f-14-iriafNo início da década de 1970, Irã e Estados Unidos eram muito próximos e as frutíferas relações apontavam para uma aliança duradoura.

f-14_iriaf_patchAproveitando essa esfera de boas relações, o Irã foi as compras e o F-14 Tomcat encantou o Xá. A vinda dessas aeronaves forçou a União Soviética a rever sua doutrina de invasão do espaço aéreo Iraniano, e a adotar outros caminhos.

Em janeiro de 1974 o Irã fechou a compra de 30 F-14 e 424 mísseis AIM-54 Phoenix. Poucos meses depois, os números subiram para 80 caças F-14 e 714 mísseis AIM-54 Phoenix, além de peças sobressalentes e motores para 10 anos de operação, e nisso incluía-se uma infraestrutura completa, com a construção da base aérea de Khatami nas proximidades de Esfahan, no centro do país.

Porém, durante o conflito Irã-Iraque, que se iniciou em 22 de setembro de 1980 e durou mais de 8 anos, nesse período o F-14 teve muitas façanhas, dados interessantes e situações inusitadas que valem ser lembradas.

A primeira vitória ar-ar de um F-14 ocorreu na primeira semana do conflito quando um helicóptero Mil Mi-25 Iraquiano foi abatido. Nos primeiros seis meses do conflito os Tomcats iranianos já haviam colecionado ao menos 50 vitórias, e durante o mesmo período apenas um F-14 sofreu danos quando destroços de um MiG-21, abatido a queima roupa, atingiram o caça.

art_1f-14_iriaf_tomcatsAo término do conflito, foram creditadas aos Tomcats da IRIAF (Força Aérea iraniana) 160, ou mais, vitorias ar-ar. Os Iraquianos reivindicaram ter abatido 70 caças F-14, porém, órgãos internacionais tem estimativas bem diferentes, que dão números entre 12 e 14 F-14 perdidos, sendo que apenas 3 por oposição aérea ou artilharia iraquiana, 4 por fogo amigo da defesa aérea iraniana, 2 em circunstancias não esclarecidas e as demais perdas por acidentes.

Os F-14 foram usados como plataformas aéreas de alerta aéreo em sua função primaria, não obstante algumas missões duravam até 9 horas, e incluíam interceptações.

O Capitão Yadulla Khalili detém o voo de caça com maior duração, com mais de 11 horas ininterruptas e oito reabastecimentos aéreos em missão de patrulha aérea de combate (PAC).

Um abate singular

“Nas primeiras semanas do conflito, em uma noite (aproximadamente as 23h00min, hora local) entre os dias 5 e 10 de novembro de 1980, um elemento F-14 pilotado pelo Capitão Mohammad Mosbough, e pelo Operador de Radar (RIO) Capitão Asad Adeli, voando a uma altitude de aproximadamente 25 000 pés (7 000 m), próximo a ilha de Kharg, (instalação das refinarias Iranianas e de vital importância para o Irã), detectaram três MiG-23 voando em formação extremamente fechada a 65 milhas (104 km) de distância, aproximando-se da ilha a uma altitude e 30 000 pés (10 000 m).

f-14-iriaf-top f-14_iriaf_tomcats_carrying_aim-54_phoenixsComeça a interceptação silenciosa, pois os MiGs não haviam detectado a presença do solitário Tomcat, que se aproximava por abaixo e a esquerda. O RIO solicitou ao piloto uma corrida para uma melhor aproximação, afim de aumentarem as chances de acerto do AIM-54 Phoenix.

Vale lembrar que a prioridade de engajamento do sistema do radar do F-14 escolhia sempre a aeronave mais a frente, classificada como número 1, sendo que a aeronave do meio era a número 2 e a mais distante a número 3. Nesse momento, o piloto questiona RIO para engajar número 2, pois pela formação cerrada em que voavam os Floggers, ele acreditava que causaria danos a mais de uma aeronave e poderia forçá-los a abandonar a região.

Então a 30 milhas (48 km) de distância, o AIM-54 Phoenix foi lançado e se iniciou a contagem no radar. Logo que o número chegou a zero, houve o “splash” e o contato radar sumiu. O F-14 inspecionou o local do abate, mas por ser noite e numa região marítima, não observaram nada que indicasse os destroços dos três MiGs, então o F-14 voltou a sua missão original de Alerta aéreo antecipado.

f-14_iriaf_aim-54No dia seguinte foram encontrados os destroços, não de um, mas de três caças MiG-23 iraquianos. Um único AIM-54 abateu três alvos!

