. Se a FAB não os quer, que estes sejam sumariamente transferidos pelo MD para o EB, que com certeza fará um melhor e mais racional uso dos mesmos.

  15. Esse helicóptero no exército seria fantástico operando com as forças especiais, transportando comandos até o front, na FAB o uso mais racional seria de resgate em terreno hostil. Fazendo o trabalho do A29 realmente é incompreensível pois o custo de operação e raio de combate devem ser bem ruins.

  16. Este artigo é eivado de erros grotescos.

    Ficarei, no entanto, em poucos equívocos.

    Primeiro equivoco: armas AC.
    A FAB adquiriu um lote de mísseis 9M120 ATAKA.
    Fez uso deste míssil em ensaio real, durante as manobras Zarabatana iV.

    Segundo equívoco: que os motores RV-3117VMA-SB3. são de produção exclusiva ucraniana (Motor Sich), o que não corresponde a realidade, dado que são produzidos pela Klimov na Rússia com a designação VK-2500.

    Terceiro equívoco: fornecimento de spare parts…
    A motorização do Mi–35 e a mesma do Mi-17/Mi-8… Simplesmente existem no mundo motores da família VK-2500 na casa dos milhares. Existem fornecedores russos, ucranianos e mesmo chineses para estes motores e se os brasileiros não querem, ou não se mostram capazes de disputar um mercado tão vasto, problema…

    Quanto a "radio corredor" faço questão de não comentar.