Na década de 1980, o MiG-25 e o F-14 se encontraram em diversos combates aéreos.

A guerra começou quando os iraquianos invadiram o território iraniano no dia 22 de setembro de 1980. Saddam Hussein, ditador do Iraque, esperava que o caótico Irã pós-revolução não tivesse condições de resistir a uma investida militar. A invasão do Irã ocorreu sem qualquer tipo de declararão de guerra formal, porém Saddam e sua alta cúpula militar não esperavam a reação dos militares iranianos. A guerra foi lenta e sem vencedores, além de desastrosa para a economia dos dois países. O conflito terminou no dia 20 de agosto de 1988.

O embate de forças colocou frente-a-frente diversos modelos de aviões ocidentais e soviéticos, especialmente dois tipos que os estrategistas tinham certeza que um dia iriam se encontrar: o soviético MiG-25 Foxbat e o norte-americano F-14 Tomcat.

A força aérea iraquiana recebeu seus primeiros Foxbats em 1980, sendo então 12 interceptadores MiG-25P, 12 MiG-25R de reconhecimento e seis MiG-25PU de treinamento. No entanto, os iraquianos se recusaram a receber as aeronaves, pois os soviéticos forneceram variantes com qualidade muito abaixo dos padrões técnicos exigidos pelos iraquianos.

Moscou acabou concordando em atualizar os Foxbats conforme solicitado e treinar as tripulações. Os MiGs-25 iraquianos realizaram seu batismo de fogo no espaço aéreo iraniano em maio de 1982. Seguiu-se uma série de vôos de reconhecimento, cada vez mais profundos sobre o Irã, o que por sua vez levou a Força Aérea iraniana a usar seus F-14 Tomcats em tentativas de interceptação. Mas pegar um Foxbat iraquiano se mostrou extremamente problemático.

Oficiais iranianos que haviam desertado para o Iraque em 1980 revelaram a rede de radar de alerta antecipado iraniana. Os pilotos iraquianos de MiG-25 sabiam exatamente onde e como entrar no espaço aéreo iraniano sem serem detectados. Quando detectados, os Foxbats já estavam voltando para o Iraque.

Como resultado, as defesas aéreas iranianas geralmente demoravam a detectar os Foxbats, deixando as tripulações de F-14 com apenas três a cinco minutos para tentar uma interceptação. Resumindo, se nenhum Tomcat estivesse quase diretamente à frente do MiG-25 iraquiano, um engajamento bem-sucedido estaria totalmente fora de questão.

No entanto, os iranianos gradualmente reaprenderam as lições ensinadas a eles por seus assessores norte-americanos nos anos 1970. Seus primeiros encontros com os MiG-25 iraquianos foram amplamente infrutíferos – com uma exceção. O Coronel Shahram Rostami alegou que derrubou um Foxbat no norte do Golfo Pérsico no dia 16 de setembro de 1982 e outro no dia 2 de dezembro de 1982.

Poucos dias depois, o Major Ali-Asghar Jahanbakhsh engajou um MiG-25R que se aproximava de Teerã, lançando um AIM-54 que não conseguiu “fechar” no Foxbat. No entanto, Ali-Asghar teria conseguido acertar alguns projéteis de seu canhão Vulcan. Em sua corrida para fugir, o piloto iraquiano cometeu um erro e virou à esquerda, em direção à fronteira da antiga União Soviética.

De acordo com relatos iranianos, a reivindicação de setembro de 1982 resultou na primeira vitória confirmada sobre o Foxbat, enquanto o MiG-25 interceptado por Jahanbakhsh caiu dentro da Turquia depois de ficar sem combustível. Fontes iraquianas atualmente disponíveis negam essas perdas.

O Coronel Rostami continuou caçando Foxbats e foi premiado por sua persistência em junho de 1983. Durante uma patrulha aérea de combate sobre a Ilha Khark no Golfo Pérsico, o controle terrestre o avisou de uma aeronave iraquiana se aproximando do norte a uma altitude de 21.000 m e uma velocidade de quase Mach 2,5.

