00As estradas que ligam o Kuwait ao Iraque, incluindo a auto-estrada 80 e a estrada 8, são as rotas rodoviárias diretas que ligam estes dois países do Oriente Médio. Elas são enormes rodovias, com a Rota 80 sendo composta por seis pistas de rodagem. Durante o início de 1990 elas eram a rota do Exército iraquiano em direção ao Kuwait quando da invasão do país.

Em resposta aos bombardeios dos Aliados para expulsar as tropas iraquianas de volta para o Iraque, milhares de soldados iraquianos do Exército, além de equipamentos, veículos, valores e bens saqueados, serviram-se da Rota 80 para deixar o Kuwait. O Iraque declarou que iria retirar-se do Kuwait, mas que não concordava com as resoluções da ONU postas em prática. A Inteligência americana informou que a retirada dos iraquianos estava em andamento, mas eles não tinham certeza sobre qual rota que eles estavam usando. Foi a tecnologia militar mais moderna dos EUA, com o uso de aviões de vigilância E-8 J-STARS (Joint Surveillance Target Attack Radar System), que rastreou alvos móveis no solo, bem como detectou atividade incomum, localizando um grande comboio, com quase 5 km de comprimento, rumo ao norte em direção à fronteira Iraque-Kuwait.

Imediatamente os EUA acionaram todas as suas unidades de ataque aéreo disponíveis. No entanto, o mau tempo e a baixa visibilidade impediu o ataque.

Os primeiros aviões a chegarem sobre o comboio foram jatos A-6E Intruder dos Fuzileiros Navais dos EUA. Armados com bombas de fragmentação Mk 20, eles atacaram as extremidades dianteira e traseira do comboio para evitar que eles se movessem para trás ou para à frente, imobilizando o comboio. Logo, todo o comboio foi atacado pelas forças aéreas da coalizão por cerca de 10 horas. Qualquer veículo que se desviasse da rodovia era monitorado, caçado e destruído.

02Um piloto de A-10 que participou dos ataques disse que “era como um show de fogos de artifício, com explosões por todo o lugar”.

A Rota 8 também estava sendo usado pela Guarda Republicana do Iraque, que estava tentando escapar do Kuwait. Ao longo desse percurso, helicópteros AH-64 Apache do Exército dos EUA os caçavam, matando muitos e destruindo centenas de veículos militares, incluindo tanques e transporte de pessoal.

Ambas as rotas foram completamente dizimadas, com centenas, talvez milhares, de soldados iraquianos mortos.

Os líderes da coalizão justificaram o ataque dizendo que eles tinham que eliminar o máximo de equipamentos e veículos do Exército iraquiano para evitar a possibilidade de um contra-ataque futuro, mas outros afirmam que foi um ataque injustificado e que nunca deveria ter sido executado…


FONTE: War History

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50 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom, Gio!
    Na última foto do jaguar acho que nem as formigas se salvaram.
    😀

  2. Ó objetivo era claro, reduzir aquele que era o maior exército da região a época a nada . E funcionou , eles foram desmoralizados , perderam gente qualificada e o pouco equipamento que restava .

  3. Sobre a Guerra do Golfo, em 1990/1991, eu não questiono os motivos dos EUA, haja vista efetivamente o Kuwait sofreu uma invasão por parte do Iraque. A deposição de Saddam Hussein, em 2003, entretanto, foi um dos maiores erros geopolíticos cometidos pelos americanos em toda a sua história.

    A queda de Saddam, além de permitir o surgimento e fortalecimento do grupo terrorista Estado Islâmico, transformou o Iraque em um país incomparavelmente mais desestabilizado do que antes, fadado a uma desintegração territorial.

    Voltando ao artigo em si, mais um excelente registro histórico que o Gio nos traz, e com uma bela seleção de imagens, diga-se de passagem.

    • Concordo completamente com sua análise. E acrescento, o mesmo erro está sendo cometido na Síria. Não sou simpático com o Assad, mas sem ele pode ser pior. Além do fortalecimento da idéia de um Curdistão (que já está se consolidando no norte do Iraque e Síria), que pode complicar as coisas com a Turquia, que é forte e nada politicamente correta. Todos nós sabemos como a Turquia pode tomar decisões drásticas e violentas, basta ver como eles reprimem a própria população descontente.
      Uma Turquia violenta pode trazer maio instabilidade na região.