São inúmeros os relatos sobre os Tomcats no conflito acima mencionado, e de fato, os Gatos persas tiveram muitas vitorias, recebendo o apelido de MiG killers. O Capitão Jalil Zandi é atribuído o título de maior piloto de F-14, com 11 vitorias ar-ar.

Estimativas atuais indicam que o Irã tenha ainda entre 15 e 25 Tomcats operacionais, porem são células com mais de 35 anos de muito uso, principalmente no conflito, mas vale lembrar que o seu uso apenas terrestre, sem os rigores de um porta-aviões, contribuiu muito para a sua vida útil.

Meu total respeito ao F-14, que independente do operador, mantém um lugar de honra no hall das aeronaves mais famosas e suas façanhas.


TEXTO: LongTor1


FONTES de pesquisas:

F-14_Tomcat operational history

The-F-14 Tomcat in combat

Air Space

 

Anúncios

30 COMENTÁRIOS

  1. Na década de 80 quem operava melhor o f-14 , os persas ou a u.s.n ? Qual força desenvolveu doutrinas mais inteligentes com o tom ?

  2. Verdade, Giordani, vc tocou em um ponto crucial: sem os extremos das decolagens lançadas e dos pousos enganchados, a estrutura certamente aguentou por muito mais tempo. Os da USN terminaram no osso, e assim devem estar os do Irã.

    Sds

    • Na realidade, não exatamente.

      Os F-14A que foram produzidos nos anos 70, foram aposentados em 2004 por causa de rachaduras na tomada de ar. Mas os F-14B e principalmente os F-14D tinham pelo ao menos mais 10 anos de vida útil.

      Existe um F-14D no museu do Smithsonian em Washington D.C que está tão conservado que dizem que pode voar novamente…

      P.S: Dia 21 de Dezembro vai sair um especial bem legal, fiquem de olho! 😉

  3. Ótima história. De qlqr jeito, parece q os pilotos iranianos são mt bons.

    • Os iranianos tinham de ser bons, pois era questão de sobrevivência.
      Um erro estratégico que os iraquianos cometeram foi acharem que os militares iranianos se rebelariam contra o regime do Aiatolá. Acontece que os militares, principalmente a Força Aérea, eram patriotas. Obviamente que o Aiatolá deu umas regalias para eles, coisa que o povo não recebeu. Para azar dos iraquianos, e sorte do Aiatolá, os pilotos eram bons e o Xá comprou o que o Ocidente tinha de melhor. E pensar que o Eagle era o preferido dos militares…
      Essa guerra foi extremamente estúpida, assim como todas as guerras, mas essa tinha protagonistas demais. Quando o Iraque percebeu o atoleiro que se meteu, correu pedir ajuda para quem? Para o Ocidente, que por intermédio da França, recebeu apoio logístico e material, como por exemplo caças Mirage F.1 e mísseis Exocet. Já o Irã, por conta do seu regime, se viu isolado. Não podia contar com o apoio da URSS, pois já estava em rota de colisão com os soviéticos havia muito tempo. Quem saiu em ajuda ao Irã? Quem? Israel! Sim, os israelenses forneceram peças de reposição e dados estratégicos aos persas, pois enquanto o Irã estivesse ocupado se desgastando naquela guerra, não teria tempo nem fundos para financiar o terrorismo contra o Israel.

      • Giordani,

        Não esqueça o caso 'Irangate', no qual os americanos forneceram peças para os AIM-54 nas mãos dos persas, além de outros itens ( Israel foi o intermediário ). Isso quase causou a queda de Reagan.

  4. Tche !

    Ficou top, e que beleza de imagens Gio!

    E importante não esquecermos que o F-14 e outras aeronaves no passado tiveram historias de gloria que não podem ser esquecidas.

    Parabens, e Obrigado Gio!

  5. Excelente matéria. Muito bom mesmo…!

    'Phoenix' – F-15 'Silent Eagle'…. Combinação dos sonhos… 🙂

    • Até aproveito para deixar uma pergunta: por quê raios tiraram o Phoenix de produção??

      • Razão simples, pois o único caça feito para carregar o AIM-54, que é o F-14, foi aposentado.

        O AIM-54 pesava 1.000lbs, não tem como simplesmente usar operacionalmente em um F-15 ou F-16.

        • Será que não encaixaria no 'gordinho' F-35?

          O comprimento é semelhante a JDAM de 2000 libras.

