O grande interceptador soviético ajudou a pavimentar o caminho árabe até a Guerra do Yom kippur.

O fim da Guerra dos Seis Dias em junho de 1967 não trouxe paz ao Oriente Médio. Os israelenses capturaram toda a Península do Sinai, a Faixa de Gaza ao largo da costa do Mediterrâneo, as Colinas de Golã e o território a oeste do rio Jordão, totalizando de 68,5 mil km². Não tendo tempo para se recuperar da derrota, os países árabes começaram a se preparar para uma “grande batalha pela libertação das terras ocupadas“. O Egito e a Síria declararam a Israel uma “guerra de atrito”.

A Guerra de Atrito foi um embate limitado e que se caracterizou principalmente por ser uma disputa de artilharia através do Canal de Suez, muito embora alguns jatos israelenses tenham sido derrubados por SAMs dentro do espaço aéreo de Israel, mas esses foram “tiros de sorte”. Israel revidava bombardeando as bases egípcias bem dentro do seu território. O Egito enviava comandos e sabotava posições israelenses.

Israel, que recebeu novos caças-bombardeiros F-4E Phantom dos EUA, conduziu ataques profundos sobre o território do Egito e da Síria, cujo objetivo eram instalações militares e industriais. Neste confronto, os países árabes eram claramente inferiores a Israel, perdendo tanto equipamento técnico quanto tropas, o que impactava na formação de pessoal.

No final de janeiro de 1970, o presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, viajou a Moscou em uma visita secreta. Nasser enfatizou “a crescente amizade entre a grande União Soviética e os países em desenvolvimento” e foi direto ao ponto: ele pediu ajuda para reequipar o Exército egípcio, treinando especialistas militares (especialmente mísseis e pilotos), criando um escudo de defesa eficaz.

Os líderes soviéticos classificaram o conflito no Oriente Médio como um “choque de regimes árabes progressistas contra um posto avançado do imperialismo mundial – Israel“.

Os países árabes, animados pelo apoio de um poderoso aliado, negaram o direito de Israel à própria existência, instado os povos da região a “jogar Israel no mar“. (Diz-se que Brezhnev colocou a mão na testa e baixou a cabeça quando leu a declaração de Nasser – N.T)

Moscou atendeu os pedidos de Nasser. Já em fevereiro de 1970, brigadas inteiras do Exército egípcio começaram a ser treinadas por conselheiros soviéticos, e o fornecimento de equipamentos militares modernos e armamentos começou. Cada batalhão recebeu um numero de conselheiros militares soviéticos.

Em março e abril de 1970, a URSS executou uma ousada manobra. Enviou para o Egito unidades aéreas e mísseis terra-ar. Aeródromos, guarnições, a represa de Aswan, porto e fábricas de Alexandria estavam agora sob o “guarda-chuva” soviético.

Nasser com Nikita Kruschev em 1964. Os soviéticos jamais imaginariam as derrotas que viriam pela frente…

A ajuda da União Soviética não parou por aí. Conselheiros soviéticos participaram do desenvolvimento de uma operação para liberar os territórios ocupados. A idéia era fazer com que as tropas egípcias atacassem e atravessassem com rapidez o Canal de Suez, tomando sempre a iniciativa da ofensiva no Sinai. O sucesso e implementação destes planos exigiam obrigatoriamente um profundo estudo da defesa israelense. Como?

A resposta para a necessidade soviética recaiu sobre um grupo especial de aviação de reconhecimento. Equipado com aeronaves MiG-25, este foi enviado ao Egito. Não foi uma decisão fácil. Enviar o MiG-25 para a região daria munição aos EUA para também intervir, mas a liderança do Ministério da Indústria da Aviação viu uma oportunidade ímpar para testar o equipamento. O programa MiG-25 estava em descrédito nas altas esferas do poder soviético. Em abril de 1969, o comandante do P. Kadomtseva da defesa aérea da aviação morreu devido à uma falha do motor. Era uma rara oportunidade de testar a aeronave em condições reais de combate.