        • Obrigado pela sugestão.
          Para ver como não existe consenso na oposição ao governo Assad. E pelo que eu, modestamente, sei sobre história, se esse governo acabar, teremos outra guerra civil pelo controle do poder, como está tendo na Líbia. A diferença é que a vizinhança da Síria tem maiores influências políticas e militares, o que pode piorar a situação, como foi no Líbano.
          Existe uma estratégia em prática a muitas décadas, de isolar a Turquia das Monarquias Árabes. Desde a França e Inglaterra, que mantiveram controle sobre a Síria e Iraque após a 1°GM. Assim como a URSS, que procuraram manter esses países sobre sua esfera de influência. E como o partido Baath fez de tudo para antagonizar as Monarquias Árabes. Isso porque, uma união dessas Monarquias cheias de dinheiro, como os turcos, que são cheios de recursos humanos e ambição, pode ser um grande problema para a região, e o alvo, seria a Síria e o Iraque, ou até mais…

    • Onde eu assino ?
      Alem disso temos o irã que agora virou uma potencia regional, extremistas espalhados para todos os lados e por ai vai …..

      Ahhh temos a questão do Afeganistão que estava no meio quando o B.Filho resolveu se enfiar no Iraque , se os EUA e a OTAN tivessem concentrado suas forças no Afeganistão hoje o cenario la poderia ser um pouco diferente .

    • O maior erro não foi a deposição de Saddam, a queda de um ditador sanguinário nunca deve ser lamentada.

      O maior erro foi o desmantelamento das Forças Armadas Iraquianas e a limpeza de Baathistas da Administração Central. Lançou simultâneamente centenas de milhar no desemprego e emperrou por anos o funcionamento do país.

      E o pior de tudo é que os EUA tinham exemplos de coisas semelhantes que aconteceram o passado, com os mesmos resultados.

      A Polónia – ou melhor Lech Walesa – manteve os Aparatichik's na administração, e de um modo geral o mesmo se passou nos outros países ex-comunistas (nos primeiros anos da década de 90), pois estes mantinham o Estado a funcionar. O exemplo talvez mais dramático do contrário foi o ex-Congo Belga, que com a independência e consequente retorno da minoria branca, ficou com menos de 30 licenciados nativos para governar toda uma administração central, quanto mais a regional.

      Mas mesmo os EUA já o tinham feito na Alemanha e no Japão após a Segunda Guerra Mundial. Os Nazis mantiveram-se no aparelho de Estado e o Imperador Hirohito manteve-se como a figura maior da nação nipónica.
      A Áustria, por exemplo, conseguiu mesmo o feito de se reinventar como vítima do nazismo – a Áustria, que pouco ou nada resistiu à anexação, e que forneceu dos nazis mais indefectíveis – mais isso já é outro História.

      • Excelente ponto! Por mais mão de ferro que fosse, o Saddam era um ator. A criminalização do partido Baath, junto com a dissolução da estrutura do exercito iraquiano, aliados à uma situação de pobreza extrema permitiram o crescimento dos grupos jihadistas.

    • Se você chama de covardia o que os EUA fizeram com o Exército Iraquiano, qual o adjetivo você escolheria para definir as atrocidades cometidas por este mesmo exército (Iraque) quando da invasão do Kuwait?

    • Não entendi. Realizar ataque aéreo é covardia? Então, os aliados deveriam permitir a retirada COM equipamento militar? Só uma questão, por que os iraquianos não se renderam?

      • É o entendimento da "Convenção de Genebra", Zeabelardo. Se não estão combatendo, não podem ser executados. Simples assim!

    • Dependendo do ponto de vista, é covardia. Mas do ponto de vista militar, é uma demonstração de força e terror. Na época, o desempenho da Colisão assustou até a moribunda URSS.
      A guerra é assim, a imagem de como você luta, é a propaganda para dissuadir guerras futuras. O Império Brasileiro exterminou 55% da população paraguaia. Para muitos, o Brasil foi criminoso. Mas ao olhar militar, a resposta dura contra o invasor paraguaio foi muito bem sucedida, pois fortaleceu a classe militar e desde essa guerra, nenhum país vizinho jamais nos atacou. Foi um exemplo que perdura por 146 anos, uma lição de como o Brasil pode ser violento se atacado. Uma lição que por 146 anos nos trouxe paz com nossa vizinhança.

