Gloster Meteor F8 da RAAF operando na Coréia ao lado das forças da ONU. (Foto: adf-gallery.com.au)

O Meteor não era páreo para enfrentar o MiG-15. A RAAF perdeu 52 aparelhos durante a guerra, entre combates ar-ar, AAA e acidentes.

O Gloster Meteor F.8 lutou na Guerra da Coréia sob a bandeira da Austrália. Com o envolvimento deste país no conflito, o governo Britânico transferiu diretamente dos esquadrões da RAF 93 aparelhos para a Real Força Aérea Australiana – RAAF.

Os aviões serviram com o 77º Squadron que no início da Guerra usava o norte-americano F-51 Mustang. Sua primeira ação foi em julho de 1950, e depois de quase dois anos, foi reequipado com caças a jato, a fim de poderem fazer frente contra os formidáveis MiG-15, em serviço com a Força Aérea chinesa, após a intervenção desta para lutar ao lado da Coréia do Norte.

No início, o Esquadrão iria receber o F-86 Sabre, porém, logo veio a frustração e soube-se que o Esquadrão iria ser reequipado com o Gloster Meteor F8, recebendo estes em fevereiro de 1951. Os EUA haviam avisado sobre a inferioridade do caça, mas mesmo assim um acordo governo a governo foi fechado.

Logo ficou evidente a inferioridade do Meteor ante o MiG-15. Mesmo fazendo o melhor uso do F8, ele era inferior em velocidade e capacidade de manobra. A falta de visibilidade no quadrante traseiro mostrou-se um problema a mais, na qual tentaram solucionar colocando uma cobertura totalmente transparente sobre o cockpit, mas mesmo assim, de nada adiantou, pois o caça simplesmente não era manobrável o suficiente para derrotar um MiG-15. Outras dificuldades surgiram como a falta de um rádio bússola.

O Meteor entrou em ação com a RAAF no dia 29 de agosto. Oito aparelhos sucumbiram ante o MiG-15. Uma semana depois, um meteor conseguiu retornar à base, danificado. Estava claro que o MiG -15 era, na verdade, sem dúvida, superior. Assim, o papel do F.8 foi modificado de acordo com os comandantes da Força Aérea dos Estados Unidos, e foi atribuído a tarefa de escoltar os bombardeiros B-29. Em uma dessas missões, 16 meteors participaram de uma batalha entre Sabres e MiGs, aonde lograram não serem abatidos, graças aos Sabres.

Depois que os americanos abandonaram os bombardeios diurnos, por causa das perdas sofridas contra os MiGs chineses, os Meteors australianos continuaram a patrulhar regularmente em uma área definida ao sul. Em 01 de dezembro de 1951, o 77º Squadron estava em ação contra uma grande formação de MiGs. Mais uma vez, três aeronaves foram perdidas, porém, dois MiGs foram abatidos.

Não sendo páreo para os MiGs, o 77º Esquadrão da RAAF passou a executar somente missões de ataque ao solo (Concepção artística: no77.squadronassociation.org)
Não sendo páreo para os MiGs, o 77º Esquadrão da RAAF passou a executar somente missões de ataque ao solo. (Concepção artística:  N° 77 Squadron Association)

Finalmente o Meteor passou a ser usado para ataque ao solo, um papel para o qual a aeronave foi mais capaz, especialmente por causa de sua construção robusta e desempenho a baixa altitude.

Durante janeiro de 1952, o Esquadrão australiano voou 769 missões de ataque ao solo e em fevereiro mais de mil. Quatro pilotos e aeronaves foram perdidas. O último encontro de Meteors e MiGs foi em março de 1953, quando o sargento, John Hale conseguiu uma vitória.

Quando a Guerra da Coréia terminou em julho de 1953, a contagem do 77º Squadron foi de 18.872 surtidas, perdendo 32 aeronaves. Para seu crédito, três vitórias confirmadas.


FONTE: aviastar.org

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9 COMENTÁRIOS

  1. Não havia nem como comparar o pobre Meteor com o Mig-15. Mas a maior ironia é que os motores dos Migs era versões das turbinas Nenes fornecidas em um gesto de boa vontade à URSS por Clement Atlee. Mais uma lambança para a conta dos Trabalhistas….

    • Boa lembrança!!! É exatamente isso! E foi dito na ocasião! Mas não, o Partido Trabalhista chamou os russos de "nossos aliados"…

      Anos depois os "aliados" estavam matando britânicos e australianos nos céus da Coréia…

    • HMS_TIRELESS,

      De fato… Bem lembrado.

      Quanto ao Meteor… Diante do Me-262, pode-se dizer que ele já nascia obsoleto… Mas convenhamos que era uma aeronave confiável e bastante robusta.

      • É de se ficar pensando. Se – mas um SÊ bem grande – os Aliados ao término da SGM houvessem continuado com a produção do Me-262? Os tchecos continuaram, mas era tão, mas tão desastroso aquilo…

        E também não sei se era tão robusta assim, visto que sua vida na FAB foi precocemente encerrada (ainda bem, senão voariam até os Anos 80…).

        • GIORDANI,

          Um dos grandes problemas do Me-262 eram seus motores, de uso limitadíssimo ( salvo engano, 25 horas!) por conta justamente dos materiais inadequados a sua construção e que os alemães tiveram que utilizar… A versão tcheca contava com os mesmos motores Jumo 004, salvo engano sem qualquer alteração significativa. Aí ficava realmente difícil manter a máquina, ainda mais tendo a disposição aeronaves russas mais avançadas… Talvez, com uma motorização diferente, fosse possível uma produção pós-guerra em larga escala. Se bem que a própria configuração, com os motores nas asas, até onde sei não é exatamente a melhor para o combate manobrado… Mas o desenho da fuselagem era sim bastante avançado para a época…

          No caso do meteor, o motor Derwent se mostrou muito confiável e sua fuselagem se mostrou bem resistente. O problema maior era a utilização em determindo perfil. Os Meteor no Brasil começaram a apresentar problemas estruturais por conta de seu uso contínuo em missões de apoio cerrado/taque ao solo ( que eram rotina praticamente desde a chegada do Meteor ), e que é uma tarefa que realmente exige muito da aeronave… E vale lembrar que, embora tivesse um desempenho mais adequado como atacante, ele foi desenhado originalmente para interceptação…

  2. Fosse o Meteor utilizado desde o inicio em perfil de ataque, é praticamente certo que não haveriam tantas baixas… Voando em baixa altitude e com seus quatro canhões de vinte milímetros, essa aeronave sempre foi mais adequada ao perfil de ataque.

    O F8, salvo engano, foi a variante utilizada pela FAB também…

    Um outro problema do canopy com essa configuração, fora a visibilidade limitada, é que eles tinham o habito de estourarem em pleno voo. A FAB mesmo recebeu os seus Meteor com esse tipo de canopy e teve problemas desse tipo, que somente foram sanados com um modelo em bolha similar ao do P-47D dos últimos lotes…

  3. O F-8 foi a versão utilizada pela FAB. Os canopys com painel de alumínio na parte traseira começaram a estourar por conta do efeito diferente na dilatação entre metal e plexyglass, isso levou a adoção dos canopys de plexyglass inteiriços, bem como a evolução da FAB, que trocou os velhos capacetes de couro, pelos crashhelmets…

    • Perfeito Ilya! Foi exatamente isso! Inclusive os primeiros crashhelmets foram adquiridos pelo adido da FAB em Washington, que inclusive era um veterano do 1 Gav Ca

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