Dilma Rousseff e Vladimir Putin, durante encontro entre os dois líderes.

Os governos Lula e de Dilma Rousseff tinham sonhos ambiciosos na área de tecnologia e queriam utilizar a indústria aeroespacial do Brasil, que envolve grandes corporações. A conclusão é de analistas de diversos serviços de inteligência, que rastrearam inclusive uma tentativa de forçar os diretores da EMBRAER a firmarem acordos de colaboração com o governo da Rússia para a produção de armamentos e sistemas avançados.

Os governos do PT trabalhando, sem nenhuma percepção da realidade política-estratégica do mundo real, projetaram planos mirabolantes.

Os russos pressionavam o Brasil para aquisição de equipamentos militares, para reduzir o balanço comercial favorável ao país sul-americano. Em consulta da Presidente Dilma aos militares brasileiros foi escolhido como potencial aquisição o sistema antiaéreo Pantsir S1 e lotes adicionais do míssil portátil antiaéreo MANPADS IGLA-S. O acordo previa transferência de tecnologia (ToT).

O caça russo Su-35 que competiu no programa F-X2 da FAB.

Havia mais oportunidades e Moscou e Brasília buscavam estes programas. As tratativas para que o governo da Rússia fizesse um avião comercial com a EMBRAER começaram por intermédio do ex-presidente Lula. Ele queria que os russos, com ligação comercial estreita com a Venezuela na venda de armamentos e produtos bélicos, fizessem um avião militar com a EMBRAER e entrassem na concorrência, que acabou alijando os russos (Sukhoi SU-35) e escolhendo os suecos (SAAB Gripen NG), por grande influência do petista histórico Luís Marinho, ex-ministro de Lula e ex-prefeito de São Bernardo do Campo.

Em dezembro de 2014, o vice-premiê Dmitry Rogozin, encarregado do setor de defesa e aeroespacial na Rússia, e participante do pequeno círculo do Presidente Vladimir Putin, chegou ao Brasil para reuniões em Brasília e visita a fábrica matriz da EMBRAER, em São José dos Campos. Uma ano antes o Ministro da Defesa, Sergey Shoigu, teve uma recepção de Chefe de Estado em Brasília.

A visita se realizou mesmo sob as restrições americanas do sobrevoo de seu avião, por vários países, pela invasão da Ucrânia. A direção da EMBRAER se recusou a receber o russo, que enfurecido seguiu para a MECTRON, pertencente à Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT).

“Não tem incômodo algum, só ficou para nós estranha a posição da EMBRAER de não querer ampliar seus negócios.Íamos propor a produção conjunto de um avião civil. A EMBRAER é na verdade uma empresa norte americana, entendemos isso. Mas vamos procurar nos estabelecer no mercado aeronáutico daqui”, observou um dos porta-vozes do premiê. Em declaração exclusiva para DefesNet durante a visita à MECTRON.

Linha de produtos de defesa da Odebrecht.

No governo Lula e depois no de Dilma, assim que a Rússia foi desconsiderada na concorrência dos jatos militares para a FAB, ocorreu uma série de reuniões e a solução foi chamar a direção da EMBRAER e obrigá-los a desenvolver um aparelho comercial, de uso civil, para atender aos países do BRICS, algo que vem sendo desenvolvido entre Rússia, Índia e China. Provavelmente um turboélice, que já teria como mercado alvo os governos da África, da África do Sul e da Índia, a própria Rússia e alguns países menores da Ásia.

A imposição foi forte. Se não o fizessem, a direção da EMBRAER poderia esquecer os generosos financiamentos do BNDES. O vice-presidente do Vnesheconmbank, banco russo para o desenvolvimento de negócios no estrangeiro e presidente da seção russa do Conselho Empresarial Brasil-Rússia, Sergey Vasilyev, disse que a Rússia ofereceu à EMBRAER a utilização de uma área industrial para implantar uma linha de produção da companhia no país para a fabricação de aeronaves, além de US$ 1,5 bilhão iniciais.