      • A Guerra do Golfo foi usada pelos EUA como uma espécie de reabilitação pela surra levada no Vietnã. E, no intuito de demonstrar força, eles exploraram o conflito em todos os sentidos. Conforme já afirmei acima, eu não questiono os motivos dos americanos, haja vista o Kuwait sofreu uma invasão por parte do Iraque. Isso não me impede, entretanto, de enxergar os excessos cometidos durante a guerra, por ambos os lados.

        • Exatamente.
          Excessos, crimes, covardia, infelizmente a guerra e feita disso. Humanidade, na guerra, é sinal de fraqueza.
          Aliás, desde o mundo corporativo e político, todos se utilizam de técnicas militares que não são nada politicamente corretas. Quem questionar isso, está sendo ingênuo.

    • É guerra amigo! Covardia existe desde sempre. E pode ter certeza que se tivessem chance os Iraquianos fariam o mesmo.

      • Fariam?
        Em que planeta você vive, Ufric?
        Pesquise e veja o terror e a destruição que o Iraque levou ao Kuwait durante a breve ocupação do país. Além das torturas e execução sumária de uma quantidade inimaginável de kuwaitanos, parece que as pessoas já se esqueceram que Saddam mandou incendiar 730 dos mil poços de petróleo do Kuwait, liberando uma enorme nuvem de fuligem e gases tóxicos que matou pelo menos mil pessoas diretamente. O incêndio demorou oito meses para ser controlado, mas o desastre ambiental deixou marcas até hoje.

    • Só queria saber a sua opinião, e concordo que dois errados não fazem um certo.

      Atrocidades são atrocidades, independente de quem as cometa, e, nesse caso específico, ambos, iraquianos e americanos, as cometeram em quantidades fartas, cada um defendendo sua causa.

      • Atrocidade é atirar em alguém desarmado ou que se rendeu. Soldado de arma na mão é alvo válido em qualquer combate. O responsável pelas mortes foi o general iraquiano que ordenou a retirada suicida. Um militar de verdade deveria ter se rendido para preservar sua tropa.

  4. A segunda foto era de civis se me lembro bem… teve uma estrada pro lá que foram civis as vitimas, tentavam ir para a jordânia por aquilo que lembro da época!

    • De fato, houve essa situação, Francoorp, onde na época se argumentou que muitos refugiados, incluindo mulheres e crianças, foram vítimas dos ataques americanos.

      Eu penso que é inquestionável que houve exagero por parte dos EUA e uso desproporcional de força no que tange ao bombardeio das rodovias.

      Além disso, mesmo que se tratasse apenas de militares em retirada, a Convenção de Genebra é clara em seu artigo 3º ao considerar "crime de guerra" a matança de soldados que "estão fora de combate", e o bombardeio das rodovias foi exatamente isso: uma matança.

      • Eles estavam portando armas. "incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas"

        Artigo 3.º

        No caso de conflito armado que não apresente um carácter internacional e que ocorra no território de uma das Altas Partes contratantes, cada uma das Partes no conflito será obrigada aplicar, pelo menos, as seguintes disposições:

        1) As pessoas que não tomem parte directamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de carácter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo.

        Para este efeito, são e manter-se-ão proibidas, em qualquer ocasião e lugar, relativamente às pessoas acima mencionadas:

        a) As ofensas contra a vida e a integridade física, especialmente o homicídio sob todas as formas, mutilações, tratamentos cruéis, torturas e suplícios;

        b) A tomada de reféns;

        c) As ofensas à dignidade das pessoas, especialmente os tratamentos humilhantes e degradantes;

        d) As condenações proferidas e as execuções efectuadas sem prévio julgamento, realizado por um tribunal regularmente constituído, que ofereça todas as garantias judiciais reconhecidas como indispensáveis pelos povos civilizados.

        2) Os feridos e doentes serão recolhidos e tratados.

        Um organismo humanitário imparcial, como a Comissão Internacional da Cruz Vermelha, poderá oferecer os seus serviços às partes no conflito.

        As Partes no conflito esforçar-se-ão também por pôr em vigor, por meio de acordos especiais, todas ou parte das restantes disposições da presente Convenção.

        A aplicação das disposições precedentes não afectará o estatuto jurídico das Partes no conflito.

