Os fatos que cercam o lançamento do Explorer 1 são bem conhecidos: os soviéticos tinham batido os EUA no Espaço com não apenas um, mas dois satélites, o último dos quais carregava uma cadela chamada Laika.

O Sputnik 1, lançado em 4 de outubro de 1957, pesava 84 kg; O Sputnik 2, lançado apenas 30 dias depois, pesava 508 kg.

No dia 6 de dezembro de 1957, os EUA tentaram seu primeiro lançamento de satélite usando o Vanguard III, então um veículo de teste. O satélite pesava cerca de 1,5 kg. O foguete voou por 2 segundos, perdeu o impulso, caiu de volta na plataforma de lançamento e explodiu.

E assim começou 1958. O clima nos Estados Unidos era sombrio. “O lançamento do Sputnik 1 teve um efeito de ‘Pearl Harbor’ na opinião pública americana. Foi um choque, apresentar ao cidadão comum à Era Espacial em um ambiente de crise. O evento criou a ilusão de uma lacuna tecnológica ante os soviéticos e forneceu o ímpeto para o aumento dos gastos em tecnologias aeroespaciais”, disse Roger Launius, um ex-historiador da NASA.

Sputnik

Os soviéticos não só foram os primeiros na órbita baixa da Terra, mas o Sputnik pesava quase 90 kg, comparado com os 1,5 kg previstos para o primeiro satélite dos EUA. No ambiente da Guerra Fria do final da década de 1950, essa disparidade de capacidade gerou implicações ameaçadoras”.

Depois de outra espetacular explosão do Vanguard em fevereiro, um lançador alternativo desenvolvido por Wernher von Braun e sua equipe de cientistas alemães que então trabalhavam para a Agência de Mísseis Balísticos do Exército dos Estados Unidos emergiu das sombras. Esse esforço foi oficialmente mantido em segredo, com o programa Vanguard como estrela principal para acalmar as preocupações sobre o reaproveitamento de mísseis balísticos nazistas que haviam sido construídos por escravos de campos de concentração e lançado contra mais de 3.000 alvos Aliados em Londres e em outros lugares, causando milhares de mortes.

Lançado sob a nova luz das proezas tecnológicas soviéticas, no entanto, essas preocupações eram pouco comparáveis. A revelação de que a equipe de von Braun não havia abandonado seu programa de desenvolvimento de foguetes era motivo de esperança, não de condenação. O presidente Dwight Eisenhower, um General do Exército de cinco estrelas que serviu como Comandante Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial foi firme em suas palavras e ações para que o programa espacial dos EUA fosse um empreendimento pacífico e científico, não um arma de guerra.

Publicamente, os esforços dos EUA e da URSS para lançar um satélite em órbita faziam parte de um programa de pesquisa científica conhecido como o Ano Geofísico Internacional. O Sputnik 1, no entanto, não carregava instrumentos científicos, apesar de rastrear com sinais de rádio informações sobre a densidade da atmosfera superior e da ionosfera.

O Explorer 1 foi diferente. Equipado com um contador Geiger para medir a radiação, o satélite, construído pelo físico da Universidade de Iowa James Van Allen, não só deu aos EUA acesso ao Espaço quando chegou a órbita no dia 31 de janeiro de 1958, mas também forneceu os primeiros dados da nova ciência Espacial. Os dados do Explorer 1 provaram que a Terra é cercada por um campo magnético que protege o planeta de raios cósmicos mortais. Ele também descobriu o que veio a ser chamado de Cinturões de Radiação de Van Allen, que são zonas de partículas altamente energizadas e carregadas, a maioria proveniente do vento solar, que estão presas e mantidas no lugar pelo campo magnético da Terra.

Explorer I

As pessoas especularam sobre o que havia no Espaço, mas até você fazer uma medição, você realmente não sabe“, disse Craig Kletzing, físico da Universidade de Iowa. “De repente você detecta essas estruturas que eram completamente inesperadas. É um alerta que há muito mais acontecendo aqui do que pensávamos”.

Foi isso que realmente inaugurou toda a Era Espacial”, acrescenta Kletzing, pesquisador-chefe de uma missão conhecida como Sondas Van Allen. “Precisávamos explorar e entender o que está por aí“.

Seis meses após o Explorer 1 se tornar o primeiro satélite dos EUA em órbita, o Congresso aprovou uma lei para expandir o Comitê Consultivo Nacional para a Aeronáutica, descrito por Launius como “uma organização pequena, livremente organizada e elitista, conhecida tanto por sua competência tecnológica quanto por sua cultura apolítica” em uma agência federal que planejasse, dirigisse e conduzisse atividades aeronáuticas e espaciais. Foi para fazer isso em parceria com a comunidade científica do país e disseminar amplamente informações sobre suas atividades. A nova agência, claro, foi a NASA.

Depois do Sputnik e do Explorer 1, mais de 8.000 satélites já foram lançados.


FONTE: Aviation Week

3 COMENTÁRIOS

  1. Na verdade os americanos pensaram que já tinham aprendido o suficiente c/ os alemães e não precisavam mais deles – o que era bom p/ o orgulho e assim se desvencilhavam o passado nazista – que iriam mostrar que eram capazes de ser os líderes da era espacial. Depois do tombo, engoliram o orgulho e deram carta branca p/ o Von Braun, só assim o programa deixou p/ trás os constantes fracassos. Vale lembrar que se não fossem os cientista nazistas que os russos capturaram e forçaram a trabalhar p/ eles desde o início, certamente eles nunca teriam alcançado essas vitórias em tão pouco tempo.

  2. Os soviéticos foram incríveis, independentemente de concordar com o regime do bloco socialista! O mundo era mais seguro e vimos a tecnologia avançar e muito, graças às maluquices dos vermelhos. Se a segunda guerra mundial fez o mundo avançar 50 anos em 5, a guerra fria foi o segundo capítulo dessa coisa toda! Era muito gostoso ser adolescente e morar na periferia de São Paulo, curtir rock pesado e imaginar que o mundo poderia acabar iminentemente,,,rsss.
    Bons tempos!