553581O massacre de My Lai foi um dos atos mais covarde e vergonhoso cometido contra civis em toda a Guerra do Vietnã por militares dos EUA.

Relatos variam quanto ao número de inocentes, entre crianças, mulheres e homens velhos que foram abatidos por membros da Companhia C, 1º Batalhão, 20º Regimento de Infantaria, 11ª Brigada da 23ª Divisão (Americal) de Infantaria. Os números variam de 347 a 504.

Sorte tiveram as pessoas que foram executadas por fogo de metralhadora. Ao azarado, estupro, tortura ou ambos. Durante todo o sórdido caso, nem um tiro foi disparado sobre os homens de Companhia C – e o encobrimento que se seguiu poderia ter sido objeto de um romance de ficção.

Calley
Calley

O massacre ocorreu em dois vilarejos, marcado em mapas americanos como My Lai e My Khe – dentro da área do Vietcong (VC). A área recebeu o codinome Pinkville. Acreditava-se que as aldeias fossem redutos da Frente de Libertação Nacional (NFL – National Liberation Front). Como resultado, foi muitas vezes alvo de bombardeios dos EUA no Vietnã do Sul.

Em março 1968 a Companhia C recebeu a informação de que guerrilheiros comunistas haviam tomado o controle do assentamento, e assim o tenente William Calley e sua unidade foram enviados em uma missão de busca e destruição. Essas foram às ordens de Calley. Ele as interpretou literalmente, destruindo tudo em seu caminho.

A brutalidade dos soldados só foi exposta ao público americano bem depois, e ajudou a alimentar o sentimento anti-guerra e ainda dividiu a nação em relação à opinião sobre continuar ou não o envolvimento americano no conflito.

Para tornar as coisas ainda piores, apenas 14 pessoas sobreviveram para contar os horríveis crimes realizados naquele dia e só Calley foi condenado à prisão perpétua. Ele acabou ficando preso na penitenciaria apenas três anos, depois passando para prisão domiciliar após o perdão do presidente Richard Nixon.

helicopters-fly-over-forest-1 U14841443683683320_zpscbd2316e U14935313682664777_zpscd4bc53fNo momento do massacre, o moral entre os soldados norte-americanos estava em queda livre. Os norte-vietnamitas estavam em plena ação com a Ofensiva do Tet e estavam tendo capitalizando seus feitos sobre a moral dos soldados americanos. A força da Companhia C era de pouco mais de 100 homens, e eles tinham perdido 28, feridos ou mortos como resultado dos ataques do VC. Como resultado direto da guerra de guerrilha, comandantes tinham avisado que qualquer pessoa encontrada na área de My Lai poderia ser considerada simpatizante do VC ou membro ativo (combatente).

Para piorar, o oficial superior de Calley, o capitão Ernest Medina, disse aos homens para irem com tudo e matarem todos os combatentes inimigos e suspeitos, bem como destruir os poços e a pecuária.

Alguns relatos da noite anterior ao ataque dizem que Medina ordenou que aos homens para destruírem qualquer coisa na aldeia que estivesse andando, rastejando ou em crescimento. Ele também teria dito que os residentes civis da aldeia estariam no mercado por volta das 7 horas, e assim quem estivesse na aldeia seriam os combatentes da NFL ou seus simpatizantes.

my-lai-massacre-vietnam-war-history-pictures-images-photos-rare-amazing-006 U14632283683501786_zpsd2d1365eNa manhã de 16 de março, cerca de 100 soldados desembarcaram na área após uma barragem de artilharia e helicópteros. Eles não foram alvejados depois que seus pés tocaram o chão. Às 8 horas, o 1º Pelotão, liderado por Calley, e o 2º Pelotão, liderado pelo 2º Tenente Stephen Brooks, entraram na área. Os moradores não fugiram. Eles não tinham necessidade. Eles estavam se preparando para o mercado; eles não tinham disparado sobre os soldados norte-americanos, e eles nem sequer tinham quaisquer armas.

Os assassinatos começaram sem aviso quando um homem do 1º Pelotão atravessou um aldeão Vietnamita com sua baioneta, enquanto outro empurrou um civil dentro de um poço e lançou uma granada em cima. Outro pequeno grupo, composto por 15 a 20 pessoas, foram achados ajoelhandos e orando num templo. Eles estavam queimando incenso, chorando e orando. Na verdade, eles eram exatamente o oposto de uma ameaça. O resultado? Mortos por tiros na cabeça, ao estilo de execução.

My Lai - Plain DealerUm grupo de cerca de 80 pessoas foram presos e empurrados para uma vala de irrigação da aldeia e foram mortos por fogo de metralhadora sob as ordens de Calley. Um soldado de primeira classe relatou que ele tinha usado várias rajadas de M16 durante o abate e que as mulheres gritavam “Não VC” enquanto tentavam proteger seus filhos. O soldado disse que eles estavam atirando em mulheres segurando os bebês, mas eles pensavam que elas estavam armadas com granadas.