No verão de 1970 começou a formação do grupo, que incluía 70 dos especialistas mais qualificados no novo avião para ser enviado ao Egito.

Dois MiG-25R de reconhecimento (número de série 0501 e 0504) e dois MiG-25RB de reconhecimento armado (números de série 0402 e 0601) foram selecionados.

Dotados das mais modernas câmeras que a industria soviética podia produzir, permitiu fotografias em alta resolução de uma altura de 22.000 metros. Além disso, os MiGs também foram equipados para reconhecimento eletrônico.

Os aviões tiveram de sofrer algumas modificações nas configurações do motor por causo do clima quente. Mas no dia 28 de setembro Nasser morreu. A missão talvez não ocorre-se mais, pois o novo presidente do Egito, Anwar Sadat, era mais inclinado a um acordo diplomático. No entanto, Sadat logo confirmou a as intenções do Egito de libertar os territórios ocupados, e o trabalho foi retomado.

Em março de 1971, a ordem para uma transferência urgente do grupo foi emitida. O equipamento e as equipes chegaram ao Egito a bordo de aviões de transporte An-12 e An-22. Os MiG-25 foram remontados no local.

No Egito, o grupo, conhecido como 63º grupo de aviação, foi implantado na capital, Cairo. As condições eram bem diferentes e o grupo teve de aprender a conviver com o sol ofuscante, calor e o pó seco do deserto. Além disso, a chegada coincidiu com o início da temporada hamsin – vento soprando quase sem interrupção, carregando areia e pedras.

A sensação era de que uma guerra irromperia a qualquer momento. Notícias de jornais, relatórios da linha de frente, soldados armados nas ruas e estradas. O uniforme militar egípcio de cor de areia e sem sinais de hierarquia era um prenuncio das hostilidades.

Os MiGs foram remontados em hangares que mantinham os vestígios do recente ataque das aeronaves israelenses.

A inteligência de Israel descobriu o que havia nas caixas, mas a IDF não tomou qualquer ação. Por uma questão respeito (quem sabe?), o apoio político e militar da União Soviética foi fundamental para a fundação do Estado judeu. Não é possível confirmar, mas conta-se que os israelenses avisaram aos técnicos daquele hangar que o melhor seria correr para uma distância segura.

Anwar Sadat

Curiosamente, a defesa do aeródromo foi reforçada com a instalação de SAMs S-75 e S-125 e canhões autopropulsados ZSU-23-4, principalmente ao redor do hangar de montagem dos MiG. Um perímetro de defesa, contando com soldados soviéticos e arame farpado foi também adicionado. Apenas o cinturão externo da guarda do aeródromo era por soldados egípcios.

Após a montagem, o MiG-25 foi transferido para um abrigo reforçado onde antes havia um bombardeiro Tu-16 egípcio e cinco canhões antiaéreos autopropulsados ZSU-23-4 com operadores soviéticos foram colocados diretamente ao redor.

Essas medidas estavam longe de serem supérfluas. Apesar das relações amistosas com os egípcios, respeitando e acolhendo sinceramente os especialistas soviéticos, era difícil confiar na população local. A atitude pouco profissional dos oficiais egípcios quanto ao sigilo complicou consideravelmente o trabalho. Logo o serviço secreto israelense ficou a par de todos os detalhes da próxima operação. Os soviéticos estavam possessos! Um velho ditado russo dizia que “para um homem, há duas ocupações dignas – guerra e comércio”, e as forças armadas egípcias combinaram com sucesso ambos os casos.

Poucos dias depois da chegada do destacamento, o jornal do Cairo Al-Ahram publicou uma mensagem sensacional: “Novos aviões apareceram na base aérea do Cairo West!” Com a imagem do MiG-25 estampada na capa! Depois da divulgação o 63 passou a trabalhar com as portas fechadas.

No final de abril começaram os primeiros voos de teste em território egípcio, elaborando perfis de voos, configuração do equipamento fotográfico e equipamentos de navegação.

