stk0044No dia 18 de novembro de 1952, o aviador naval e Tenente da Marinha dos EUA E. Royce Williams, enfrentou sozinho sete caças MiG-15, tornando-se o único piloto americano a tal façanha em todas as guerras que os EUA lutaram.

Determinado a defender seus companheiros no solo, Williams pilotava um F9F-5 Panther, uma aeronave bem inferior ao MiG-15, quando o inimigo lançou um ataque aéreo contra a da Task Force 77. Suas habilidades de pilotagem e a mira certeira derrubaram quatro inimigos, sendo que o quarto só foi confirmado anos mais tarde.

Williams disparou toda a sua munição e sofreu diversos impactos de 37 mm que causaram perda total do leme e dos flaps. Williams mergulhou para cobertura de nuvens a fim de se refugiar. O avião mal tinha controle. Ele apenas tinha controle do estabilizador horizontal e um pouco de controle dos ailerons. Habilmente ele conseguiu se evadir e seguiu em linha reta até o porta-aviões USS Oriskany.

f-9-pantherAo se aproximar para o pouso, uma surpresa. Devido aos danos de batalha, o Panther não poderia voar controlado abaixo de 340 km/h. A velocidade normal de aproximação do Panther era de 195 km/h. Para piorar, havia um vento de 74 km/h em todo o convés. Impressionantemente, deixando todos boquiabertos, Williams pousou magistralmente, agarrando o 3° cabo.

Um exame de seu F9F-5 Panther revelou 263 buracos de bala. Os danos foram tão extensos que a aeronave foi condenada e jogada ao mar como sucata.

Williams foi chamado pelo Pentágono e por ordem da NSA (agência de segurança nacional dos EUA) a ele foi imposto o silêncio. Aquele combate nunca deveria ser revelado, nem mesmo para sua esposa. O silêncio se devia ao fato de a União Soviética se auto declarar neutra no conflito, mas as escutas do renhido dogfight não deixavam dúvidas: Williams tinha abatido pilotos russos.

f9f-2-panther
A Marinha dos EUA, ao contrário da Força Aérea, não tinha um aparelho capaz de rivalizar com o MiG-15.

f9f-5_pantherO presidente Eisenhower condecorou-o com a Estrela de Prata, numa reunião privada, o Tenente Williams em meados de dezembro de 1952.

Mas a façanha ainda é mantida com a classificação “Top Secret” há mais de cinqüenta anos. O desafio tem sido a obtenção de registros mais precisos, algo que tem sido muito difícil, pois um relatório “falso” foi produzido a pedido de Washington no dia do evento. Embora a Rússia confirma-se os nomes dos quatro pilotos abatidos, os atestados de óbito dos pilotos russos ainda não foram apresentados.

Royce Williams e seu F9F-5 Panther.
Royce Williams e seu F9F-5 Panther.

Williams ainda está vivo e tem 91 anos de idade. Existe um movimento para que ele seja incluído no Panteão dos Heróis americanos e sua façanha seja reconhecida publicamente.

A “Petição para o Reconhecimento” começou em 2014.


FONTE: Homeland Magazine

 

Anúncios

18 COMENTÁRIOS

  1. O Panther não tinha nada de errado, e usava basicamente o mesmo motor do Mig-15. Porém, as asas em flecha dos MIG eram uma tremenda vantagem para o caça soviético. O piloto americano deve ter procurado o combate a baixa altitude, em velocidades menores e evitando manobras verticais para ter alguma chance.

    • Aquele piloto israelense, da qual não me lembro o nome agora, certa vez disse: "é melhor combater vários ao mesmo tempo do que um".

      • OFF:
        Gio, posso lhe sugerir uma matéria do Tomcat 21?
        Tomcat 21 caso não saiba, era um projeto feito pela Grumman e recusado pela USN, de um Tomcat de 4.5G++.

      • Olá GIORDANI, o nome desse piloto é Giora Epstein, ele travou combate com 11 migs e conseguiu abater 5 e é o piloto que tem mais abates na éra do jacto com 17 abates.

          • Ele aparece nos combates aéreos ases do deserto, mais são relatos de combates de vários pilotos israelitas.

    • Esqueci de citar a enorme vantagem peso-potência, já que o MIG-15 era muito leve, até perante os adversários.

  2. Outro detalhe digno de ser mencionado é a inegável qualidade do aparelho. Pois a extensão dos danos é coisa.de.deixar qualquer um de voa.aberta.

    Como os cristãos dizem: " deus protegeu e não era.a.hora dele…"

    CM

  3. Fiquei imaginando se os pilotos soviéticos formaram um carrossel, isso pq essa tática é muito comum nesse tipo de combate. Quando um opositor tem uma aeronave menos veloz, cercam a aeronave, como um carrossel, em uma altitude um pouco maior, para evitar sua fuga, com os oponentes atacanho em sequência e retornado ao círculo.
    Sakai, ás japonês, foi confrontado em um combate assim em Iwo Jima, em que, após abater 2 Hellcat, foi cercado por um carrossel de 27-28 Hellcat. Eles mergulhavam em sequência, um após o outro metralhando o Zero de Sakai, e ele, mesmo cego de um olhos (ferido em Guadalcanal), desviava um a um, usando a manobrabilidade famosa do Zero, guinando para a esquerda ou direirá, no centro do círculo. Até que os americanos desistiram da perseguição, talvez por falta de combustível. Ao retornar à base, foi ovacionado pelos soldados em terra que assistiram tamanha façanha.
    Porém tal tática também pode ser defensiva. O Ingleses usavam essa tática para se defender dos Me-109, quando estavam com Hurricane ou P-40, assim cada aviação cobria as 6h do companheiro. Qualquer oponente que entrasse na formação, poderia ser alvejado pelo avião de trás dos carrossel. Porém, havia um gênio, Hans-Joachim Marselhesa. Ele era mestre em desfazer essa formação. Ele mergulhava seu Me-109 abatendo com poucos tiros um oponente, usando ao máximo a manobrabilidade, chegando até a abrir os flaps, subia e abatia um segundo oponente, isso em poucos segundos. Os adversários entravam em pânico, e o resto da esquadrilha terminava o serviço. Ele abatia um caça adversário com uma média de 15 disparo. Talvez o melhor piloto de caça da história.
    Imagino, que se os pilotos soviéticos fossem bem treinados, fariam isso, mas se fossem novatos, teriam tudos perseguido o Panther ao mesmo tempo, um atrapalhando o outro, facilitando a defesa desesperada desse incrível piloto americano.

  4. Um Maverick da vida real. 🙂

    Daria uma bela história para Hollywood contar….

    []'s

  5. Durante a Guerra da Coreia, os americanos abateram vários "kosacos". Num caso famoso, após ter seu MiG-15 incendiado pelas traçantes de um F-86, o piloto ejetou. Após abrir o paraquedas e flanar, os pilotos americanos viram que o "norte-coreano" tinha barba ruiva. Foi quando surgiu um MiG-15 e metralhou o piloto que mergulhou para o solo…

  6. O comandante do Carrier deveria ter feito um esforço para manter esse pássaro, possuiria um imenso valor atualmente!

Comments are closed.