Entre maio e junho de 1982, um grupo de pilotos argentinos em aviões de ataque Douglas A-4B Skyhawk com 20 anos de idade incomodou seriamente as forças britânicas nas Ilhas Falklands, danificando dez de seus navios e afundando quatro.

A guerra

O dia 2 de abril de 1982 é considerado o primeiro dia do conflito (não declarado) entre a Argentina e o Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas, que estavam sob controle britânico desde 1833.

A Guerra das Malvinas começou com o lançamento da Operação Rosário, a tomada do arquipélago pelo Exército argentino.

O Reino Unido respondeu com a Operação Corporate, destinada a retomar a posse das ilhas. Apesar dos bombardeios bem-sucedidos contra alguns navios da Marinha Real Britânica pela Força Aérea Argentina (FAA), a Argentina não conseguiu impedir o desembarque das forças britânicas, que eram superiores em número e tecnologia.

A guerra findou no dia 14 de junho de 1982, com a rendição do Exército argentino que estava fisicamente e moralmente enfraquecido.

A Força Aérea Argentina

Durante o curso da guerra, a Força Aérea Argentina foi um participante-chave. Os oficiais britânicos respeitaram o fato de que, quando a guerra começou, muitos dos pilotos argentinos não tinham experiência de combate.

A Força Aérea Argentina implantou um radar TPS-43 nas Malvinas para rastrear os movimentos da frota britânica na região e para guiar suas próprias aeronaves contra ela. Após o treinamento, os pilotos se juntaram à guerra, realizando manobras de sucesso que, por várias vezes, permitiram que eles neutralizassem os ataques do Exército britânico e causassem sérios danos à frota Real.

Algumas dessas conquistas foram alcançadas pelos oficiais pertencentes ao Grupo 5 da V Brigada Aérea da Força Aérea Argentina. Devido à convicção de que o avião e o piloto eram um, eles são conhecidos na Argentina como os “Halcones” (Falcões).

A estratégia dos halcones

A estratégia desenvolvida pelos Halcones para o ataque aos navios britânicos consistia em voar perto do nível do mar e manter o silêncio de rádio durante toda a manobra de ataque.

A comunicação entre os pilotos era feita através de sinais visuais, o que diminuía a chance de a aeronave ser detectada pelos britânicos. Geralmente, um ataque argentino era realizado por vários esquadrões para saturar os sistemas defensivos dos navios britânicos.

Halcones em destaque

Tenente Guillermo Owen Crippa

O Tenente Crippa, que pertenceu ao 1º esquadrão do Comando de Aviação Naval, foi condecorado por seu desempenho no primeiro ataque aéreo ao desembarque britânico em Port San Carlos.

No dia 21 de maio de 1982, o Comando confiou ao tenente Crippa uma missão de reconhecimento em Port San Carlos, onde foi recebido pela artilharia antiaérea e mísseis de aproximadamente uma dúzia de navios britânicos.

O Tenente Crippa, voou numa aeronave de treinamento militar e ataque leve Aermacchi MB 339339A, atacou a fragata britânica HMS Argonaut com foguetes não guiados, causando alguns danos ao radar do navio. Para retornar à sua base, Crippa teve que executar uma manobra de alto risco – passando pelo meio dos navios britânicos.

Os artilheiros britânicos tiveram que suspender o fogo momentaneamente para evitar fogo-amigo, o que permitiu a Crippa escapar ileso. Mais tarde, Crippa identificou e localizou cada uma das unidades britânicas que havia observado.

Graças a essa informação, novas ações foram tomadas contra as forças britânicas. Nesse mesmo dia, o 2º Esquadrão Aeronaval da Força Aérea Argentina atacou com sucesso os navios, deixando o HMS Argonaut fora de ação com danos em sua caldeira.

Por sua façanha, Owen Crippa foi condecorado com a mais alta distinção concedida na Argentina, a “Cruz por Valor Heróico em Combate“.

