H225M (H-36 Caracal) / © Johnson Barros - Força Aérea Brasileira
H225M (H-36 Caracal) / © Johnson Barros – Força Aérea Brasileira

Em decorrência do acidente ocorrido no último dia 29 de abril envolvendo um helicóptero Airbus Helicopters H225 na Noruega, e atendendo a uma diretriz de aeronavegabilidade que recomenda a parada total de toda a frota mundial de helicópteros H225/H225M(EC725) até segunda ordem, incluindo as aeronaves militares, a Força Aérea Brasileira (FAB) determinou, no dia 2 de junho, a paralisação imediata dos voos com estes equipamentos até que novas informações sejam fornecidas pelo fabricante ou pela agência de segurança em aviação européia – EASA.

Na FAB, além do uso operacional, o H225M Caracal também é empregado pelo GTE – Grupo de Transporte Especial para deslocamento de autoridades, incluindo o Presidente da República.

VH-36
H225M (VH-36 Caracal) / © Paulo Rezende – Força Aérea Brasileira

A Marinha do Brasil (MB) e o Exército Brasileiro (EB) também são operadores do Caracal (também chamado de Super Cougar), mas, ao contrário da FAB, que gentilmente nos atendeu e em questão de minutos nos confirmou por escrito a suspensão dos voos com os referidos equipamentos, inclusive os dois exemplares operados pelo GTE, a MB e o EB até o momento não se pronunciaram a respeito do assunto, a despeito da gravidade da situação e dos inúmeros emails por nós enviados neste sentido.

Em 2008, no âmbito do projeto H-XBR, do Ministério da Defesa, o então presidente Lula fechou acordo militar com o seu homólogo francês Nicolas Sarkozy para a compra de 50 helicópteros multimissão EC725, mais tarde redesignado H225M pelo fabricante Airbus Helicopters, para equipar Marinha, Exército e Aeronáutica, ao custo de 1,9 bilhão de euros. As primeiras entregas para as Forças Armadas brasileiras foram iniciadas em 2010. A partir de 2012, as aeronaves passaram a ser montadas aqui no Brasil, em Itajuba – MG, pela Helibras, cujo controle foi adquirido pelo então grupo francês Eurocopter, atual Airbus Helicopters.

Até o momento, salvo melhor juízo, as Forças Armadas brasileiras já receberam 22 aeronaves, do total das 50 unidades do contrato. Os 28 helicópteros restantes serão entregues até 2022.

No processo investigatório do evento ocorrido no dia 29 de abril, que matou os 13 ocupantes do H225 (11 passageiros e dois tripulantes), o Conselho de Investigação de Acidentes da Noruega – AIBN emitiu um relatório onde foram apresentadas evidências consistentes com fratura por fadiga, indicando que os meios disponíveis para detectar esta potencial falha catastrófica não apresentam efetividade. As informações preliminares indicam fortes indícios de que uma fadiga na engrenagem planetária do módulo epicicloidal da caixa de engrenagens principal (main gear box – MGB) do helicóptero teria causado o acidente.

H225 (EC225LP) similar ao acidentado, pertencente à empresa CHC
H225 (EC225LP) similar ao acidentado, pertencente à empresa CHC.
H225 main rotor norway
O rotor principal do H225 (EC225LP) separou-se da aeronave em pleno voo.

Aeronave voltava da plataforma de petróleo Gullfaks B, no Mar do Norte.

Assim que surjam novas informações sobre as causas do acidente, ou caso recebamos qualquer posicionamento por parte da Marinha do Brasil (MB) e/ou do Exército Brasileiro (EB), informaremos no site.

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EDIÇÃO: Cavok

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37 COMENTÁRIOS

    • A FAB sempre respondeu prontamente a todas as nossas solicitações. Há que se reconhecer isso. A única exceção fica por conta de um email por nós enviado solicitando um posicionamento sobre o andamento do processo no programa KC-X2. Nesse caso eles fizeram cara de paisagem e não deram sequer uma palavra sobre o assunto.

      Na Marinha do Brasil, temos um excelente contado com o Capitão-de-Corveta Henrique Afinso Lima, do Departamento de Imprensa do Centro de Comunicação Social da Marinha. Ele sempre nos responde com agilidade e cortesia, mas como ele está embarcado, ele nos solicitou que enviássemos um email diretamente para o atendimento do Centro de Comunicação Social da MB. Ocorre que sem o Capitão Henrique à frente, aquilo lá é sofrível. É um parto para conseguir qualquer retorno.

      No caso do EB, o Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro, para todos os e-mails enviados, envia rapidamente uma resposta padrão cordial. São muito educados, mas na prática nunca respondem nada e recomendam que a solicitação seja redirecionada a outros departamentos. No caso do problema com o Caracal, enviamos também um email para o Comando de Aviação do Exército (Cmdo Av Ex), mas até agora nada nos foi dito. Mesmo através de contatos telefônicos, o atendimento é péssimo, para dizer o mínimo, é um empurra empurra onde você fala com 500 pessoas e nenhuma delas te dá qualquer informação.