MiG-25 em frente a seu abrigo reforçado na base aérea de Cairo West
O F-4/AIM-7 era incapaz de interceptar o Foxbat

Em maio o treinamento terminou e o destacamento estava pronto para começar o trabalho de reconhecimento. Nesse mesmo período de tempo, o escritório OKB SK Tumansky, enviou dados adicionais que garantiam o bom funcionamento dos motores a plena potência a 40 minutos. Isso tornou possível realizar quase todos os vôos sem limitação à velocidade máxima. Também resolveram o problema de fornecer o combustível especial T-6, pois petroleiros soviéticos aportaram em Alexandria e o precioso líquido foi transportado em caminhões até o Cairo.

Plano de voo

O plano de voo foi pensado até o último detalhe. Após dar partida na aeronave, o piloto ia até um certo ponto da pista e só aí inseria as coordenadas, sendo então aquele o ponto de partida no programa de ataque. A partir deste momento, o voo passava para o modo de total silêncio do rádio (os pilotos só podiam entrar na fonia em situações de emergência). No ar, dois pares de caças MiG-21 fariam a “escolta”.

Para confundir os operadores de radar israelenses, os soviéticos montaram um estratagema. Na hora exata da partida, jatos MiG-21 passariam sobre o aeródromo, com o MiG-25 decolando entre eles. Isso mostraria aos israelenses que algo havia decolado da base do Cairo, mas eles jamais conseguiriam identificar que dentro da assinatura do MiG-21 ia um Foxbat. A interceptação de rádio dos israelenses era excelente.

Dois MiG-21 iam a frente enquanto o MiG-25 ganhava altura e aceleração. Atrás, mais dois MiG-21. Poucos minutos depois, o MiG-25 pegou a velocidade de M 2,5 e entrou na rota.

Os vôos ocorreram conforme o planejado, com velocidade máxima e altitude de 17 a 23 km, que era o único meio de proteger o Foxbat desarmado. Nenhum caça de Israel, nem ninguém no mundo era capaz de perseguir o batedor soviético. A cada minuto os motores queimavam meia tonelada de combustível e a aeronave se tornava mais leve e gradualmente acelerava ainda mais, para além de Mach 2,8. A temperatura do ar na entrada dos motores atingia 320° C e a estrutura da aeronave se aquecia a 303° C. De acordo com os pilotos, até a lanterna da cabine esquentava de forma que era impossível tocá-la.

O MiG-25 recebeu as presas as marcas de identificação da Força Aérea egípcia.

Os soviéticos conseguiram imagens de até 90 km dentro do território israelense. Para o calor não afetar a operação de equipamentos sensíveis, o jato foi equipado com um sistema de condicionamento de ar que mantinha uma temperatura constante.

Fotografias em voo de alta velocidade não é uma coisa simples de se fazer. O rápido deslocamento do objeto a ser fotografado e para obter imagens de alta qualidade exigia uma exposição maior do obturador. Para obter clareza de imagem, as câmeras da aeronave tinham um sistema de rastreamento – um prefixo preso às lentes com um prisma oscilante que compensava o deslocamento do objeto e o mantinha em foco.

Alguns modos de fotografia e filmagem exigiam uma velocidade de voo constante. Devido à queima de combustível, a aeronave subia gradualmente para 22.000 m. Além de fotografar, o MiG-25 também fazia reconhecimento de rádio, detectando grandes estruturas, rastreando postos de radar, comunicações e sítios de guerra eletrônica.

Toda a passagem ao longo da rota de Suez para Port Said levou apenas 1,5 a 2 minutos. Voltando da missão, o MiG-25 novamente encontrou os MiGs-21 que o acompanhou até o pouso. Os Fishbeds permaneceram acima do aeródromo até o batedor entrar no hangar reforçado.