            • Repensando a questão, as aletas dele aumentam muito o diâmetro do Phoenix, acho que também não cabe.

          • Não, não levariam. Como eu já disse anteriormente, não era possível usar o AIM-54 operacionalmente no F-15 e F-16.

            A NASA já tentou testar o AIM-54 no F-15, não deu certo. O F-15 só podia levar os AIM-54 nos hardpoints para tanques externos. Ou seja, um F-15 poderia carregar no máximo 3 mísseis AIM-54, mas nenhum tanque externo, o que deixaria o alcance muito limitado.

            • Compreendo Ufric. Não tinha conhecimento disso. Mas imaginava que houvesse algum empecilho, já que os EUA não iriam simplesmente deixar esse míssil de lado sem justificativa (americano e russos não dão ponto sem nó).

              Grato por sua explicação!! 😉

              P.S.: A propósito, só por curiosidade: se um Phoenix "caísse" em mãos russas, e houvesse um cópia (é só um faz de conta rsrsrsrs…), em qual avião russo ele poderia se encaixar? Mig-31?

              • Não há como, amigo.

                Pois como te contei, para operar o AIM-54, só o F-14.

                Se quisessem usar o AIM-54 com o Tomcat aposentado, seria necessário criar uma nova aeronave. Ou não aposentar o Tomcat!

                Sobre sua dúvida, os russos já possuem um míssil similar ao AIM-54, é o R-33, feito exclusivamente para o MiG-31.
                Embora o R-33 seja inferior ao AIM-54 em todos aspectos, fica na mesma categoria. Os Russos já possuem o R-37, que é o sucessor do R-33, sendo muito superior ao AIM-54, mas também 30 anos mais novo! 🙂

  6. Por isso que uma boa quantidade de bons caças + um ótimo missel deixaria qualquer força aérea de cabelos em pé
    Se o Brasil quiser ter poder pra afastar possíveis aventuras bélicas em terras Sul americanas precisamos ter no minimo:

    120 Gripens
    300 Excocet pra nossos p3, caracal, Gripens e navios.
    12 AWACS, AEW&C nas novas plataformas do E-195
    38 KC-390
    12 E-195 versão marítima
    120 VANTs pra nossas fronteiras e 40 VANTs equipados com mísseis Ar-Terra
    10 KC-767
    300 Tucanos

    É pra marinha
    18 SU-24
    4 Kc390
    50 Caracal com sondas pra reabastecimento + Excocet
    VANTs
    12 Subs
    10 fragatas coreanas
    20 Napoc, 15 corvetas e 3 navios doca.

    Sera que é sonhar d+?

    • Seria uma formidavel força e verdade . So descordo de você em relação ao SU-24 . Acho que os F-18F equipados com os Harpoon seriam melhores . Mais e como você disse , sonhar d+ .

  7. Leonardomurgi, isso não é um sonho, é um pesadelo.
    A FAB não teria a menor condição de manter tudo isso voando.

    • Se reduzir o número de 80mil militares pra 18mil e as aposentadorias pra filhas de generais conseguiria sim.

      Ou se o Brasil entrar em guerra vamos mandar os velhinhos pra guerra?
      Muita coisa poderia ser terceirizada pela Fab tais como:
      Hospitais, parte burocrática, limpeza, redução de bases, etc.. Etc..

      Se a Índia consegue ter o que tem pq nos não?

      • Se começarmos a substituir boa parte dos militares de carreira por temporários/civis, ainda assim o impacto sobre os pagamentos de pensões e aposentadorias só poderiam ser sentidos daqui uns 20 anos, pelo menos.

      • Porque "filhas de generais"? Qualquer militar de carreira que entrou antes de 2001 pode deixar pensão para a filha se contribuir com o desconto voluntário.
        Dia a dia com o falecimento das velhas pensionistas cuja pensão não passa mais as suas filhas, e o número menor de militares que tem direito de deixar pensão as filhas, o número vai diminuir, até acabar.
        Claro que vai existir por um bom tempo, tenho um amigo da FAB que faleceu de câncer a dois anos e deixou uma pensão de uns R$15.000,00 para a filha de 20 anos, portanto esta filha ainda vai receber a pensão por uns 60 anos ou mais, até morrer e não deixará para sua filha como antes, mas pode se casar que não perde o direito.
        Quem tem menos de 15 anos de serviço hoje não tem direito de passar a pensão as filhas, nem que queira descontar a contribuição, o que não pode.

Comments are closed.