O único piloto Às da Força Aérea dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, o Capitão Steve Ritchie, destruiu cinco MiG-21 durante a Operação Linebacker em 1972.

Graduando-se na Academia em 1964, Ritchie terminou em primeiro lugar na sua classe de treinamento de pilotos.

Depois de um período de treinamento em operações de voo, ele começou a voar o F-4 Phantom II, em preparação para sua primeira turnê no Sudeste Asiático.

Atribuído ao 480th Tactical Fighter Squadron na Base Aérea de Danang, Vietnã do Sul em 1968, Ritchie voou a primeira missão “Fast FAC” no programa de controlador avançado de F-4 e foi um dos responsáveis pelo sucesso do programa. Voltando do Sudeste Asiático em 1969, ele voltou a escola de armas e aos 26 anos de idade se tornou um dos mais jovens instrutores da Força Aérea.

Ritchie se alistou para uma segunda turnê de combate em 1972 e foi designado para a 432nd Tactical Reconnaissance Wing em Udorn, Tailândia. Voando um F-4D com o famoso Esquadrão de caças Táticos 555th “Triple Nickel” (níquel triplo) ele se juntou às fileiras dos assassinos de MiG quando ele derrubou um MiG-21 no dia 10 de maio, um dia muito bom para a USAF, com várias vitórias ar-ar e uma explosiva e alegre fonia. Ele marcou uma segunda vitória no dia 31 de maio, quando abateu outro MiG-21. No dia 8 de junho, depois de um clássico Dogfight a baixa altitude, ele empatou o recorde de cinco anos do veterano Robins Olds no Sudeste Asiático, quando mais dois MG-21 caíram para seus mísseis Sparrow. Então, no dia 28 de agosto, veio a missão que o colocou entre os Ases nos livros de registro. O voo consistia de uma formação de quatro Phantoms F-4D em missão MiG CAP ao norte de Hanoi para proteger a Força de ataque vindo do Sudoeste.

10 de maio de 1972

Durante a madrugada de 10 de maio de 1972, os EUA prepararam os primeiros ataques aéreos contra o Vietnã do Norte da Operação Linebacker II. Esses ataques resultaram em vários e grandes confrontos aéreos entre aeronaves dos EUA e caças da VNAF durante a Guerra do Vietnã. A primeira onda naquele dia foi lançada pelos porta-aviões USS Constellation, USS Coral Sea e USS Kitty Hawk contra alvos na área de Haiphong às 08:00 AM. Apenas uma hora depois, nada menos que 84 Phantoms e cinco F-105G da USAF, apoiados por 20 aviões-tanque KC-135 e um grupo SAR de três helicópteros, quatro A-1 e quatro Phantoms, entraram no Vietnã do Norte cruzando o norte da Tailândia e do Laos . A vanguarda desta força de ataque consistia em oito F-4D Phantom armados para o combate ar-ar. Os grupos Oyster e Balter, cuja principal tarefa era patrulhar áreas em torno dos aeródromos vietnamitas conhecidos e interceptar qualquer MiG que tentasse atacar a principal formação americana. Toda a operação foi controlada de perto por um Lockheed EC121 Warning Star, que operava sobre o Laos e o cruzador USS Chicago, em curso no Golfo de Tonkin e operando sob o sinal de chamada Red Crown.

Já durante o reabastecimento aéreo sobre a Tailândia, a vanguarda perdeu um pouco do seu poder. Balter #2 teve problemas elétricos e Balter #3 foi incapaz de reabastecer; Ambos tiveram de voltar para Udorn. Oyster #4 sofreu uma falha no radar, mas sua tripulação decidiu continuar a missão. Balter #1 e #4 uniram-se como um elemento e continuaram para o nordeste, como fizeram os quatro aviões da célula Oyster. A varredura tinha sido planejada pelo major Bob Lodge, líder de voo da Oyster, um tático e experiente piloto de combate com dois abates de MiG. As duas células de Phantoms deveriam estabelecer uma patrulha de barreira a noroeste de Hanoi, sendo Oyster em baixa altitude e Balter logo atrás e a 6.700 metros de altitude. Qualquer MiG que fosse em direção a Balter voaria sobre Oyster que esperaria para a emboscada.

O ‘kill ratio’ do AIM-7 era tão baixo que no Vietnã os pilotos sempre disparavam aos pares.

