Com o maior envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, na década de 60, o Phantom II passou a desempenhar papel cada vez mais decisivo.

Em 2 de agosto de 1964, quando navios americanos foram atacados por aviões norte-vietnamitas no golfo de Tonquim, o Phantom II já estava operacional na Marinha e na Força Aérea. Inicialmente, o Phantom deveria atuar na guerra como bombardeiro. A sua respeitável capacidade de carga (mais de 7.000 kg) tornava-o ideal para ataques táticos a alvos terrestres. No entanto, bem antes da chegada dos MiG–21 norte-vietnamitas, o Phantom já combatia os pequenos e rápidos MiG–17,protegendo outras aeronaves americanas menos eficientes. Tornou-se conhecido como “matador de MiG-“.

Mas os caças norte-vietnamitas menores e menos sofisticados eram capazes de resistir aos ataques do Phantom. Tanto o MiG-17 quanto o MiG-19 deram trabalho aos pilotos americanos. No decorrer da guerra os problemas foram sendo resolvidos, como explica o tenente-coronel Randall H. Cunninghan: “Os pilotos dos MiG estavam escapando das manobras de nossos mísseis e de nossos aviões. O estudo dos primeiros combates revelou que o F-4 Phantom era mais pesado e tinha menor capacidade de manobra. O Phantom não era capaz de acompanhar os MiGs em velocidade inferior a 750 km/h e seus mísseis não conseguiam acompanhar as curvas que os MiGs norte-vietnamitas executavam para combater o Phantom. Assim, a Marinha determinou um treinamento intensivo de pilotos em combate ar-ar. Aprendemos então a combater e a sobreviver no ar graças a esse adestramento baseado na experiência de Oswald Boelcke, um Ás alemão da Primeira Guerra Mundial”.

Em quase oito anos de conflito aéreo no Vietnã, o Phantom perdeu poucos combates e causou inúmeras baixas aos inimigos. Os primeiros aviões norte-vietnamitas abatidos pelos Phantoms foi no dia 17 de junho de 1965, quando dois F-4B do porta-aviões USS Midway derrotaram dois MiGs perto de Gen Phu. Ao final da guerra, o Phantom contava com 146 vitórias, sendo 38 pela Marinha e 108 pela Força Aérea.

No começo dos anos 70, a tecnologia do bombardeio passara por uma série de aperfeiçoamentos. Com a introdução das bombas guiadas a laser, o Phantom tornou-se um eficiente avião de ataque, podendo atingir alvos difíceis, como pontes e usinas elétricas. Operando em dupla, os Phantom aproximavam-se do inimigo. Um deles, atuando como iluminador, emitia um raio laser sobre o alvo. Esta luz laser refletida era captada pelo segundo avião, que transportava a bomba. Com o lançamento da bomba, os sistemas de orientação (também computadorizados) localizavam a luz laser refletida e, mediante ajustes na direção, conduziam-na até o alvo. Assim era possível obter 100% de precisão. O tenente-coronel Ray Stratton conta que ate mesmo tanques eram destruídos pelas bombas guiadas por laser: “Localizei dois tanques ao norte da posição dos Fuzileiros no rio My Chanh. Foi na hora do crepúsculo. Os tanques eram um PT-76 e um T-54. O PT-76 tentava retirar o T-54 que havia atolado no leito de um rio. Eles estavam a alguns quilômetros a leste da Rota Colonial 1 e próximos ao norte da cidade de My Chanh. Solicitei reforços, mas não havia nenhum disponível. Esperei um pouco e, finalmente, apareceram `Schlitz’ e `Racoon’, ou seja, mais dois Phantoms. Estavam equipados com o sistema de bomba guiada por laser. `Racoon’ era o iluminador. `Schlitz’, por sua vez, carregava as bombas guiadas por laser”.

Os dois aviões estavam a uns três minutos da ‘hora do recreio’, isto é, estavam quase sem combustível. Procurei orientá-los, para economizar tempo. Assinalei o alvo. Nesse momento, o piloto do ‘Racoon’ perguntou-me qual dos tanques deveria ser atingido primeiro. Sugeri que tentasse primeiro o que não estava atolado na lama. Em trinta segundos, ele informou que havia ‘iniciado a música’, querendo dizer que o feixe de laser já estava sobre o alvo. ‘Schlitz’ encontrava-se na posição para o lançamento — a bomba atingiu em cheio o PT-76, acabando com ele. A explosão alcançou o segundo tanque. Orientei outra vez os Phantoms, lançando mais um foguete de fumaça. ‘Racoon’ reiniciou a ‘música’. ‘Schlitz’ disparou e começou a viagem de volta à base. A operação foi concluída em três minutos. Duas bombas, dois tanques destruídos”.

Quando o Exército americano começou a se retirar do conflito vietnamita, no início dos anos 70, cresceu a importância estratégica da Força Aérea. Na ofensiva da Páscoa de 1972, colunas norte-vietnamitas romperam as linhas do Exército do Vietnã do Sul, mas os Phantoms conseguiram interromper o seu avanço. Capazes de atacar posições-chaves e barrar as forças comunistas mediante bombardeios precisos e fulminantes, eles detiveram o ataque do Norte e ganharam um tempo valioso para as forças do Vietnã do Sul.

