varig 01Na tarde de 11 de julho de 1973, um acidente na rota entre o Rio de Janeiro e Paris chocou o mundo.

Há 41 anos, na tarde de 11 de julho de 1973, um acidente na rota entre o Rio de Janeiro e Paris chocou o mundo. Quando faltava apenas um minuto para atingir a pista do aeroporto de Orly, o Boeing 707 do voo RG 820 da Varig fez um pouso forçado sobre uma plantação de repolhos, no vilarejo de Saulx-les-Chartreux, ao sul da capital francesa.

Das 134 pessoas que haviam embarcado no Aeroporto Internacional do Galeão, 11 sobreviveram – dez tripulantes e um passageiro. Entre os 123 mortos, encontravam-se personalidades ilustres, como o então presidente do Senado, Filinto Muller, o cantor Agostinho dos Santos, a atriz Regina Lécrery e o iatista Joerg Bruder.

Quem estuda os detalhes do ocorrido com o voo 820 – narrados pelo jornalista Ivan Sant’Anna em seu livro Caixa-preta – não tem dificuldade para entender por que até hoje o acidente é considerado um dos mais dramáticos da história da aviação comercial.

varig 02O voo 820 foi tranquilo até os instantes finais. Os passageiros, seguindo as instruções da tripulação, já estavam em seus assentos, com os cintos afivelados. Ninguém a bordo tinha percebido que um incêndio estava em curso na parte traseira do avião. Investigações oficiais posteriores concluíram que o fogo se iniciou numa cesta de lixo de um dos banheiros, provavelmente por causa de um cigarro aceso ali deixado por um passageiro.

Faltando poucos minutos para o pouso, o fundo do avião, na classe econômica, começou a ser invadido por uma fumaça densa e tóxica. Rapidamente, ela tomou conta de toda a cabine, inclusive o cockpit de comando, na parte dianteira. Os passageiros começaram a desmaiar e o pânico atingiu a tripulação. Os pilotos não conseguiam enxergar nem mesmo o painel de instrumentos por causa da fumaça e perderam a comunicação com a torre de comando do aeroporto de Orly. A cerca de 5 quilômetros do destino, foi tomada a decisão de fazer um pouso forçado. Depois de se arrastar por 600 metros, o Boeing estacionou.

Dez dos 17 tripulantes que estavam na cabine de comando, ou perto dela, conseguiram escapar. Um dos passageiros foi retirado com vida pelos bombeiros. Como o fogo se alastrou rapidamente, acabou matando os passageiros que haviam sobrevivido à fumaça, mas estavam desmaiados em seus assentos.

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Passados 41 anos, a tragédia no voo 820 ainda é cercada por polêmica. Será que os pilotos agiram corretamente ao decidir fazer um pouso de emergência? Os tripulantes não poderiam ter feito algo a mais para tentar salvar os passageiros? O material usado pela Varig no revestimento do avião teria contribuído para a intoxicação dos passageiros? O fato é que, diante das causas do acidente, autoridades do setor aeronáutico passaram em 1974 a adotar novas medidas de segurança, entre elas a proibição do fumo nos banheiros. Posteriormente, o fumo seria banido nos aviões.

Um dos sobreviventes, o comandante do voo 820, Gilberto Araújo da Silva, viria a morrer em 1979, em outro acidente aéreo. Dessa vez, o avião que pilotava – um Boeing 707 cargueiro, da Varig, desapareceu sobre o Oceano Pacífico 30 minutos depois de decolar de Tóquio. Como nenhum sinal do avião jamais foi encontrado, esse acidente é até hoje um dos maiores mistérios da aviação mundial.

TEXTO: LaMarca

 

FONTE: Official accident investigation report VARIG Flight 820 Boeing 707-345C PP-VJZ (Rio – Paris) [11 Jul 1973]

24 COMENTÁRIOS

  1. O amigo está confundindo as coisas. O incêndio que ocorreu a bordo foi no isolamento, mesmo que as pessoas pudessem usar algum tipo de mascara, elas teriam morrido por causa do altíssimo calor gerado. Vale lembrar também que o sistema de geração de oxigênio é limitadíssimo e também gera calor. No meu tempo de chão, removi muitos geradores vencidos.

  2. Então proibiram as (aeronaves) reciclagens aéreas russas de voar no Farnborough air show?

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