Ás 09:42 AM os caças da VNAF entraram em ação. Dois minutos mais tarde, dois MiG-21 decolaram de Noi Bai, girando para Tuyen Quang, atuando como chamarizes para os americanos. Ao mesmo tempo, quatro J-6 entraram no jogo. Passando despercebidos pelos controladores, dois MiG-21 voaram direto para Oyster, cobertos por quatro J-6 voando baixo.

Imediatamente Red Crown informou Oyster: “Bandidos múltiplos em sua área!” Voando a 4 500 m e em formação fechada, os MiG-21 juntaram-se aos com quatro J-6, Balter deu a proa em direção a Oyster para fornecer cobertura superior. Os Phantoms alijaram os tanques externos e armaram seus AIM-7 Sparrow (exceto Feezel, cujo radar falhou). Os radares de Oyster #1 e Oyster #3 fecharam nos MiGs a 24km. O erro de direção permitido na exposição do radar começou a diminuir em 13km quando o primeiro Sparrow partiu em direção ao elemento principal de MiG.

Deixando uma nuvem de fumaça branca, um AIM-7 partiu ao encalço do inimigo, mas logo detonou quando seu motor terminou de queimar. Com alcance agora de 10km, o Major Lodge disparou um segundo Sparrow que partiu e logo subiu num ângulo de 20 graus. Deixou um uma fina fumaça branca e logo veio o flash da detonação. Poucos segundos depois, um MiG-21 despencava do céu, soltando fogo e sem sua asa esquerda. O tenente John Markle a bordo do Oyster #2 também disparou um par de Sparrows. O segundo míssil começou a subir e ligeiramente para a direita. Enquanto Markle observava, o grande míssil virou forte e voou direto para o norte-vietnamita, causando outro grande flash amarelado.

Ao que parece, o primeiro Sparrow abateu um MiG-21, enquanto o segundo Sparrow destruiu um J-6. Dois norte-vietnamitas remanescentes voando acima de Oyster #1 e #2 engajaram o Oyster líder. O Major Lodge puxou instintivamente para a direita em um meio loop oblíquo que o colocou a 60m atrás do MiG. Lodge estava agora muito perto para um ataque com mísseis e seu Phantom não tinha um canhão. Manobrando sem perder energia nem o inimigo de vista, ele conseguiu aumentar a distância para o inimigo. O combate estava indo bem para a célula Oyster quando, de repente, as coisas começaram a se complicar. Caças J-6 surgiram abaixo da célula. Enquanto os pilotos de Oyster identificaram apenas quatro caças norte-vietnamitas, havia, de fato seis deles. Um J-6 inverteu e se colocou atrás de Oyster #4.

Major Lodge pensou que o MiG-21 à sua frente abrira o alcance suficiente para um tiro próximo e disparou um Sparrow, mas o J-6 atrás também abriu fogo com seus três canhões de 30mm. O F-4 foi atingido e estava perdendo velocidade, mas inicialmente sua tripulação pensou que tinha escapado com danos menores. O J-6 fechou e disparou de novo. O motor direito do Phantom explodiu. Em seguida, todos os sistemas hidráulicos do F-4 foram perdidos.

Enquanto Locher se preparava para deixar o Phantom, o capitão Steve Ritchie, voando como Oyster #3, vinha perseguindo o J-6. Sem contato visual, ele só podia confiar na informação do radar. Ritchie puxou para a direita em uma volta de 4 a 5g. Rolando para fora a 5.500m ele finalmente avistou seu alvo, quase 5.500m e a esquerda. Ele puxou para dentro da curva que o J-6 começara a fazer e disparou dois AIM-7. O primeiro passou perto do alvo sem detonar, mas o segundo marcou um impacto direto. Do banco traseiro de Oyster #3, o capitão DeBellevue viu um paraquedas amarelo quando passaram pelo J-6 em chamas e caindo.

Voando a 6.000 m, dois Phantoms da célula Balter, chegaram a tempo de ver os momentos finais da luta, com o F-4 de Lodge mergulhando em direção ao solo como um meteoro. Devido à fumaça, ninguém viu a ejeção da tripulação. Abatidos pela súbita perda de seu líder, a célula Oyster deixou da área.

Dois MiGs

Em 8 de julho de 1972, o capitão Steve Ritchie do 555th Tactical Fighter Squadron, liderou um voo de quatro F-4 Phantom, com sinal de chamada “Paula“, sobre os céus do Vietnã. Com seu oficial de interceptação de radar (RIO), capitão Charles DeBellevue, ele conseguiu derrubar dois MiG-21 durante um dogfight que durou apenas 89 segundos. Ritchie relatou:

A missão do dia 8 de julho foi a mais intensa, a missão mais excitante que eu já voei. Tudo funcionou. Durante esses 89 segundos eu fiz uso de todas as minhas experiências de vida. Cada parte da minha formação e educação se uniram naquele momento. Poucas pessoas experimentam esse momento em que tudo se une. É um sentimento difícil de descrever”.