Contudo, após o cessar-fogo de 1973, encerrou-se o suporte aéreo dos EUA e os Phantoms foram retirados do Vietnã. Sem a ação dos F-4, o Vietnã do Sul tornou-se um alvo mais fácil e, em 1975, quase não ofereceu resistência quando Exército norte-vietnamita lançou o ataque final


FONTE: Guerra na Paz – Armamentos


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20 COMENTÁRIOS

  1. Correção: o incidente do golfo de tonkin foi uma farsa, nunca aconteceu!

    • Depende do ponto de vista ideológico. Se foi ou não foi, o fato é que foi um evento histórico, e está na linha do Tempo.

    • Ocorreu sim, mas a ação do Vietnã do Norte foi de defender seu mar territorial de uma incursão agressiva da Marinha Americana. Mas lembro que a ação de infiltração de guerrilheiros do Norte no Sul, tambem o foi uma ação agressiva do Norte ante ao Sul.
      A Guerra do Vietnã foi uma concha de retalhos de erros de diversos governantes francos, seja Vietnamitas, Franceses e principalmente Americanos.

  2. F-4 para min é uma das melhores aeronaves de combate de todos os tempos . Ainda hoje , se devidamente modernizado , pode encarar os caças atuais na arena BVR sem problemas . Ja no dogfight fica mais dificil devido as limitações aerodinamicas da decada de 70 , mais mesmo assim se vacilar ja era ! No vietnam assumiu o papel de praticamente todas as aeronaves de ataque da USAF e lembrando tambem que combateu na Desert Storm com o F-4G destruindo os radares Iraquianos . Enfim , este e pra ficar na historia !

  3. Tem algum motivo técnico para dos caças das antigas lançarem as bombas em mergulho?

    • Quando é CCIP, até mesmo caças modernos fazem mergulho. Isso é normal, é assim que se consegue a mira para alvo, que usa o radar altímetro para precisão.

      CCRP é outro caso.

      Em aviões antigos como F-4 e F-5, não é diferente. Exceto que não há CCIP, então é manual mesmo. Só usando parâmetros! 🙂

      • Calma ai, vamos por partes…

        CCIP eu mergulho para "travar" o alvo, ou adquirir o alvo num sensor, o altímetro por exemplo, esse modo é usado quando o ataque é direto e com bombas burras. Estilo ataque do A10….

        CCRP não preciso mergulhar para adquirir o alvo pois ha outros sensores mais precisos, o POD por exemplo, que adquire o alvo, esse modo obviamente é com uso de bombas guiadas.

        Mais ou menos isso??

        • É difícil, mas vou tentar explicar da maneira mais simples que posso pensar.

          CCIP – Constantly Computed Impact Point, se faz um mergulho, seus sensores como rádio altímetro, pitot e sensor de AoA vão fundir dados no seu HUD, usualmente com uma linha vertical seguido por um círculo que indica aonde a bomba vai cair. O piloto deve colocar esse círculo sobre seu alvo, e estar dentro dos parâmetros de lançamento.

          Uma foto ilustrativa:
          https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:A

          CCRP – Continually Computed Release Point, não é necessário um mergulho. Em casos de LGBs, você deve designar um alvo com seu TGP, ativar o laser, e uma linha vertical vai aparecer em seu HUD, do qual você deve se alinhar, segurar o weapon release, e então quando for o momento apropriado o com****dor vai liberar a LGB.

          Em JDAMs, pode se usar tanto um TGP que dá coordenadas, ou até mesmo o radar varrendo o solo. O procedimento em relação ao HUD é similar.

          Mas não necessariamente somente bombas guiadas são usadas, pode-se perfeitamente usar uma bomba não guiada em CCRP, mas claro que a precisao jamais será a mesma. No CCRP, velocidade e altitude também são calculados.

          Imagem ilustrativa:
          https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:A

          Essa é a forma mais simples que posso explicar! lol

  4. A título de pequena curiosidade: Oswald Boelcke foi mentor do grande Barão Vermelho, que alcançou sucesso e notoriedade utilizando-se dos ensinamentos daquele, compilados na Dicta Boelcke. Segundo a lenda, a única vez que Von Richthofen desrespeitou deliberadamente aquelas lições, foi abatido pelos australianos.

    É tido por muitos como o pai da Luftwaffe e um dos primeiros aviadores a receber a Pour le Mérite – maior condecoração militar prussiana. Faleceu em combate em uma pequena cidade perto de Lille, França.

    • Hoje suspeita-se que von Richthofen foi abatido por uma metralhadora anti-aérea, pois a posição e ângulo do ferimento no peito não batem com a manobra que o piloto australiano executou, que foi um mergulho por cima.

      • Sim, o amigo está correto, foi uma unidade de artilharia antiaérea australiana. Sempre achei que era um fato comumente aceito, não sabia que havia polêmicas.

  5. Esse avião já escreveu seu nome na história. Excelente avião.

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