Em 1963, há 57 anos, um B-52 caiu com suas armas nucleares em solo norte-americano.

No dia 24 de janeiro de 1963, há 57 anos, o Boeing B-52G Stratofortress, número de série 58-0187, indicativo de chamada “Keep 19“, estava em uma missão de Alerta Aéreo Nuclear de 24 horas na costa Atlântica dos Estados Unidos. O bombardeiro estava armado com duas bombas termonucleares Mark 39, cada uma com um rendimento explosivo de 3-4 megatons.

O B-52 reuniu-se a um KC-135 e iniciou o reabastecimento aéreo. A tripulação do Stratotanker alertou de um vazamento combustível na asa direita do bombardeiro.

O vazamento era tão grave que mais 17.000 kg de combustível foram perdidos em menos de três minutos! O comandante,  Major Walter S. Tulloch tomou a proa para a Base Aérea Seymour Johnson, na Carolina do Norte.

À medida que o B-52 descia, o desequilíbrio gerado tornou o bombardeiro cada vez mais difícil de controlar. O Major Tulloch, percebendo que perderia o controle, deu a ordem para abandonar o avião. Cinco tripulantes se ejetaram e um saiu pela escotilha superior.

O Keep 19 se rompeu no ar e explodiu. Seus destroços cobriram uma área de 5,2 km². Três tripulantes morreram.

Quando o B-52 quebrou, suas duas bombas Mark 39 caíram livres do compartimento de bombas. Uma delas se enterrou a mais de 55 metros de profundidade. A outra bomba caiu suavemente, uma vez que o sistema de retardamento por paraquedas funcionou corretamente e aterrissou ela praticamente intacta. A bomba então foi rapidamente recuperada por uma equipe de material bélico.

A recuperação da bomba enterrada foi muito difícil. Após oito dias, a equipe de material bélico recuperou a maior parte da bomba, incluindo os 92 detonadores e as “lentes” explosivas convencionais do “primário”, a seção de implosão do primeiro estágio. O “poço” de urânio-235/plutônio-239 – o núcleo da bomba – foi recuperado no dia 29 de janeiro. O “secundário”, no entanto, nunca foi encontrado.

O secundário contém o combustível de fusão, mas não pode detonar sem a explosão do primário. Embora o secundário permaneça enterrado até hoje, não há perigo de explosão.

Um acidente desse tipo, envolvendo a perda de armas nucleares, é conhecido pelo nome de código militar BROKEN ARROW (seta quebrada). Embora as declarações oficiais dissessem que não havia perigo de que uma das bombas pudesse explodir, outras fontes indicam que cinco das seis etapas (ou seis das sete) necessárias para a detonação termonuclear ocorreram. Apenas o interruptor de armamento do comandante da aeronave não havia sido ativado.

A Mark 39 era uma bomba termonuclear com implosão de radiação e dois estágios. Esteve em produção de 1957 a 1959, com mais de 700 unidades construídas. Era considerada uma “arma leve”, pesando de 2.950 a 3.060 kg. O comprimento da bomba era de aproximadamente 3,55 metros, com um diâmetro de 88 centímetros.

O rendimento explosivo do Mark 39 era de 3-4 megatons. Para o leitor poder mensurar, o teste de armas nucleares no atol de Bikini em 1956, teve um rendimento de 3,8 megatons.

A Mark 39 foi retirado de serviço em meados da década de 1960 e substituída pelo Mk 41, mais poderosa.


FONTE: Bryan R. Swopes

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Quando essas bombas são retiradas de operação, o que se faz com o conteúdo delas?

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