Embora a IAF tenha parado de atacar a base aérea onde o MiG-25 estava, pois o cinturão SAM havia derrubado várias aeronaves israelenses, em setembro um SAM egípcio atingiu um avião de patrulha israelense. Como resposta, a IAF atacou posições SAM, destruindo dois lançadores fazendo uso de mísseis anti-radar “Shrike” fornecidos pelos EUA. A resposta israelense acabou matando soldados e oficiais soviéticos. Este incidente levou a medidas adicionais para proteger o esquadrão de reconhecimento. Em outubro, abrigos subterrâneos foram construídos no aeródromo. Os abrigos de concreto poderiam suportar o impacto direto de uma bomba de 500 kg, tinham todas as comunicações necessárias e forneciam a preparação completa da aeronave. Praticamente todos os trabalhos de manutenção em máquinas, incluindo testes de motores, podem ser realizados no subsolo.

Os voos de reconhecimento eram realizados duas vezes por mês. Depois que a área foi fotografada ao longo do canal, as rotas de voo foram transferidas para a península de Suez. Sua duração aumentou, e algumas tarefas começaram a ser realizadas com um tanque subalar com 5 300 litros, o que possibilitou aumentar o alcance para 2.130 km.

Cada missão trazia centenas de metros de filme, sendo os rolos transferidos para o departamento de decodificação da sede do Assessor Militar Principal. A qualidade das fotos tiradas das alturas de mais de 20 km era magnífica – eram claramente visíveis não apenas edifícios e estruturas, mas também grupos de pessoas, carros, equipamentos militares. Nas placas dos decifradores, uma rede de estradas ligando os locais da defesa israelense. Assim, foi possível estabelecer a posição de objetos até mesmo disfarçados de armazéns e abrigos.

A borda dianteira da linha “Bar-Lev”, de 160 quilômetros, corria ao longo da costa e incluía um aterro alto com obstáculos antitanque, arame farpado e armadilhas. Atrás, a 30-50 km, estendia-se a primeira linha defensiva, constituída por uma rede de pontos fortes e pontos de fogo, adaptados à defesa circular. Entre 10 a 12 tanques T-54 e T-55 capturados por Israel em 1967 eram dispostos em pontos a mais ou menos 5 km de distância um do outro. Ficou fácil localizar do ar os pontos fracos da defesa israelense.

SAM MIM-23 Hawk fornecido pelos EUA a Israel. Nenhuma ameaça ao MiG-25
MiG-25RB armado com bombas FAB500

De início os soviéticos não entenderam o que significavam as grandes instalações de armazenamento na margem do canal, semelhantes a tanques de óleos e equipados com drenos. Como se viu, eles continham óleo, que deveria ser drenado em um canal e incendiado, a fim de barrar o avanço do inimigo.

Uma segunda linha defensiva foi identificada a 30-50 km do canal ao longo da área montanhosa e as passagens de Giddy e Mitla foram montadas posições de artilharia e fortificações. Para transferir as reservas operacionais da retaguarda e entre as posições, os israelenses construíram uma rede rodoviária e vários dutos foram usados para fornecer o combustível. Com a ajuda de equipamentos de inteligência eletrônica, foi possível identificar o centro de interferência de rádio no Monte Gebbel-Umm-Mahas, para detectar radares antiaéreos e posições antiaéreas.

Voando sobre Israel

Confiantes e agora dominando a máquina, os batedores do 63 foram mais para o leste e, no inverno, suas rotas estavam sobre Israel. A experiência de guerras anteriores mostrou que o pequeno tamanho do país permitia manobrar rapidamente as tropas, transferindo-as de uma frente para outra. Assim foi em junho de 1967, quando após a derrota do Exército egípcio, os israelenses retiraram parte de suas forças para o norte e derrotaram a Síria. Portanto, dada a possibilidade de aumentar as reservas do inimigo para o Sinai, era necessário estudar sua infra-estrutura atrás das linha e sua rede de comunicações, ligando Israel aos territórios ocupados. Outras tarefas de reconhecimento sobre Israel foram a avaliação das capacidades de seus portos, através das quais as armas foram entregues, a rede de defesa aérea e as bases aéreas.

A caça israelense não assustavam os pilotos. Eles já tinham experiência em tais encontros no Sinai, onde o MiG-25 havia repetidamente passado pela base aérea perto de Meles. Os Phantoms e Mirages partiam no encalço, mas eram incapazes de interceptar o MiG-25, tanto em velocidade quanto em altitude.