O soldado de primeira classe, Dennis Conti, disse que as mulheres se jogavam em cima dos filhos para protegê-los, mas Calley caminhou ao redor, matando-os um por um. Numa outra sessão de execução, soldados americanos abateram um grupo de cerca de 15 pessoas com fogo de M16 e lançadores de granadas M79.

O massacre só teve fim quando um piloto de helicóptero do Exército, o Subtenente Hugh Thompson, que estava numa missão de reconhecimento e viu o que estava ocorrendo. Ele então pousou seu helicóptero entre os moradores e os soldados. Empunhando a metralhadora do helicóptero ele ameaçou abrir fogo contra seus próprios compatriotas se a matança continuasse.

Thompson não só deteve o assassinato como também salvou um número de civis vietnamitas ao embarcá-los em seu aparelho – incluindo uma menina de quatro anos de idade, que estava tão coberta de sangue que ela foi inicialmente confundida com um menino.

Hugh Thompson
Hugh Thompson

O encobrimento era quase tão vergonhoso como os acontecimentos do dia. O caso só veio a tona quando o soldado Ron Ridenhour da 11ª Brigada contou a sua história a um jornalista chamado Seymour Hersh em novembro de 1969.

Um inquérito foi então lançado em março de 1970, culminando com 28 oficiais acusados de envolvimento. Apenas 14 foram processados, mas só Calley foi considerado culpado.

Quando a notícia do massacre de My Lai se tornou pública, a moral entre os soldados norte-americanos caiu ainda mais, especialmente por causa do encobrimento. O sentimento anti-guerra aumentou e o movimento “de volta para casa” se tornou mais denso e feroz.


FONTE: War History


NOTA DO EDITOR: Vergonha.

NOTA DO EDITOR²: As imagens foram escolhidas de modo aleatório. Quem quiser ver as imagens do massacre, pesquisem na internet…

21 COMENTÁRIOS

  1. Eu sei que muitos sabem, mas só pra constar, alemães, italianos, urssas, chineses, espanhóis, japoneses, etc, cometeram atrocidades contra outros seres humanos. Só uso desse espaço pra lembrar aos que venham criticar, que olhem para seus próprios umbigos antes de destilarem seus venenos.

    É revoltante perceber o que uma pessoa pode fazer com outra, e essas situações me fazem pensar que não somos dignos de povoar esse planeta tão maravilhoso.

      • Sofreu e ainda sofre, meu caro! Infelizmente tiraram-lhe as armas, deu no que deu. É um país que, apesar de ter um povo aguerrido, não tem os meios para revidar ou combater a injusta agressão de que foi vítima.

        Lamentável.

      • Não esqueci, mas imagine você se eu fosse citar todos os países que perpetraram atrocidades contra – pasme! – a própria raça. Praticamente todas as nações, em algum momento de sua história, agiram de forma bárbara e irracional contra seu semelhante.

  2. Bom para fazer os que gostam de "bater tambor" por uma guerrinha pensarem um pouquinho. Tenho uma coleção que, em um dos capítulos, fala desse massacre. É de quase fazer chorar…

  3. Me mostrem uma , eu disse uma unica guerra que seja onde não tenham ocorrido morte de Civis , massacres ou violações dos direitos humanos .EM TODAS AS GUERRAS DE TODOS OS TEMPOS ISTO ACONTECEU.
    Ocorre que quando uma das partes envolvidas é uma democracia com imprensa livre isto vem a tona ao contrario do que acontece quando …..Um dos grandes motivos pelo qual se deve evitar Guerras é a perda de vidas de civis (os danos colaterais)

    • Sim, é o peso da guerra, mas o ocorrido não deixa de ser uma covardia e uma desgraça.

  4. Se vê que a humanidade caminha sem salvação quando se tentam justificar massacres apontando pra outros, e a chamada hipocrisia humana, pra quem e estudioso de historia mesmo que por hobby como eu sabe que a historia humana e regada a sangue e lagrimas, esqueçam que a humanidade e paz e amor isso e pura ficção romantizada.

    • Não vi ninguem aqui justificando massacres, muito ao contrário. Todos os que aqui comentaram repudiam a ignomínia destes atos. Mas se você, ao comentar nesta matéria, se refere a algo que acontece em outro(s) espaços(s), tenha em mim um comungante de suas ideias.

      Sds

  5. Hugh Thompson teria feito um favor ao seu exército e país se tivesse aberto fogo…

    A Military Police Corps tem um 'modus operandi' peculiar: alguns vão para vala, outros tomam um susto bem dado e uma minoria, geralmente por corrupção ou insubordinação, apodrece em Fort Leavenworth. Tem se tornado uma espécie de relações públicas, mais preocupada em não manchar o nome do U.S Army e das operações. Seria melhor se buscasse apenas prender criminosos de guerra.

  6. Realmente vergonhoso, com certeza todos ali tinham em mente que o lance se tratava de genocídio.
    Ato nobre de Hugh Thompson, deveria passar a metranca em vários ali,

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