O que poucos sabem é que uma das estratégias treinadas pelas tripulações de B-52 previa o voo a baixíssima altitude sobre o mar. Sua missão, caçar os porta-aviões soviéticos.

Finda a Segunda Guerra Mundial, a Força Aérea dos EUA – então liderada por ex-pilotos de bombardeiros – concentrou seus esforços na dissuasão nuclear a partir de bombardeiros, deixando de lado outras estratégias, como o combate sobre o mar.

Terminada a Guerra do Vietnã, a Marinha dos EUA e a Força Aérea entraram num período de declínio militar. O SAC (Strategic Air Command) perdia a cada dia seu poder de influência dentro da Força e a Marinha viu diminuir sua frota de superfície. Porém, neste mesmo período, a Marinha soviética estava num amplo processo de expansão. A estratégia soviética previa um numero crescente de porta-aviões, levando a estrela vermelha a todos os cantos do planeta, rivalizando com a Marinha norte-americana.

A Marinha soviética já contava com bombardeiros e armas anti porta-aviões. Para se contra-pôr, a USN criava esquadrões destinados a defesa da Frota, como o F-4 e posteriormente o F-14 (desenvolvido especificamente com a função primária de defesa). Mas e a USAF?

Alarmados com a informação que os soviéticos estavam a construir mais e mais porta-aviões, a comunidade de B-52 desenvolveu uma estratégia: voar rente ao mar, abaixo da linha de visão dos radares marítimos da frota soviética.

O B-52 era forte o bastante para aguentar as condições adversas do voo a baixa altitude. E assim, com o apoio da USN, a manobra fez parte do treinamento da comunidade de B-52.

Em 1979 a 7.ª Frota estava de prontidão no Golfo Pérsico por causa da crise dos reféns no Irã. Não bastasse o problema no Irã, seus navios eram constantemente assediados e sombreados pela Marinha soviética, especialmente pelos bombardeiros Bear que eram lançados do Afeganistão. Era preciso uma resposta. Era preciso mostrar aos soviéticos que eles não estavam seguros.

Dois B-52H partiram da ilha de Guam e foram identificados como aviões-tanque KC-135 em direção a Diego Garcia. Para completar o disfarce, listas de tripulação e plano de voo falsas foram emitidas. Os navegadores de radar foram instruídos a usar as frequências que os KC-135 usariam.

Depois de reabastecer com aviões-tanque baseados em Diego Garcia, os B-52 rumaram para o Golfo Pérsico.

Para completar o engôdo, as tripulações fizeram contato com uma navio da Marinha dos EUA, que emitiu um alerta “da presença de um Bear” na área, que prontamente foi “ouvido” pela frota soviética.

A tripulação soviética estava no convés, acenando, assumindo a princípio que era “um dos seus”. Um B-52 rugiu por sobre o navio, desaparecendo no horizonte. Foi então que o outro B-52 surgiu ao lado, passando rente ao mar, poucos metros acima. Um dos pilotos contou que pode ver a surpresa e incredulidade dos tripulantes soviéticos, que com os olhos atônitos no céu precisavam virar a cabeça e olhar para baixo.


Imagens meramente ilustrativas e não representam o evento.

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11 COMENTÁRIOS

  1. Bom, dizer que "a tripulação ficou atônita e incrédula" ainda é bem mais factível que a história ridícula do Su-24 que "cegou" um destróier AEGIS e "gerou deserções" já em parada no porto seguinte! hahahahahahahahahahahahahahahahaha

    No mais, o fato pode ter entrado para a história, sendo então mais um interessante causo da Guerra Fria…. mas não passa disso! No meu humilde entender, acho que não agregou em muita coisa ao poderio americano.

  2. Em tempos de paz era razoável fazer isso mas em tempos de guerra era impossível, pois as grandes embarcações Soviéticas levavam seus helicópteros que faziam a cobertura dos navios, os radares destes poderiam indentificar os bombardeiros a boa distância…
    Mas é uma boa história "contada por Americanos" assim como aquela contada por alguns "meios russos" do Su-24 sobre o Cook..
    Historias são histórias, a realidade segue em outro caminho..