Os mísseis antiaéreos da defesa aérea israelense também não representavam uma séria ameaça ao MiG-25. O alerta radar de bordo repetidamente soava, indicando ao piloto soviético que seu avião estava sendo iluminado, no entanto, o MiG-25 estava acima do alcance dos mísseis. Naquela época os SAMs Hawk, fornecidos pelos EUA aos israelenses, tinham um alcance máximo de 12 200 m. O MiG-25 se mostrou uma tarefa insolúvel para a IAF. Rumores nunca confirmados contam que Washington também não gostou dos vôos conduzidos pela URSS e enviou baterias SAM Nike-Zeus para Israel. Esses mísseis superfície-ar eram capazes de alcançar 50 km de altitude.

A ameaça Nike-Zeus sustou o 63, no entanto, as posições “Nike” não foram encontradas.

Missões de inteligência bem dentro de Israel continuaram até março de 1972.

O 63 não estava capacitado apenas para missões de reconhecimento. Eles receberam bombas especiais com aerodinâmica melhorada FAB-500T (resistente ao calor), especialmente projetada para lançamento com o MiG-25RB. Após ser lançada de uma grande altura, a bomba voaria ao longo de uma trajetória balística para um alvo de várias dezenas de quilômetros distante. Cada um dos MiG-25RB poderia levar até 8 bombas, mas a ordem nunca chegou.

A principal tarefa do 63 era diferente e, talvez, mais importante. Um dos membros do grupo, lembrando o trabalho no Egito, estimou a atividade do destacamento: “Estávamos preparando uma guerra“.

 A confiabilidade na nova aeronave mostrou-se bastante alta. Falhas do avião não ocorriam com freqüência, mas ainda assim, às vezes o MiG-25 apresentava surpresas.

Em um dos vôos, um dos motores parou e o MiG começou a perder velocidade rapidamente. O piloto foi ordenado a voltar imediatamente a Cairo West (a base do 63) ou ao aeródromo alternativo de Aswan (base do MiG-21). No entanto, após alguns segundos, o motor reacendeu..

O incidente mais sério aconteceu quando uma das pernas do trem de pouso principal quebrou durante o pouso a 290 km/h. Numa demonstração de perícia, o piloto continuou correndo pela pista enquanto o aparelho perdia velocidade. No final da corrida, o MiG-25 afundou a asa esquerda, virou na pista e parou. O pouso foi tão bem-sucedido que o dano foi só a ponta da asa e o avião logo voltou a voar.

Em abril de 1972, no final do ano de trabalho, os pilotos e engenheiros do 63 voltaram para casa. Os quatro MiGs-25 permaneceram no Egito, com os vôos sendo conduzidos por outro grupo da Força Aérea soviética.

 O trabalho bem sucedido e eficaz em condições de combate confirmou as capacidades únicas do MiG-25. Os criadores da máquina e a liderança da Força Aérea receberam evidências da confiabilidade e das perspectivas da nova aeronave. Em dezembro de 1972, a Força Aérea soviética aceitava o MiG-25RB.

No dia 6 de outubro de 1973, no dia do feriado judaico do Yom Kippur, as tropas egípcias atravessaram o Canal de Suez e atacaram as posições israelenses. A tempestade foi precedida por uma poderosa artilharia e ataque aéreo contra as fortificações da linha Bar-Lev. A quarta guerra árabe-israelense começava o que, como foi dito na declaração do governo soviético, “foi o resultado da política agressiva das potências imperialistas

A essa altura, os soldados soviéticos não estavam mais no Egito. Em julho de 1972, Sadat anunciou o término de suas atividades e cerca de 21.000 consultores e especialistas voltaram para casa. Eles fizeram seu trabalho e não puderam influenciar o curso da próxima guerra, que durou dezoito dias e terminou ali, onde começou, às margens do Canal de Suez.


