A aeronave KC-390 durante demonstração em Portugal. (Foto: Filipe Barros / Cavok Brasil)

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA) Portuguesa, general Manuel Rolo, revelou hoje que o Estado português admite abandonar o projeto de aquisição de aviões KC-390 caso a Embraer não baixe os valores pedidos.

O Estado não quer ver ultrapassado para além deste montante [cerca de 830 milhões de euros], estamos numa negociação férrea e começa a prevalecer a opinião de que, se a Embraer não vier para este valor, o Estado português terá de ir para outras opções”, afirmou o general Manuel Rolo no parlamento.

O CEMFA está a ser ouvido na comissão parlamentar de Defesa Nacional sobre a proposta de Lei de Programação Militar, que prevê investimentos de 4,74 bilhões de euros, até 2030.

O valor previsto para o projeto de aquisição de aviões de transporte tático na proposta de Lei de Programação Militar (LPM) é de 827 milhões de euros no espaço de doze anos.

O general adiantou que a negociação “não está fácil” e que a Embraer “está a pedir muito mais do que razoavelmente” o Governo esperaria.

Segundo o general, está em cima da mesa e “esse é também o sentimento do ministro da Defesa Nacional [João Gomes Cravinho]”, fazer “sentir à Embraer que podem ser pensadas outras opções se eles não quiserem entrar neste nível de negociação para este patamar financeiro”.

A equipe de negociação integra, do lado do Estado português, a FAP e a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, que está “fazendo um esforço muito grande” junto da empresa brasileira para que possa aproximar-se ao valor que está alocado na LPM.

“Na negociação a Embraer estava pedindo mais 120 milhões de euros, e neste momento o valor situa-se nos 97 milhões de euros”, disse.

Manuel Rolo acrescentou que a FAP tem procurado outras soluções visando que o preço possa baixar, como por exemplo contratualizar a aquisição e manutenção dos motores, poupando dessa forma nas comissões adicionais cobradas pela Embraer.

Há outros componentes que podem “ser desagregadas” do pacote a negociar com a Embraer, como o material de guerra eletrônica acoplada ao avião, que também poderão ser comprados diretamente às empresas fabricantes.

Ainda assim, “o máximo que conseguimos é trazer o défice para 50 Milhões de euros ”, que “ficam por resolver”, adiantou.

Pelo PSD, o deputado Matos Correia manifestou surpresa por estar em cima da mesa a possibilidade de “rompimento negocial” com a Embraer, frisando que até ao momento o que o Governo tem mostrado é o seu envolvimento no projeto.

Para o CDS-PP, o valor pedido pela Embraer é muito caro e que a empresa brasileira devia perceber que, a concretizar-se o projeto, Portugal será o primeiro país da OTAN a adquirir KC-390, constituindo-se como possível porta de entrada para mais compradores na Aliança Atlântica.

Sobre a aeronave, o general Manuel Rolo disse que a FAP já voou no KC-390 e comprovou que “é muito fácil de voar e tem capacidades excelentes”, sendo mais rápido, “até cinco horas a menos na longa distância” face ao C-130.

A concretizar-se a compra, “o processo de formação será muito rápido e dinâmico”, disse o general, em resposta a uma pergunta do PS.

Questionado pelo deputado do PCP António Filipe sobre se tem “um plano B” caso as negociações falhem, o general Manuel Rolo disse que o “plano B que pode haver é olhar para outras aeronaves que existem no mercado”.

“Assim de repente, é o C-130J e o A400M”, disse, ressalvando que o A400M “é uma aeronave excelente, de maior dimensão mas também têm tido imensos problemas para se consolidarem”.

Manuel Rolo manifestou contudo “esperança” de que o projeto dos KC-390 “seja uma realidade” e disse acreditar que “o processo de negociação terá de tender para uma situação de acordo”.

António Filipe referiu-se ao processo em curso para a norte-americana Boeing comprar 80% da Embraer, considerando que aquela aquisição “é preocupante no que pode traduzir da orientação estratégica da Embraer”.

Sobre este ponto, o CEMFA disse que “o que de início tem disso dito é que a `joint venture´ não tocaria no setor militar da Embraer”.