Capitão Pablo Carballo

Piloto do Grupo 5, o Capitão Carballo foi condecorado pela liderança que mostrou durante todas as suas missões de combate na guerra.

Sua missão mais importante foi realizada no dia 25 de maio de 1982, quando o esquadrão que ele comandou atacou uma força naval britânica ao norte das Ilhas Falkland. A bordo de seu A-4B Skyhawk, Carballo comandou o esquadrão enquanto voavam ao nível do mar para evitar serem detectados pelo radar britânico.

O resultado do ataque foi o afundamento do destróier HMS Coventry com 19 marinheiros mortos e 30 feridos, enquanto a fragata HMS Broadsword sofreu danos graves. Um helicóptero Sea Lynx teve toda a seção do nariz arrancada devido a uma bomba que saltou no convés.

Primeiro Tenente Carlos Cachón

Entre as missões em que participou o Primeiro-Tenente Cachón, o destaque é para a que ele realizou no dia 8 de junho de 1982 nos comandos de um A-4B Skyhawk.

Naquele dia, considerado pelos britânicos como o “Bluff Cove Disaster”, resultou no afundamento dos navios Sir Galahad e Sir Tristan, enquanto eles tentavam descarregar uma grande quantidade de munição, equipamentos e tropas galeses na área de Bluff Cove em East Falkland.

Inicialmente, a missão foi confiada a dois esquadrões liderados pelo Capitão Carballo e pelo Primeiro-Tenente Filippini, mas quando eles reabasteceram em voo, três das oito aeronaves do grupo tiveram problemas mecânicos que os obrigaram a abortar.

Estes incluíram os dois líderes do esquadrão e eles retornaram à sua base. Apesar de nunca ter desempenhado essa função antes, o Primeiro-Tenente Carlos Cachón tornou-se o líder de voo e conseguiu realizar a missão com sucesso e resultando no afundamento dos dois navios britânicos.

Uma derrota com honra

Além dos “Halcones” Crippa, Carballo e Cachón, outros oficiais da Força Aérea Argentina lutaram bem na tentativa de impedir o desembarque de tropas britânicas.

Embora a Argentina não tenha vencido a guerra no final, as habilidades combinadas de navegação e combate dos pilotos argentinos conseguiram atrasar a recaptura das Ilhas Falklands durante os meses de maio e junho de 1982. Uma tarefa difícil em face de um adversário superior como as forças da Grã-Bretanha.


FONTE: War History


NOTA DO EDITOR: Eu tenho total respeito por todos os pilotos que lutaram naquela guerra, sejam eles argentinos ou britânicos. Ambos estavam despreparados para lutarem naquele local. Os britânicos tinham um treinamento melhor, é verdade, mas eles treinavam para lutar sob o guarda-chuva da USAF. Nunca treinaram para serem a ponta de lança. Já os argentinos o maior erro foi o governo, aquele punhado de políticos em uniformes militares que simplesmente enviaram os pilotos para batalha. Imagina se a FAA pudesse se preparar? Ter uns meses de treino, descobrir melhores táticas, mas não. Tiveram de treinar e testar tudo em plena guerra! Um piloto argentino revelou tempos depois que só soube da invasão pela TV…

12 COMENTÁRIOS

  1. Esses são bravos, coragem, astúcia e habilidades de vôo imprecisonantes. Conseguiram feitos notáveis, tivessem os argentinos uns 300 Exocet e mais uns 30 Super Etendart, e um treinamento adequado, teria custado muito, muito , muito caro a Inglaterra a retomada dessas ilhas.