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73 COMENTÁRIOS

    • Sandice ou 'asneirice' é afirmar que Israel poderia fazer frente à URSS ou à Rússia.
      O que Sadar fez, carece de explicações perante a História.
      Por que expulsou os soviéticos?
      Por que, frente a tropas israelenses desbaratadas, parou o avanço, quando os próprios israelenses já achavam que estava tudo perdido?
      O que ele esperava ao parar os avanços? Melhores condições para negociar a paz? Ora, estavam ganhando e com facilidade.
      O fato é que o próprio povo egípcio o julgou e ele teve um fim trágico.

      • E acrescentando, Soa no mínimo 'estranho', que após o 'acordo de paz' o Egito passa a ser aliado do patrono do maior inimigo. Se isso não é traição eu não sei o que seria.
        O fato é que, como dito acima, o próprio povo egípcio o julgou e ele teve o seu fim.

      • Xings, ao invés de ficar aqui repetindo asneirice como bem colocou o amigo acima você deveria estudar. E já que você tem dúvidas irei repondê-las:

        – Sadat expulsou os conselheiros soviéticos porque eles eram incompetentes, o que ficou demonstrado quando cinco foram abatidos pela Heyl Ha'Avir

        – As tropas egípcias pararam o avanço porque a cobertura de mísseis SAM não poderia acompanhá-los para além de onde estavam. Quando tentaram avançar, quando comandos transportados por aparelhos Mi-8 tentaram estabelecer uma cabeça de ponte para além de onde estavam, foram todos os aparelhos derrubados pela Heyl Ha'Avir.

        – Você é mentiroso! Os egípcios não estavam "ganhando com facilidade"! Depois da surpresa inicial os israelenses tomaram a iniciativa, cruzaram o canal de Suez, isolaram dois exércitos egípcios e chegaram a 100km do Cairo, pelo simples fato de ser SUPERIOR em treinamento ao exército egípcio. Isso é um fato que seu antissemitismo não aceita, que lhe enche de ódio por dentro. Cuidado para não infartar viu!?

        – O fato é que os árabes perderam mais um guerra! Só que Sadat, ao contrário do canalha que o antecedeu (Nasser) foi sábio e negociou um acordo de paz que o permitiu receber o Sinai de volta. E ainda por cima US$ 1.5 bi de ajuda militar norte-americana todo ano.

        – Por fim tal como os conflitos entre árabes e israelenses o resultado aqui foi o mesmo ou seja, você passou outra vergonha Xings, por culpa da sua ignorância, lobotomização ideológica, fanatismo e antissemitismo. E aqui não estamos interessados em trolls com essas credenciais. Melhor você tentar outra vez….

        • 5×0 em cima do Xings. Suas explicações são absolutamente corretas e factuais mas sabemos que o Troll Mor dos blogs de aviação não raciocina baseado no mundo dos fatos. O birrento insaciável escolheu se alinhar com os déspotas e perdedores e tenta reescrever a história com sua visão fantasiosa da realidade mas no final sempre cai do cavalo.

  1. Bela e muito informativa materia Gio, parabens. Adoro ler e conhecer sobre esses acontecimentos, isolados ou fruto de algum conflito passado ou, como nesse caso, o "tralier" da guerra que viria adiante. Eu particularmente adoro o MIG-25, independente das suas deficiencias, acho um maquina incrivel, assim como sao mirages, Fs, Mks e etc.

    Acho que qualquer um aqui gostaria de dar uma volta num MIG-25 se fosse convidado.

  2. Adoro ler sobre os caças soviéticos, o MIG 25 é lendário, nem tanto pelo que ele conseguia fazer ( podem notar pela matéria que o programa do caça estava sendo questionado) mas pelo que ele provocou de receio na época, pois se imaginava um avião muito mais formidável do que ele era de verdade. Depois que o Viktor Belenko desertou e levou um pro Japão, a "máscara" caiu, mas o Foxbat justificou muito investimento militar antes disso. Se não me engano,o F-15 se tornou o monstro que é até hoje em parte por causa disso. Mas, sem briga por ideologia, por favor, eu adoro de verdade todas estas máquinas, venham de onde for.

  3. Prezados…

    Vamos com calma.

