A criação do Estado de Israel em região palestina (1948) está na raiz da Guerra dos Seis Dias, mas não é sua causa única.

Principal adversário de Israel em 1967, o Egito de Nasser contava com poderio aéreo nitidamente superior, graças aos 450 aviões de combate fornecidos pela União Soviética. Além disso, as forças aéreas da Síria, Jordânia, Iraque e Líbano podiam mobilizar mais 370 aparelhos para reforçar a frota conjunta dos países árabes.

Por outro lado, a Força Aérea Israelense (Israeli Air Force – IAF) tinha aproximadamente 200 aeronaves. Havia também um único esquadrão de bombardeiros Vautours, birreatores e de fabricação francesa, e mais de setenta jatos de treinamento, que eram utilizados em missões mais leves de ataque. Essa força totalizava 297 aparelhos, número esse que nunca estava disponível numa única operação.

A IAF compensava sua inferioridade numérica como prestígio, a motivação e o treinamento de seus pilotos, fatores que a colocavam em vantagem diante das tripulações egípcias. Treinadas sob os rígidos e automatizantes padrões da Força Aérea soviética, estas demonstravam menos iniciativa e agressividade em combate.

O plano de destruir a Força Aérea egípcia em suas próprias bases — que abriu a Guerra dos Seis Dias — só teria sucesso se os pilotos israelenses pudessem coordenar os seus ataques. Como eles partiriam de diversas bases e pilotando aeronaves com velocidades de cruzeiro diferentes, essa exigência mostrou-se mais difícil do que se podia supor. Para surpreender os egípcios antes que pudessem defender-se, era indispensável que os ataques ocorressem todos ao mesmo tempo.

Havia outro problema: para evitar os radares inimigos, era necessário voar baixo em todo o percurso, o que dificultava bastante a navegação. O ataque inicial foi cuidadosamente planejado para apanhar os egípcios desprevenidos. Sabia-se que seus caças estavam em estado de alerta contra um possível ataque matinal e que havia patrulhamento aéreo nesse período.

Atacando às 8h45 (horário do Egito), os israelenses acreditavam que as patrulhas aéreas já teriam aterrissado e o alerta dos caças em terra já estaria encerrado. Além disso, os oficiais egípcios não chegariam a seus postos antes das 9h, ou seja, 15 minutos depois dos primeiros reides.

Em 5 de junho de 1967, os esquadrões de Mystère e Ouragan atacaram as quatro principais bases egípcias do Sinai: Bir Gifgafa, Bir Themada, El Arish e Jebel Libni. As duas últimas tiveram suas pistas poupadas da destruição, porque os israelenses confiavam em que logo suas forças terrestres estariam invadindo o leste do Sinai, e então essas bases seriam úteis à própria IAF.

O voo rumo aos alvos cumpriu uma rota direta a partir das bases aéreas ao sul de Israel. Os esquadrões que atacaram as bases da zona do canal, delta do Nilo e Cairo sobrevoaram uma vasta extensão do Mediterrâneo antes de atingir a costa egípcia. Assim, eles surgiram sobre seus alvos vindos de uma direção inesperada, despontando no horizonte a favor do sol. Os aviões egípcios se achavam alinhados no solo sem qualquer chance de ser dispersos a tempo, e inúmeros aparelhos foram destruídos em total imobilidade pelos projéteis e foguetes israelenses.

A claridade e as boas ‘condições atmosféricas do amanhecer asseguraram aos pilotos israelenses condições muito favoráveis de mira e disparo, especialmente pela ausência de turbulências provocadas pelo calor, freqüentes em voos sobre o deserto. As pistas do inimigo eram o alvo prioritário dos israelenses: esburacá-las significava paralisar a Força Aérea egípcia no solo e completar facilmente a operação. Voando em formações de quatro aeronaves, os israelenses atacavam em série. Devido ao prolongado trajeto e à necessidade de voar baixo, com maior consumo de combustível, os caças foram equipados com tanques suplementares. Isso reduziu sua capacidade de carga de bombas, levando ao emprego dos armamentos embutidos (canhões e metralhadoras). Na medida em que completavam suas missões, retomavam a Israel para reabastecimento e rearmamento. Uma hora depois, já estavam prontos para nova missão.

Completando a destruição

As dez bases escolhidas para as primeiras surtidas eram os campos mais importantes da Força Aérea egípcia. No entanto, para completar o trabalho de destruição era necessário atacar outras. Duas bases no Alto Egito — Ras Banas, no mar Vermelho, e Luxor — estavam fora do raio de ação dos caças israelenses. Um reide a longa distância foi organizado contra elas. Partindo de Ramat David e Hatzerim, um esquadrão de Vautours voou sobre o golfo de Acaba e o mar Vermelho para atingir seus alvos. Em duas horas a Força Aérea egípcia estava destruída e Israel pôde preocupar-se com as forças aéreas dos demais países árabes e com a defesa em terra.

As 11h do mesmo dia 5 de junho de 1967, a Força Aérea da Jordânia atacou a base israelense de Kfar Sirkin. A IAF contra-atacou, devastando as bases jordanianas de Mafraq e Amã. A Força Aérea síria também realizou uma incursão, bombardeando as refinarias de petróleo de Haifa. Novamente, Israel revidou, investindo contra bases sírias e destruindo 45 de seus 142 aviões.

As operações israelenses daquela jornada alcançaram pleno êxito. Dos 254 aviões egípcios eliminados na Guerra dos Seis Dias, 240 foram destruídos no primeiro dia de combate. Ainda no dia 5, cerca de mil voos foram realizados pela IAF, com a perda de apenas 20 aeronaves. A supremacia aérea de Israel não foi ameaçada nem mesmo quando a Força Aérea argelina enviou uma esquadrilha de MiG-21 para combater no Sinai. A partir de então, a Guerra dos Seis Dias foi resolvida em terra.

No dia seguinte, 6 de junho, a IAF colaborava com o avanço do Exército, destruindo centenas de veículos das forças egípcias que se encontravam no passo de Mitla, no Sinai. A virtual extinção da aviação inimiga permitiu aos israelenses o transporte aéreo de suas tropas e o emprego de helicópteros em apoio a suas forças nas operações de ataque atrás das linhas egípcias. No fim da Guerra dos Seis Dias, as contas eram claras: a IAF destruíra cerca de 350 aviões árabes, perdendo apenas 31 dos seus.


FONTE: Guerra na Paz


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1 COMENTÁRIO

  1. Retirando do texto : "e mais de setenta jatos de treinamento, que eram utilizados em missões mais leves de ataque"Me lembrei que já havia lido sobre o uso do Fouga Magister como aeronave de ataque e encontrei no Wiki o seguinte : " In the 1967 Six Day War 44 Fougas were used by 147 Squadron as a close support aircraft, attacking targets on the Sinai front during the first day of the war, when Israel's more capable combat aircraft were deployed on Operation Focus against Arab air bases. They were then deployed against Jordanian forces, including armour, on the West Bank. Fougas destroyed over 50 tanks and over 70 other armoured vehicles, helping in holding back Jordanian armour which was heading towards Jerusalem. The Magister proved effective at the close-support mission albeit with heavy casualties, with seven aircraft and six pilots being lost."

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