Projetado como um interceptador puro, com o claro objetivo de destruir os bombardeiros soviéticos que ameaçassem o território dos EUA, o Delta Dagger foi enviado para uma guerra que não estava preparado.

Em 1961 os EUA mantinham um destacamento de interceptadores Convair F-102A Delta Dagger (509th Fighter Inteceptor Squadron) na base aérea de Clark, nas Filipinas

Em 1962, com o recrudescimento dos eventos no Vietnã, o 509º FIS foi implantado no Aeroporto Don Muang, perto de Bangkok, na Tailândia, para fornecer defesa aérea durante as hostilidades iniciais. De 1962 a 1964, o 509º foi destacado para o Vietnã do Sul em várias ocasiões para prover a defesa aérea da nação. Os comandantes militares dos EUA esperavam incursões da Força Aérea do Vietnã do Norte (NVAF – North Vietnamese Air Force) contra o Sul. Esses F-102A serviram como interceptadores de alerta, autorizados a derrubar qualquer aeronave da NVAF que estivesse invadindo o espaço aéreo do Vietnã do Sul.

Em agosto de 1964, mais F-102A chegaram ao Vietnã do Sul. Os esquadrões 509º e 16º (estacionado em Okinawa) chegaram às bases aéreas de Da Nang e Tan Son Nhut, respectivamente, para iniciar uma presença maciça da Força Aérea dos EUA a longo prazo na região. O F-102A manteve uma presença constante no Vietnã do Sul até 1970.

As operações da F-102A no Vietnã do Sul consistiam principalmente em alerta para proteger as bases aéreas do ataque da NVAF. No entanto, durante o segundo semestre de 1965, a USAF estava disposta a fazer qualquer coisa para conter o fluxo de recursos ao longo da trilha de Ho Chi Minh. O esquadrão 509, baseados em Tan Son Nhut, foi encarregado de atuar contra alvos terrestres, algo que jamais fora pensado para o F-102, muito menos para o seu principal míssil de combate, o Hughes AIM-4D Falcon.

Empregando buscadores de IR (infravermelho), os F-102A procuravam alvos ao longo da trilha de Ho Chi Minh, engajando-os com mísseis AIM-4D Falcon guiados por IR e foguetes de 2,75 polegadas. Se eles detectassem um retorno de radar suficiente, os F-102 também usavam Falcons guiados por SARH (radar semi ativo).

Os norte-vietnamitas procuravam usar a trilha principalmente a noite, por isso, muitas vezes era difícil determinar se os F-102 estavam tendo algum efeito mensurável nos esforços de reabastecimento do Vietnã do Norte. Em algumas ocasiões, o sucesso imediato foi evidente devido à observação de explosões secundárias. Num determinado ataque, os pilotos verificaram uma grande explosão, com a inteligência confirmando a destruição de um depósito de munições norte-vietnamitas por mísseis Falcon. Explosões secundárias continuaram na instalação por dois dias, destruindo a linha de suprimentos. Apesar desses esforços, no entanto, a USAF e o F-102/AIM-4 Falcon não conseguiram conter significativamente o fluxo de material ao longo da trilha de Ho Chi Minh.

O AIM-4D Falcon era a principal arma do Delta Dagger. Foi mais efetivo no combate ar-terra. No ar foi uma decepção, embora tenha derrubado 3 MiGs, mas nas mãos de pilotos de F-4 Phantom
F-102 destruído em Da Nang após ataque de morteiros

Após a luta contra a trilha, as operações do F-102A no Vietnã do Sul voltaram ao combate aéreo. Os deveres incluíam estar em alerta, escoltar várias formações militares e escoltar voos VIP e comerciais no teatro.

No dia 3 de fevereiro de 1968, o esquadrão 509º estava escoltando um grupo de aeronaves EW sobre o Laos quando dois MiG-21 da VNAF apareceram. Era o primeiro combate ar-ar do Dagger. Logo os F-102 engajaram os norte-vietnamitas. Um dos MiG-21 lançou um AA-2 Atoll (o Sidewinder soviético) e derrubou um F-102A, matando o 1º Tenente Wallace Wiggins. O Capitão Allen Lomax engajou um dos MiG-21, lançando três AIM-4D sem sucesso.

Embora os esforços ar-terra tenham se mostrado interessantes, o F-102A era um interceptador puro, projeto para combate aéreo. No entanto, os mísseis AIM-4 Falcon e o próprio F-102 deixaram a desejar no Vietnã. A ameaça de ataques aéreos da NVAF simplesmente nunca se concretizou, deixando o F-102A em grande parte fora da luta. E na única vez que foi para o combate, foi abatido.


FONTE: Air Power Australia; 509th FIS; AirVectors


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4 COMENTÁRIOS

  1. A impressão que me passa sobre a aviação militar da época é que equipamentos de qualidade duvidosa jogaram na lata do lixo vetores com performances interessantes. Por equipamentos, entendam mísseis, radares, etc. Poucas décadas depois, vetores vetustos teriam boas performances com instrumentos de ponta.

  2. Apesar do fraco desempenho no Vietnam, o F-102 foi um caça icônico, com uma concepção bastante avançada para a sua época!! Basta verificar como os seus mísseis Falcon eram transportados: em bays internos sob a fuselagem.

    Exatamente como projetado para os caças de quinta geração!!

    Sou realmente um grande entusiasta deste interceptador da Century Series e coleciono praticamente tudo o que eu encontro sobre este caça!!

    • No presente caso o avião não teve culpa! O F-102 era um interceptador provisório até que o definitivo F-106 estivesse em serviço. Creio eu que caso o F-106 houvesse sido enviado ao Vietnã, especialmente os que passaram pelo programa "Sixshooters" a história teria sido outra.

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