A fábrica se localizaria na cidade de Ulianovsk, a 400 quilômetros de Moscou. O executivo afirmou que as negociações com a EMBRAER caminharam bem e foram responsáveis pela vinda do vice-premiê ao Brasil, mas já para negociar uma parceria para aviões militares. A desculpa usada na época era que a Rússia tinha uma demanda por aeronaves, principalmente jatos executivos. Um mercado potencial para os jatos executivos Legacy e Phenom da EMBRAER. Além de vender para a própria Rússia, a empresa poderia comercializar suas aeronaves aos países próximos, segundo o executivo russo.

Dmitry Rogozin interpelou agressivamente o Ministro da Defesa Celso Amorim e ligou para Lula e Dilma, pedindo explicações. A resposta foi que a Odebrecht Defesa e Tecnologia entraria no lugar da EMBRAER para a produção de aeronaves militares e armamentos aéreos. A Odebrecht ainda confiava que os acordos traçados por Lula vingariam, com sua promessa que o setor da indústria de defesa ganharia novos impulsos com o PAC da Defesa e a Odebrecht estaria inserida em um ótimo e lucrativo negócio.

Algo muito melhor e mais produtivo que construir aeroportos e prédios públicos na África com recursos brasileiros, assim com a Camargo Correa e a Andrade Gutierrez.

Um helicóptero Mi-171 entregue no Brasil.

Os russos chegaram a informar que fabricariam helicópteros no Brasil no auge do PAC da Defesa e depois desistiram de todos os acordos firmados com o governo brasileiro. Não voltaram a conversar com a Odebrecht Defesa sobre os projetos em parceria e nem sobre a fábrica de aviões para rivalizar com a Embraer e vender aeronaves para a Venezuela, Paraguai, Bolívia, Equador, Cuba, Argentina, Colômbia e Chile como era a proposta inicial.

Os russos seguiram então com os projetos Pantsir S1 e o MANPADS IGLA-S, onde o principal receptor da transferência de tecnologia seria a MECTRON.

O afinamento entre as operações da Odebrecht e a alta cúpula do PT e do governo federal, que já estava participando do Programa de Obtenção do Submarino (PROSUB), parceira com a estatal francesa DCNS, eram muito sólidas para serem rompidas. A fábrica de avião esteve para acontecer e o projeto só foi paralisado pelas investigações da Lava-Jato e que ameaça de tempo em tempo os contratos grandes contratos militares dos governos Lula–Dilma (PROSUB, H-XBR, Gripen NG).

Porém, os estrategistas do PT só faltaram “combinar com o russos”. O objetivo destes era a busca de tecnologia de gestão de produção e logística, ou o chamado “chão de fábrica”.

A Rússia teria interesse em linha de montagem de jatos Legacy no país.

O mesmo que a americana BOEING procurou em São José, no início dos anos 2000, como montar uma rede de logística mundial para o futuro B787 Dreamliner. Estrutura que a EMBRAER elaborou cuidadosamente para as famílias ERJ145 e nos E-Jets 170/190.

Os russos buscavam apoio para seu ambicioso plano de modernização militar. Não de produtos, mas do complexo industrial-militar herdado da antiga União Soviética. Como introduzir processos de gestão mais eficientes e novos tecnologias de produção.

E também como obter eficiência energética no desenvolvimento de projetos aeronáuticos civis. O que limitou os projetos comerciais Tupolev e Ilyushin aos países do Pacto de Varsóvia ou aliados da União Soviética. Os projetos não eram competitivos aos BOEING, DOUGLAS ou AIRBUS.

Por fim a aquisição do Pantsir S1 pelas Forças Armadas Brasileiras foi cancelada, em Fevereiro 2017.

Um novo lance poderá ocorrer quando da visita do presidente Michel Temer a Moscou, em 12 de Junho. Após a visita do Ministro Raul Jungmann a Moscou e reunião com o Ministro da Defesa Sergey Shoigu, no dia 25 Abril. O presidente Michel Temer era o representante brasileiro na “Comissão de Alto Nível de Cooperação entre Brasília e Moscou”.


Fonte: DefesaNet

57 COMENTÁRIOS

  1. Agora é o momento dos liberais, chegam na mesa de qualquer bar do país e começam a falar do estado, que não presta, que não serve kkk mal sabem que se trata de uma ideologia ultrapassada e de quinta categoria

Comments are closed.