Há 54 anos a USAF perdeu quatro bombas nucleares quando um B-52 e um KC-135 colidiram durante o reabastecimento aéreo.

No dia 17 de janeiro de 1966, um Boeing B-52G Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos, registro de cauda 58-0256, e sua tripulação de sete homens, juntamente com um segundo B-52, estavam num voo de patrulha de Alerta Nuclear de rotina sobre o Mar Mediterrâneo. O 0256, indicativo de chamada “Tea 16“, estava armado com quatro bombas nucleares Mark 28 carregadas em seu compartimento de bombas.

Quando passavam pela costa sul da Espanha, os dois B-52 se reuniram com dois Boeing KC-135A Stratotanker, da Base Aérea de Morón, na Espanha, para o segundo reabastecimento aéreo da missão. As aeronaves estavam a 9.448 metros de altitude.

O B-52 aproximou-se do KC-135, mas estava rápido demais e começou a ultrapassá-lo.

O 0256 acabou colidindo com a lança de reabastecimento do KC-135A chamativo “Troubadour 14“. A lança penetrou na fuselagem do bombardeiro, quebrando as longarinas e cavernas da asa esquerda enquanto jorrava combustível. O B-52 explodiu.

O avião-tanque, totalmente carregado, foi atingido pelas chamas e destroços, entrando num mergulho íngreme, explodindo em seguindo e desintegrando-se no ar.

Todos os quatro tripulantes a bordo do Troubadour 14 morreram.

No B-52 que caía, 3 dos sete homens conseguiram se ejetar. O copiloto não estava em um assento de ejeção, mas ele conseguiu chegar a uma escotilha enquanto o bombardeiro se desintegrava no ar em direção ao solo. O navegador conseguiu saltar, mas acabou morrendo quando seu paraquedas não abriu. Três outros foram incapazes de escapar do avião condenado e também foram mortos.

As cargas explosivas chegaram a detonar, mas por pura sorte as bombas não explodiram.

Quando o B-52 se quebrou, as quatro bombas nucleares que ele carregava no compartimento de bombas se soltaram. Três delas caíram perto de um vila de pescadores chamada Palomares. Em duas bombas, os explosivos convencionais que “implodem” o plutônio para iniciar uma reação em cadeia, detonaram com o impacto, mas não ocorreu uma explosão nuclear. No entanto, o plutônio acabou espalhado pela área. A terceira bomba foi recuperada intacta, embora tenha sido ligeiramente danificada. O paraquedas de retardamento da quarta Mark 28 abriu e a o artefato foi levado pelo vento, caindo no mar Mediterrâneo.

Uma maciça operação de recuperação foi realizada. A quarta bomba foi recuperada após cinco meses. Ele havia pousado em um desfiladeiro subaquático a uma profundidade de 777 metros.

226 hectares de terra em Palomares e arredores foram contaminados. O solo foi removido e colocado em barris de aço que foram enviados para os Estados Unidos, onde foram  enterrados e armazenados em Savannah River Plant, uma reserva nuclear na Carolina do Sul.

Recuperando uma das Mark 28

A Mark 28 era uma bomba termonuclear de implosão de radiação em dois estágios, projetada pelo Laboratório Nacional de Los Alamos e produzida de janeiro de 1958 a maio de 1966.

Em 1968, foi redesenhada, tornando-se a B28. Mais de 4.500 foram fabricados. O rendimento explosivo variou entre 70 quilotons e 1,45 megatons. A bomba permaneceu em serviço até 1991.


FONTE: Bryan R. Swopes

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2 COMENTÁRIOS

  1. Seria interessante ressaltar que quem encontrou a bomba caída no mar foi o Mergulhador Chefe Carl Brashear e durante a recuperação dessa bomba no navio ele sofreu o acidente que o faria amputar a perna e quase lhe custaria o que ele lutou tanto para conseguir.

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