Quando a missão começou, um dos voos MiG CAP anteriores tinha sido atingido por um MiG. O Phantom, perdendo combustível e fluído hidráulico, quebrou a formação. O piloto do Phantom berrava a sua posição e altitude na freqüência de emergência, uma idéia muito ruim, porque os vietnamitas do Norte monitoravam a freqüência de emergência e quando ouviram, e viram que o Phantom estava sozinho, eles enviaram MiGs atrás dele. Então nós fomos em socorro ao companheiro que estava em apuros quando ‘Red Crown’ e ‘Disco’ (um RC-121) chamou avisando de atividade MiG adicional na área. Meu corpo começou a bombear adrenalina. Fui para a baixa altitude e recebi a chamada “Heads Up”, o que significava que os MiGs nos tinham à vista e que estávamos autorizados a disparar.

Eu comecei a olhar ao redor, porque não os tinha à vista. Rolei para uma posição a leste e fiquei lá por cerca de 8 segundos, quando recebi um telefonema de ‘Disco’ (enquanto orbitava o Laos a 210 km de distância da minha posição). ‘Steve, 3 km ao norte de você!’ rolei imediatamente para à esquerda e peguei um MiG-21 às 10 horas. Se não fosse por Disco, eu teria permanecido na minha posição por mais alguns segundos e o MiG teria me pego por trás e eu provavelmente não estaria aqui para contar a história hoje.

Ejetei os tanques subalares e dei o pós-combustor pleno. Passamos cerca de 300 m um do outro. Eu pude ver o piloto norte-vietnamita. Era um brilhante e reluzente MiG-21, com estrelas vermelhas numa cor vermelha bem viva. Instintivamente eu quis manobrar para virar e pegá-lo, mas me contive, pois eu sabia que havia dois deles, porque Disco havia dito: ‘Two Blue Bandits’, mas eu não conseguia ver o segundo. Então, eu esperei, eu rolei em nível, empurrei o nariz e esperei. Então vi, aproximadamente a 2.400 m atrás do primeiro MiG. Imediatamente, quando ele passou, puxei 6,5g e fiz uma volta de 135 graus.

O alvo estava alto no céu azul, bom para um ‘lock’ do radar. O MiG nos viu e manobrou para baixo de nós. Eu apertei o gatilho. O primeiro míssil foi atingiu o centro da fuselagem do MiG e o segundo míssil passou através da bola de fogo. Senti o avião estremecer quando pedaços de detritos do MiG bateram no bordo de ataque da minha asa esquerda.

Mal havia estabilizado quando vi um MiG atrás do Phantom do meu companheiro, com três Phantoms da unidade atrás do MiG. Todos giravam no ar, num gigantesco círculo imaginário. Eu cortei o círculo e consegui uma posição de tiro no MiG. Coloquei-o na mira e o meu RIO (Charles DeBelleuve) disse que estava travado nele; Era tudo que eu precisava saber. O míssil saiu do avião, ziguezagueando como um Sidewinder, como se estivesse sem controle. Mentalmente xinguei-o e dizia: ‘o alvo está ali seu fdp!’ De repente, o míssil pareceu fazer uma curva de 90 graus para a direita, e acertou o MiG em cheio. Havia muita energia cinética no míssil, então você pode imaginar a explosão.

Ritchie deixou o serviço ativo em 1974 e teve uma carreira distinta na reserva da Força Aérea antes de se aposentar em 1999. Com mais de 3.000 horas de voo, sendo 800 horas do combate. Foi agraciado com quatro estrelas de prata e 10 cruzes de voo distintivas.


FONTE: Acepilots


Dica do Amigo João Schiavon – Obrigado! 😉

Anúncios

3 COMENTÁRIOS

  1. Muito legal a matéria, esses relatos de combate aéreo no Vietnã são sempre empolgantes. Na ultima foto é o F-4 do Steve, será que ele está preservado até hoje?

  2. Como a ideia do Cavok, me parece, é de falar da História da Aviação, a Militar em especial, creio que seria interessante um artigo sobre Nguyen Van Coc, o maior dos Ases da Guerra da Vietnã..

Comments are closed.