A Operação Iraqi Freedom (OIF) foi um enorme sucesso para os esquadrões de F-14 destacados para o combate.

Ao todo 52 caças F-14 foram deslocados para o Golfo Pérsico. Os pilotos e os oficiais de interceptação de radar (RIO) realizaram inúmeras missões, desde missões de defesa aérea, controle aéreo, coordenação de ataques, missões de reconhecimento e bombardeio de precisão no Iraque.

Como relatado por Tony Holmes em seu livro “US Navy F-14 Tomcat Units of Operation Iraqi Freedom”, o lançamento de bombas ‘burras’ de um F-14 foi uma ocorrência rara na OIF, embora duas equipes do esquadrão VF-2 “Bounty Hunters” obtivesse resultados espetaculares com o lançamento de quatro Mk 82 de 500 lb (226 kg) no dia 27 de março de 2003. O RIO em um dos caças era o Tenente Pat Baker. Ele conta:

Estávamos realizando uma missão TARPS (Tactical Airborne Reconnaissance Pod System) padrão ao longo do rio Eufrates, olhando para dois ou três locais de defesa aérea, bem como uma possível instalação de comando e controle que a Inteligência achava que estava na área. Eles precisavam de fotos do último para confirmar sua finalidade de designação de alvos. O que foi diferente para nós naquele dia foi o fato de que o ATO (Air Transfer Officer) nos deu dois jatos armado com um par de bombas Mk 82 cada um. Esta foi a primeira vez que o VF-2 carregou uma carga mista, apresentando tanto bombas quanto um pod TARPS. Isso nos permitiu atuar como um bombardeiro de apoio imediato de plantão, caso alguém precisasse, enquanto estávamos no sul do Iraque.”

Eu estava no banco de trás. Nosso jato era a designação ‘Dash 2’. O RIO principal estava no outro avião e sua missão era executar o voo em termos de coordenar a navegação para todos os alvos (das fotos). Meu trabalho era manter a comunicação para o meu piloto, o Tenente Sean Mathieson, checando os controladores de AWACS e os FACs em terra sobre se alguém precisava de nossas bombas. Através de uma série de redes diferentes em várias freqüências, acabei conversando com um FAC do Exército Britânico perto de Basra. Ele queria que descêssemos a hidrovia Shatt al-Arab e atacássemos o iate presidencial de Saddam, que havia sido atingido por um AGM-65 Maverick disparado por um S-3B Viking dois dias antes e depois atacado com bombas LGB lançadas por dois F/A-18 Hornets (que erraram o alvo). Quando entrei em contato com o FAC, havíamos terminado nossas missões de reconhecimento e estávamos prestes a seguir para o sul, em direção a um avião-tanque para reabastecimento e depois virar em direção ao porta-aviões.

Nomeado AI Mansur (O Victor), o iate presidencial de Saddam Hussein foi um dos maiores e mais impressionantes navios do mundo. Oito deques e 106 metros de comprimento, o navio construído na Finlândia pesava 7 359 toneladas e parecia mais um ferry cross (navio de porte reduzido, utilizado no transporte de passageiros – NT) do que um barco particular. Contava com cinco amplas cabines para Saddam e sua família, e havia até mesmo uma rota de fuga secreta que levava da sala do presidente até um casulo submarino. Lançado em 1982, foi o maior navio da Marinha do Iraque, mas não teve uso militar. O navio foi projetado de acordo com as especificações de Saddam e decorado em mármore e madeiras exóticas com acessórios de prata e ouro. Permanentemente ocupado por 120 soldados da Guarda Republicana, a embarcação foi transferida do porto de Umm Qasr para Basra apenas alguns dias antes do início da guerra, em um esforço para proporcionar-lhe melhor proteção – a ordem para a mudança foi emitida diretamente pelo próprio Saddam. O AI Mansur tinha sido designado como alvo porque o CAOC (Combined Air Operations Center) recebera relatos de que o extenso conjunto de rádio do navio estava sendo usado para comunicações no campo de batalha.”

Apesar do grande tamanho do TARPS, o F-14 não tinha nenhum problema em transportar o pod e bombas ao mesmo tempo.

Baker continua: “O FAC não estava realmente perto do iate, então ele estava transmitindo informações que ele tinha recebido recentemente quando ele estava descrevendo onde o navio estava situado. Estávamos em altitude elevada, vasculhando as instalações portuárias com o uso de binóculos à procura do iate. Vimos os armazéns queimados que haviam sido atingidos erroneamente pelos F/A-18 no dia anterior, e estes serviram como um marcador para o iate. Estava atracado entre dois cargueiros, com um terceiro navio semi-afundado próximo. O dano do Maverick era claramente visível, com fumaça subindo da superestrutura da embarcação”.

O Tomcat pilotado pelo Tenente Mark Callari e pelo Tenente Jeff Sims (RIO), chegou primeiro, enquanto nós fornecíamos uma cobertura alta para ele – não tínhamos certeza das ameaças AAA ou SAM na área. A primeira bomba atingiu o arco e, como não houve oposição ao ataque, eles entraram e largaram a segunda Mk.82, que atingiu a embarcação logo à frente da meia-nau”.

Então era nossa vez.  Mathieson (piloto de Baker) seguindo a sua mira CCIP (Continuously Computed Impact Point) no HUD, que estava centrada na embarcação, lançou as duas Mk.82, com uma atingindo o casco logo acima da linha d’água e a outra desaparecendo entre a superestrutura do iate. Quando saímos do alvo, o navio estava em chamas, embora soubéssemos que não infligimos danos suficientes para afundá-lo, pois estávamos carregando o tipo errado de munição para um ataque contra um navio. Supondo que estaríamos apoiando tropas terrestres, tínhamos nossas Mk 82 equipadas com espoletas instantâneas. Portanto, as bombas explodiram assim que entraram em contato com o navio, em vez de se enterrarem no coração do navio antes de detonar”.

Eu nunca cheguei a ver minhas bombas atingindo o alvo em todas as missões que envolveram o uso de bombas que voamos na OIF. No entanto, nesta ocasião, graças ao mergulho, rolar e puxar do alvo que tivemos que fazer para lançar nossas Mk 82 com precisão, eu pude ver os dois pequenos ‘borrões’ cinzentos batendo no navio enquanto eu olhava por cima do meu ombro para o alvo”.


FONTE: The Aviation Geek Club


Sugestão de leitura:

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Guerra do Golfo: A desolação do F-14

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6 COMENTÁRIOS

  1. Saddam deve ter chorado mais a perda do iate que a destruição de seu exército…

    Incrível como o povo iraquiano não tem paz desde os anos 80! Guerra contra o Irã; conflitos étnicos; Guerra do Golfo; mais conflitos internos; invasão norte-americana; conflitos de facções políticas; ataques terroristas; Estado Islâmico.

  2. Um navio civil contra uma aeronave militar, tá certo era o Saddan, mas na minha opinião foi covardia.

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