Conceito de míssil hipersônico francês ASN4G.

A França concedeu um projeto demonstrador de arma hipersônica ao ArianeGroup, uma joint venture entre a Airbus e a francesa Safran, que será conduzido sob o gerenciamento geral do projeto pela agência de defesa francesa DGA, conforme anunciado pela ministra das Forças Armadas, Florence Parly, no dia 21 de janeiro.

O programa é designado V-max (véhicule manoeuvrant expérimental ou veículo de manobra experimental). O míssil ASN4G ar-superfície, que será desenvolvido pela França, e substituirá o ASMP de médio alcance, poderá ser configurado para viajar a velocidades hipersônicas.

“Decidimos conceder um contrato para um demonstrador hipersônico, capaz de atingir uma velocidade de mais de Mach 5 (mais de 6.000 km/h)”, disse Parly durante o seu discurso de Ano Novo para as forças armadas.

Armas hipersônicas – que manobram sem o uso de motores, e voam em velocidades superiores a Mach 5 (6.000 km/h) – estão sendo estudados pelas principais potências nucleares há vários anos. Estas armas seriam levadas até o fim da atmosfera da Terra por um veículo de lançamento e, então, “deslizariam” de volta para um alvo no solo, diferente de mísseis balísticos atuais.

“O objetivo é a manobrabilidade em alta velocidade. É assim que difere de uma trajetória balística”, disse a agência de tecnologia e aquisições de defesa do governo francês (DGA).

“Quando a velocidade inicial é alcançada, podemos jogar com velocidade e altitude para mover para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, criando uma trajetória que é mais difícil de interceptar”.

E a agência acrescentou: “Se formos alvos de um sistema de defesa, podemos operar manobras evasivas”.

O demonstrador hipersônico dos EUA, X-51 Waverider.

“Essas armas (hipersônicas) poderiam constituir uma ameaça instantânea de um ataque convencional ou mesmo nuclear”, escreveu a SGDN (Secretaria de Segurança e Defesa Nacional da França) em um relatório de 2017 sobre tecnologias de próxima geração.

O programa francês será projetado para avaliar as potenciais vantagens e limitações do conceito e estudar as tecnologias necessárias para desenvolver tal sistema. A DGA diz que vai explorar os conhecimentos tecnológicos necessários para atingir a velocidade hipersônica.

Para a França, desenvolver e implantar um dispositivo que possa suportar velocidades hipersônicas representa um enorme desafio.

A DGA, a agência de defesa francesa, admitiu que possui “relativamente pouca experiência” na área.

“O primeiro uso provavelmente não ocorrerá em breve e será limitado em termos de carga útil, tempo de voo e precisão”, advertiu a SGDSN.

O principal desafio será permanecer manobrável em velocidade hipersônica e suportar temperaturas extremamente altas. O programa terá como objetivo explorar materiais adequados de construção e a massa da ogiva que poderia ser transportada por uma arma hipersônica dependendo do seu tamanho.

Em dezembro, Moscou se vangloriou de que as capacidades de suas novas armas hipersônicas as tornam “praticamente” impossíveis de derrubar, depois de um teste em que um míssil hipersônico chamado “Avangard” alcançou uma velocidade de Mach 20 antes de acertar seu alvo a uma distância de 3.700 km.

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1 COMENTÁRIO

  1. Nossos amigos croissants da Aero-Ônibus (e da Dassault, que não fazem parte desse projeto) tem uma pilha de projetos engavetados NO GOVERNO francês, em Paris.

    Demoram, mas fazem. Vamos ver se aprenderam alguma coisa e usarão componentes sensíveis europeus.

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