No dia 8 de junho de 1982, um C-130H e um Canberra da FAA (Fuerza Aerea Argentina) atacaram o superpetroleiro VLC Hercules.

Os dois aviões, um Lockheed C-130H Hércules (modificado para carregar e lançar bombas) e um bombardeiro BAC Canberra lançaram contra o petroleiro 15 Bombas de 250 kg, sendo que três acertaram o navio.

O navio, de 221 mil toneladas, estava indo buscar óleo no Alasca para uma refinaria nas Ilhas Virgens, mas por causa de suas dimensões, era grande demais para usar o Canal do Panamá, por isso fora obrigado a contornar o Cabo Horn no extremo sul da América do Sul, o que o levava a passar no “corredor” entre a zona de exclusão marítima imposta pela Grã-Bretanha e a costa argentina.

O VLC Hercules partiu em maio de 1982. No início de junho, a Administração Marítima dos EUA emitiu nota à Argentina e à Grã-Bretanha informando que usaria navios de bandeira da Libéria, como o VLC Hercules, para garantir que embarcações neutras não seriam atacadas.

A lei internacional garante os direitos de navegação de navios neutros em tempo de guerra, uma regra criada e respeitada desde o século XVII.

Se um navio neutro fosse apreendido ou danificado por uma nação em guerra e o proprietário pudesse provar em um tribunal de direito marítimo que seu navio não possuía contrabando de um beligerante, ele poderia recuperar os danos.

Jornais brasileiros da época

Naquele dia o VLC Hercules estava a 965 km da costa argentina e a 800 km das Falklands, bem fora das zonas de exclusão declaradas pelas partes em guerra. Durante a tarde o petroleiro foi atacado com bombas e foguetes em três ondas por aviões de guerra argentinos. O navio, com fortes danos no casco e convés, conseguiu chegar ao Rio de Janeiro, no Brasil. Uma bomba não detonada foi encontrada no tanque Nº 2. Em vez de tentar desarmar a bomba, os proprietários rebocaram o navio para 320 km da costa brasileira, na altura do Rio de Janeiro, e o afundaram.

Os proprietários (United Carriers Inc. e fretado pela Amerada Hess Shipping Corp) alegaram uma perda total de US$ 11,9 milhões, sendo que uma parte foi paga pelas seguradoras.

A United Carriers processou a Argentina em US$ 10 milhões pelo petroleiro destruído e a Amerada Hess disse que perdeu US$ 2 milhões em combustível. No final, um juiz da cidade de Nova York isentou o governo argentino do pagamento, o que foi comemorado pelo Departamento de Estado dos EUA sob administração Reagan, uma vez que tal limitaria as ações da Marinha dos EUA ao redor do Mundo.


Com informações de Fuerzas de Defensas Argentina, UPI, JOC


NOTA DO EDITOR: Os argentinos até hoje contam outra versão, a de quê o superpetroleiro estava vindo reabastecer o Queen Elizabeth II ou os porta-aviões. O fato é que, como o General Belgrano, o navio foi atacado fora da zona de exclusão marítima.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Ok, matéria interessantíssima mas pouco explorada, o que a decisão do juiz de NY beneficiaria a USN? Poderia ter explorado mais como o ataque foi realizado e não entendi o porque dos EUA informar que usaria navios de bandeira de países neutros sendo que o próprio EUA era um país neutro e a Libéria também.

  2. Indo abastecer o Queen Elizabeth II? Em 1982?
    Essa nota de editor tá certa mesmo ou houve uma pequena confusão no nome da embarcação ?

    Boa noite a todos! E ótima matéria. 🙂

    • O nome ta certo, o RMS Queen Elizabeth II era um navio de cruzeiro usado pra transporte de tropas nas Malvinas

    • Acho que o Queen Elizabeth II em questão não é o Nae e sim o cruzeiro usado como transporte de tropas nas malvinas.

    • Sim o Queen Elizabeth II o I está atracado permanentemente em Los Angeles!

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