        • 1) As pessoas que não tomem parte directamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de carácter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo.

          ou seja:

          As pessoas que não tomem parte directamente nas hostilidades, incluindo os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas que tenham sido postas fora de combate por doença, ferimentos, detenção, ou por qualquer outra causa, serão, em todas as circunstâncias, tratadas com humanidade, sem nenhuma distinção de carácter desfavorável baseada na raça, cor, religião ou crença, sexo, nascimento ou fortuna, ou qualquer outro critério análogo.

          Não está dito que a deposição de armas é obrigatória, mas sim que ela é uma das circunstâncias a serem observadas, mas não a única. Militares em retirada são militares em retirada. Simples assim!

          Um soldado em retirada não toma mais parte diretamente nas hostilidades, portanto este ato se enquadra no tal qualquer outro critério análogo especificado no texto da Convenção de Genebra.

    • Eu que não enxergo bem estou vendo dois tanques, alguns blindados e caminhões militares no centro da foto. Os veículos civis chamam atenção por serem coloridos.

      • Dá uma olhada nas fotos de slide e vc verá veículos civis destruídos. Uma baita cagad* dos americanos. Ainda bem que hoje existem armamentos inteligentes.

        • Eu vi os veículos civis, mas numa coluna com veículos militares. O fato do veículo ser civil, não significa estar sendo pilotado por civil.

  5. E vamos rir pessoal:

    Macri abre Argentina para duas bases estratégicas dos EUA: Cone Sul em perigo? http://br.sputniknews.com/mundo/20160525/4770191/

    Artigo do Sputnik baseado em outro artigo, publicado pelo Brasil 247:

    Macri abre a Argentina para duas bases dos Estados Unidos https://www.brasil247.com/pt/colunistas/josecarlo

    Ou seja, é lixo publicando lixo!

    E digo mais, os artigos indicados acima trazem uma análise de um tal de José Carlos de Assis, economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe-UFRJ e professor de Economia Internacional da UEPB, que trata o assunto como sendo uma ameaça ao Brasil.

    Eu até entenderia a postura do moço se ele também questionasse a decisão da presidentA Cristina Kirchner, que em 2012 autorizou a China a instalar uma base militar na Patagônia. Mas quanto a isso, nem uma mísera palavra foi proferida.

    Ou seja, é mais um ideopata que só sabe enxergar como descabidos os atos duzamericanus feius e malvadus, como se uma base chinesa na região fosse algo natural.

    EM TEMPO: Não estou defendendo que os EUA instalem bases militares aqui em nosso continente, mas é leviano, para dizer o mínimo, criticar a atitude americana, e a argentina (por ter autorizado), sem sequer se manifestar a respeito da China.

    • Resposta de um ideopata:
      Bla, Bla, blaaa, é GOLPE.
      Bla, Bla, Bla, blaaa, é GOLPE…

      O senador Cristóvão Boarque disse algo verdadeiro nessa époça do início do Impitimam. Ele disse que hoje, na política, não dá para argumentar, não dá para debater e nem convencer. É necessário usar técnicas de doutrinação, como uma religião. Pois o indivíduo precisa ter fé para apoiar uma causa. A razão está posta de lado por muitos brasileiros. Não é à toa que política e religião estão tão misturadas, cada eleição.

    • É a mídia seletiva, LaMarca.
      A única ameaça para o Brasil é justamente quem deveria estar fazendo esse país melhor.

  6. Se levarmos em consideração os efeitos deste ataque… Hum, eu não sei, não estava lá! Mas seja qual for, não acho que tenha sido muito benéfico, talvez tenha sido no curto prazo mas analisando o trabalho que o Iraque deu aos americanos depois… parece que depois, foi a população é que virou inimigo, haja vista muitas famílias estavam esperando por parentes soldados voltarem para suas casas.

    A coalizão devia estar pensando não só em dar baixas ao maior numero de meios Iraquianos, mas também de evitar que os saques feitos pelo exercito iraquiano chegassem a Saddam. Talvez se a invasão não tivesse ocorrido de uma forma tão irresponsável, nada disso teria ocorrido… Agora, dizer que foi por isso que está tudo justificado… Aí também já não acho correto.

  7. A Guerra do Golfo foi a prova que quando vc começa algo, tem que terminar. Depois disso tudo Saddam despejou sobre sua população e sobre os curdas toda sua ira, vingança. No tiro ao alvo que se tornou a retorado do Kwait pelas forças de Saddam, os thunderbolts e apaches fizeram a festa. Muita gente morreu devido a parada americana depois da expulsão de Saddam do Kwait.

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