  1. Que absurdo este acidente. A Airbus deve responder o quanto antes as causas deste acidente e identificar uma solução para a falha. A recuperação do rotor principal foi muito importante. Helicóptero caro e o que esperamos é confiabilidade deste desenho.

    • Wolf,

      Não menosprezando os demais, existe um forista aqui no Brasil cujos comentários eu estimo muito, por conta da qualidade dos mesmos. Trata-se do Organza, ele comenta no site Poder Aéreo.

      Organza foi um, dentre muitos, que sempre sinalizou as deficiências do Caracal, sempre respaldado por evidências, e isso não é de agora. Na própria França, a Agência Francesa de Armamentos e Defesa (DGA) recusou o Caracal em mais de uma situação, tendo emitido relatórios listando as falhas do equipamento, inclusive na MGB. Muita coisa apontada pelo DGA foi ignorada, agora a caca começa a aparecer.

      Aqui no Cavok nós sempre dissemos que essa Kombi voadora era um abacaxi. SEMPRE! Além de ser absurdamente cara.

      Isso para não mencionar que essa compra foi imposta aos então comandantes da FAB, MB e EB, sem que os mesmos pudessem questionar quantidades e reais necessidades. É um processo que nunca foi investigado, e definitivamente merecia ser.

      Sds

  2. O HX-Br foi a cara do Brasil, caríssimo (2bi de euros), um projeto em desenvolvimento (arriscado), muitos políticos envolvidos, sério esse foi o negócio em que mais vi político dando entrevista, pois construiram uma fabrica para montagem dos kits, rios de dinheiro, e que teria a tal ToT e a geração de meia duzia de empregos qualificados, ops magina, milhares de empregos kkk.

    Sobre a Kombi, um bom heli, bom mesmo, mas não vale a metade do valor pago, sendo que existe BH e SH, tanto é que as forças não deixaram de adquirir esses vetores para o trabalho mesmo apos serem entubados com o EC725.

    • O pior de tudo é que há paralelos…
      No caso do HX-BR, a Airbus Helicopters adquiriu o controle da Helibrás. A tão propalada transferência de tecnologia se dá da Airbus Helicopters para a Helibrás.

      No caso do programa de submarinos, a DCNS cria uma joint venture com a Odebrecht chamada ICN.
      O ToT é da DCNS para a ICN.

      A Elbit cria a AEL. E o ToT ocorre da Elbit paa a AEL. Ou seja, é sempre dela para ela mesmo.

      Para ficarmos nestes três exemplos. A pergunta que quero fazer é: os engenheiros brasileiros que trabalham nestas empresas "nacionais" e que são portadores dos projetos, fornecem relatórios ou feed backs para o Governo Brasileiro ou para as FAs?

    • Imagina o submarino nuclear? Se um dia esse troço for para água, não como mais peixe.

  3. Na época fui contra porque esse programa implicava em financiar uma planta nova da Airbus em Itajubá, que custou centenas de milhões de dólares para os cofres públicos. A produção licenciada praticamente dobrou os custos desse Heli que a cada dia parece ser um grande mico voador.

    E agora José???

    []'s

  4. A turma da graxa sempre falou que este aparelho era problemático e de manutenção complicada considerando os atuais padrões e era só questão de tempo pra bomba estourar!!! Quantos ainda vão morrer, antes que se resolva esse problema em definitivo?

    • Quanto vai custar essa solução. Imagina ter que reprojetar isso? Mexe em toda a estrutura da kombi.

      • Problemão pra as cabeças pensantes da Airbus…será que compensa reprojetar a MGB ? Será o fim de uma linhagem?

  5. E os Sabre?
    Estão todos operacionais?
    O que os pilotos e mecânicos falam dele?

  6. Ta na cara que esse contrato tem algo muito obscuro, com tantos helis consagrados para serem comprados , podia ser BH ou Mi17 dois projetos horríveis em beleza, mas mais doque provados, mas foram comprar um projeto caríssimo e deficiente, a cara do Brasil, parece até a ciclovia Tim Maia…

    • Nome infeliz para a ciclovia.
      O Tim Maia aguentava uma ressaca na boa.

  7. E quem ganhou a concorrencia na época foi o Mi-17, juntamente com o Mi-35.

    • Na MB, o Caracal substituiria o Sea King. No EB, brigada aerotransportada, OK. O que a FAB faria com eles? Nunca existiu esse requisito. O que a FAB queria era um substituto para o sapão.

  8. Paralisaram os Caracal do GTE?
    Um absurdo!
    Agora que eu quero que voe mesmo, vamos voar a rodo (acumular muitas e muitas milhas), primeiro convertê-los em Drones Taxi Aéreo de Luxo da história da humanidade (quero salvar os pilotos).
    Aliás seria interessantíssimo esses voos, pulando inclusive as revisões programadas, seria um ótimo estudo de confiabilidade de aeronave para as 3 forças. É voar dia e noite até cair e depois dizer Ops…

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