Executando uma série de subidas (tipo degrau) enquanto acelerava de Mach 0,4 para Mach 1,5, Rostami subiu a uma altitude de 12.000 m. A distância entre as aeronaves – que se moviam rapidamente – diminuiu rapidamente de 241 km para 64 km antes do RIO de Rostami, o Tenente Mohammad Rafie, fixar o alvo à raposa iraquiana e disparar um míssil AIM-54A Phoenix.

O pesado míssil trovejou alto para o céu, enquanto Rostami manobrava seu Tomcat uns 20 ou 30 graus para o lado. Alguns segundos depois, o Phoenix acertou o MiG-25 num golpe direto, convertendo o Foxbat em uma gigante bola de fogo enquanto destroços flamejantes caiam em direção ao solo.

Investigações subsequentes revelaram que o Foxbat em questão era um MiG-25R pilotado pelo Coronel Abdullah Faraj Mohammad, comandante do esquadrão nº 84 da Força Aérea iraquiana. O sistema de alerta de radar de Mohammad falhou naquela missão. O controle de solo avisou o Coronel da presença de um oponente na sua frente, mas ele continuou – e pagou o preço pelo erro.

Os F-14 iranianos continuaram a caçar os MiGs-25 iraquianos até o final da guerra, mas sem qualquer sucesso, até onde se sabe, pois mesmo hoje, as informações são desencontradas. Os iranianos alegam números de abates que a comunidade de historiadores militares negam que sejam reais. Por sua vez, pilotos iraquianos veteranos da guerra confirmam apenas uma derrota do MiG-25 durante todo o conflito.


FONTE: War is Boring


NOTA DO EDITOR: Infelizmente os dados são escassos e, quando existem, são fragmentados.

19 COMENTÁRIOS

  1. A guerra Irã-Iraque é um conflito que me desperta um certo interesse pelos aspectos, digamos, exóticos envolvidos.

    Um conflito de longa duração, com apoio de potências internacionais de ambos os lados, jatos e tecnologias relativamente modernas dividindo espaço com uma guerra de trincheiras, uso de armas químicas, ataques contra alvos civis… E ainda assim, uma guerra praticamente esquecida no Ocidente.

    Um verdadeiro atoleiro para os dois lados. Quanto sangue não foi derramado à toa nos desertos e pântanos..

    • Não estou dizendo que foi tudo culpa da Inglaterra, França e EUA, mas boa parte da zona que o OM se tornou foi por culpa de suas decisões idiotas pós 2GM.

      • Diria, até, que os problemas foram gestados em 1916 e 1917 com o Acordo Sykes-Picot e a Declaração Balfour. Potências coloniais que tiveram o capricho de fazer tudo errado.

        • Não estamos interessados em suas bravatas e muito menos em seu antissemitismo Xings! Tente outra vez…

        • É que antes de 1916 lá era um mar de flores, onde todas as pessoas sorriam, dançavam e abraçavam os unicórnios.

          • Pelo menos não tinha ninguém de fora para atrapalhar, exceto os turcos otomanos, né?

        • Em tempo, Galileu. Evidentemente que os fatos políticos de 1916 e 1917 desaguaram no erro maior que foi a criação de um Estado alienígena na região e sem consultar os habitantes que lá viviam há séculos. Deu no que deu. Não há paz possível para aquela região. Por enquanto.

          • O único erro aqui é o seu antissemitismo Xings! Não estamos interessados em preconceito e também em recalque com as frequentes derrotas que o Estado Judeu impõe aos fascistas da região.

    • Interessante é que o Iraque saí esfacelado economicamente desta guerra. Sem contar que focos de rebeldia começaram a aparecer pelas diferentes etnias do país.

      Saddam Hussein tem então uma ideia brilhante para reunificar o país e recuperar sua economia: invadir um país vizinho, pequeno e mais fraco, tomar posse de seus ativos financeiros no exterior, sua riqueza subterrânea e ainda alavancar o preço de sua única commoditie em razão da crise.

      O que aconteceu a partir daí é fato notório…

    • É porque um dos sujeitos é descendente de judeus e não admite nenhum comentário contrário à Israel ou favorável a seus inimigos. Aí então, vira tudo antissemitismo como se isso fosse resolver tudo.
      Sem contar os indefectíveis american fanboys. Esses são irreparáveis.

      • Seu antissemitismo e sua constante apologia ao fascismo são público e notórios Cings! Assuma suas atitudes….

Comments are closed.