    Há de se salientar que o Mig-25 foi originalmente pensado para ser parte do sistema de defesa aéreo soviético. Nessa situação, ele estaria amparado por pesada infraestrutura, estando inserido entre radares de solo, sistemas SAM, ELINT/SIGINT e outros vetores aéreos.

    Daí que os árabes ( e não somente eles… ), ou não utilizaram o caça dentro desse esquema, ou os sistema necessários simplesmente nunca foram adquiridos em sua totalidade… E os resultados cá estão…

    Mais do que a ausência de treinamento, pesaram as falhas estruturais graves que haviam nos sistemas de defesa aérea árabes, que contribuíram não somente para as perdas de Mig-25, como também dos outros tipos diversos.

    O treinamento dos pilotos sírios, egípcios e iraquianos era focado em subordinação ao controle de terra, legando aos controladores e especialistas em solo a decisão de quem ia para onde e quem enfrentava quem; bem ao contrário dos israelenses, que eram treinados ( e voavam aeronaves equipadas… ) para ter a iniciativa, caso o controle de terra falhasse. Logo, resta óbvio que, caso não houvesse controle de solo eficaz, a caça ficaria imensamente prejudicada ( virtualmente incapaz de exercer suas funções ).

    Ou seja, sem apoio de uma rede de defesa eficaz, tudo o que os árabes tinham na mão era um vetor que era pouco mais que uma plataforma voadora de lançamento de mísseis; um "SAM aéreo", que estaria virtualmente decapitado sem seu sistema de vigilância…

    A rigor, os árabes somente conseguiam resultados positivos quando o sistema funcionava a contento ( primeira fase do Yom Kippur ) ou quando simplesmente abandonavam as táticas soviéticas e começavam a empregar táticas diversivas, tal como na fase final dos combates de 1982, quando caças Mig-25 atraíam caças israelenses para fora das zonas de patrulha e então lançavam seus pacotes de ataque.

  4. Outro conflito que merece analise é a Guerra Irã-Iraque, na qual um sistema de defesa aérea constituído inteiramente aos moldes ocidentais ( Irã ) enfrentou um sistema de defesa sob pesada influência soviética.

    Naquela guerra, o Mig-25, em suas versões de reconhecimento e bombardeio, lograram por diversas vezes penetrar fundo nas defesas iranianas, chegando inclusive a sobrevoar a capital deste país. Apenas a partir da introdução do F-14 'Tomcat' nos combates é que se logrou algum êxito, pondo em cena o AIM-54 'Phoenix', que era até então a única arma capaz de deter o caça russo…

    No meu entender, isso mostrou que o Mig-25, operando em suas variantes de ataque, seria de fato um vetor perigoso para os europeus de então.

    Vale mencionar que os F-4 iranianos, cujas variantes, até onde sei, não distavam nada das americanas de então ( e não havia nada muito melhor que ele em mãos européias nos anos 80 ), encontraram consideráveis dificuldades diante de variantes mais avançadas do 'Flogger' e do 'Foxbat'. Certamente, portanto, as variantes soviéticas do Mig-25 seriam sim muito temíveis.

    Penso que isso também explica o desenvolvimento febril das capacidades anti-radar e de inteligência eletrônica da OTAN… Imagino que atacar a rede soviética era a melhor maneira de deter a caça soviética em si.

  5. O Mig25 e a familia A12 surgiram num mundo onde não havia mísseis com alcance e/ou confiáveis, mesmo o Phoenix que era o unico confiável, teria chance se o F14 soubesse com antecedência o plano de voo do inimigo.

    Até hoje muitas forcinhas como a fab por exemplo não poderiam parar um Mig25.

    • Rapaz, vou lhe dizer se a Venezuela resolvesse bombardear Brasília com os Su deles, a chance de entrarem, bombardearam e saírem talvez até sem serem vistos seria de uns 85%. Colocaríamos o que no ar para interceptar? Os velhos Mike? Ou o A29? Nenhum deles é páreo para os Su. Mesmo um único par de Su já seriam muito para nossa FAB.