É uma negociação difícil. Não sei se existe aqui alguma influência da nova `joint venture´ que está a ser criada com a Boeing que possa perturbar o bom clima da negociação inicial, espero que isso não seja fator”, respondeu Manuel Rolo.


Fonte: TVI24

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27 COMENTÁRIOS

  1. Negociatas, o Canadá por exemplo está tentando a todo custo ganhar uns F35 a preço de custo ahah.

  2. Está ocorrendo o óbvio, o governo de esquerda português opera pra sabotar o projeto pois sabe que a Embraer não pode simplesmente reorganizar sua produção pra retirar as partes produzidas na OGMA. E lógico, não há obrigações nenhumas por parte dos portugueses.

    E digo mais, se a véia maluca argentina ainda estivesse no poder, fariam o mesmo.

    PT costurou acordos com republiquetas de esquerda pra isso mesmo, manter o país refém deles, imaginem esse mesmo cenário em Abreu e Lima se a Venezuela tivesse dinheiro pra no mínimo enviar petróleo ao Brasil, de uma hora pra outra poderiam cortar os envios e o Nordeste sofreria pesadamente com desabastecimento causando pelo desajuste.

    Esse é o modus operandi da esquerda globalista, é assim que se prosperam no poder.

  3. Vejamos se eu entendi direito. Eles pediam 120 milhões de merkels, ficou até o momento por 97 por aeronave no pacote completo de manutenção, simuladores e o caramba. Onde ficou os 23 milhões que estão faltando?

    Tá certo o governo português, se os americanos tivessem colocado a LM na parede da maneira que o Trump colocou a Boeing a respeito do air force 1 não teria acontecido o que aconteceu. Dinheiro público não é capim.

    Muito embora….. os portugueses vão espremer a Embraer, mas eles também não tem opção. Não querem passar dos 830 milhões de merkels…… Mas a Alemanha vai gatar 970 em 6 C-130J. Os malaios pagaram(segundo os generais contam) 740 em QUATRO A400M e estão assinando um pacote de manutenção agora………. extra.

    faz o seguinte, se os portugueses não quiserem as aeronaves, pede pra Boeing ficar com os aviões. Eles não iriam ajudar a vender?

  4. Quanta bobagem escrita…….

    Se a Embraer está pedindo os € 97 milhões de euros, então ela está com uma política de preço fora da realidade. A própria empresa projetava um preço bem menor, na casa dos US$ 70 milhões de dólares, então não há justificativa para este sobre preço. Sem contar a péssima estratégia de achacar um parceiro estratégico e risco no negócio. Lembrando que está primeira venda seria essencial por alguns motivos claros. Portugal é um país membro da OTAN, assim como um operador de C-130.

    Não tem nada a ver se a JV com a Boeing vai ou não acontecer. Aliás, isto parece mais uma estratégia de salgar o preço, para dizer que não conseguirá vender sem a parceria cara-c* com a Boeing. Assim como usou, como pano de fundo, a parceria Airbus – Bombardier no C-SERIES, vendendo informações cheias de meias verdades.

    "Ah, mas a culpa é dos portugueses". Putz, é cada sem noção!!!

    • O negócio já tem ok do governo, vamos inventar menos.

      A Embraer não contou história alguma sobre a parceria da Airbus com a Bombardier. A fonte são as próprias concorrentes.

      Nao tem meia verdade alguma, só invenções de quem tem dificuldade em conviver com a realidade.

      A propósito, a empresa faz o preço dela e cobra quanto ela quer. Ninguém tem nada com isso.

    • Não pode esquecer que não é sómente o preço dos aviões, e sim todo o pacote de simuladores e manutenção, e possivelmente garantia, como fizeram com os submarinos.

  5. Antes de apelarem ao nacionalismo ferido, algum dos senhores se deu ao trabalho de fazer as contas?

    Cerca de 110 milhões de dólares por cada unidade é caríssimo!! A FAB quer comprar a um valor de 75 milhões de dólares a unidade, segundo li aqui no Cavok, e os portugueses ficariam contentes a pagarem 110 milhões? Sendo parceiros do projecto?

    Isso custa o C130J, qual a mais valia do KC390 para a FAP e as OGMA – que fazem manutenção do C-130 a forças aéreas do mundo inteiro?

    O valor pedido é demasiado elevado.

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