  2. Este documentário muito interessante conta com recriações de eventos, inclusive os citados nesta matéria, e relatos de alguns dos pilotos argentinos que participaram do conflito sobre suas missões e as condições de seus equipamentos : https://www.youtube.com/watch?v=dj6OA_aLnSA

  3. Alguém sabe me diz quantos aviões e/ou voos transportaram armas da Libia para Argentina? E que tipo de armas?

  4. Como eu disse certa vez, se o que mostraram no documentário da Natgeo for verdade, que os A4 e SÉ davam rasantes nas embarcações inglesas, então os ingleses tiveram muita sorte…

    Na teoria os sistemas de defesa aérea das Type 22/42 com seus SEA WOLF e SEA DART deveriam impedir que tamanha aproximação acontecesse.
    Tiveram sorte de várias bombas burras argentinas por erro humano ou por falha na espoleta acabaram não explodindo no impacto.

    Os argentinos tinham tremenda vantagem, a surpresa, 1 ano de treinamento e duas dúzias de mísses exocet e harpoon (não sei se estava a venda) e talvez o resultado seria outro, ao menos teriam ganho tempo.

    • As rasantes são verdade. Os A4 aproximavam a baixissima altura para evitar os radares. Depois lancavam bombas burras em rasantes.

    • .O problema é a curvatura da terra. Por isso, os mísseis antinavio adotam perfil Sea skimming. Contra isso só CIWS ou um radar aerotransportado

    • Os Argentinos descobriram como driblar os sistemas de mísseis ingleses, voavam sobre a sombra as ilhas, abaixo da linha do radar, quase roçando as ondas, a própria inclinação da terra ajudava. O grande adversário dos argentinos foi o armamento, ( poucos mísseis antinavio e bombas burras que simplesmente não explodiam). Tivessem planejamento cuidadoso e material adequado, não teriam cedido as ilhas para a força britânica. Os britânicos confiavam quase que exclusivamente no sitemas Sea Wolf e Sea Darth uma vez achado o ponto fraco desses sistemas, seria fácil com o material certo, afundar uma a uma as unidades inglesas, lembro de um documentário em que os argentinos afirmavam que atacavam os navios com os canhões de bordo dos A4, nas passagens a baixa altitude e alta velocidade.

  5. Realmente, se o Argentino tivesse tido tempo para treinar e melhorar as táticas, se os Super Étendard fossem em mais números e o Exocet também (li em uma matéria da Revista Força Aérea que eram apenas 5 mísseis), se os voos partissem das ilhas e não do continente, se os Mirage III tivessem entrado na luta, se não existisse a preocupação ao mesmo tempo com um possível conflito contra o Chile talvez a Grã-Bretanha poderia até ter vencido, mas a base de muita dificuldade. Com certeza faria os EUA agirem a favor também de um antigo aliado. Mas como o editor colocou, o respeito a estes aviadores, principalmente aos Argentinos que fizeram o que fizeram contra a tradicional força da Marinha Real Britânica.

  6. Hoje a FAA o máximo que conseguiria seria entrar em guerra com a força aérea da Bolívia,Paraguai,Uruguai e só.
    Se fosse contra a Força aérea do Ecuador já levava uma surra

    • Não existe mais praticamente FAA. Aquilo virou um amontoado de oficiais e praças esperando o tempo da reforma chegar. Acredito que nem ânimo eles teem mais.

  7. Os argentinos adoram contar histórias falsas para se consolar da derrota. Aqui vão algumas:

    – o Tenente Crippa em seu MB339 teria causado sérios danos ao HMS Argonaut, que na verdade foi apenas levemente danificado.

    -Após ser atingido por um AIM-9L disparado pelo Sqd Leader Paul Barton, o Capitão Garcia Cuerva teria sobrevoado o HMS Hermes e derrubado um Sea Harrier que pousava. Como ele teria feito isso com uma aeronave sem controle e vazando fluido hidráulico eu não sei.

    – o S-2 Trackers do ARA 25 de Mayo, totalmente desatualizados e equipados com os velhos torpedos Mk-44, teriam espantado os HMS Spartan e HMS Splendid.

    – A pior delas, que teriam supostamente atacado o HMS Invincible

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