Trinta anos atrás, o governo de Israel cancelava o desenvolvimento do caça, mas até hoje os argumentos para tal são considerados “fracos”.

O texto a seguir é de Kobi Richter, ex-chefe do Departamento de Armas da Força Aérea de Israel.

Há trinta anos, 26 ministros do governo tiveram que decidir o destino do jato, considerado na época o melhor avião de combate do mundo e a maior conquista tecnológica de Israel. A maioria dos ministros não fazia a menor ideia de como um avião consegue voar ou do nível de engenharia necessária para projetar e produzir um avião de combate moderno, provavelmente o sistema de engenharia mais complexo produzido pelo Homem.

Houve muita manipulação política atrás dos bastidores que contribuiu para o resultado: 13 contra, 12 pela continuidade e 1 abstenção. Mas três argumentos apresentados aos ministros, sem dúvida, influenciaram no resultado final. Era tudo mentira.

IAI LAVI

O representante da Força Aérea de Israel anunciou que uma redução foi planejada no número de aviões de combate em sua estrutura e, portanto, se o programa Lavi fosse continuado, a IAF não precisaria além de 80 aeronaves. O programa Lavi baseou-se em uma produção de 120 aeronaves.

Isso era algo que todos os ministros podiam entender. Não era preciso uma calculadora para concluir que essa redução drástica dobraria ou triplicaria o custo de cada Lavi, tornando-se consideravelmente mais caro do que um F-16. Havia apenas um problema neste argumento. Nos anos seguintes, a IAF adquiriu mais de 200 caças F-16. A produção projetada não era verdade.

O representante da IAF deu outra surpresa para os ministros. Ele disse que a Força estava planejando no futuro para adquirir o futuro caça dos EUA Advanced Tactical Fighter, que na ocasião se encontrava num período inicial de desenvolvimento. Seria um avião consideravelmente mais avançado que o Lavi, então para quê o Lavi? O ATF deu origem ao F-22, tornou-se operacional na Força Aérea dos EUA 18 anos depois, e a um preço astronômico e não foi adquirido pela IAF. Era mais uma mentira.

Então chegou a vez do representante do Ministério da Defesa.

Consciente de que nenhum dos ministros em torno da mesa gostaria de ser responsável por demitir engenheiros e empregados no projeto Lavi, um funcionário produziu gráficos para mostrar aos ministros que ninguém seria demitido.

Shimon Peres no cockpit do Lavi

De acordo com os gráficos, o ministério iria lançar uma série de programas avançados de engenharia, denominados “alternativas Lavi”. Ao lado de cada um desses programas, o gráfico mostrava o número de engenheiros que seriam empregados. A soma total foi adicionada ao número de engenheiros que trabalhavam no Lavi. Que alivio! Ninguém teria que ser demitido. Mas a lista das “alternativas Lavi” acabaram na lata de lixo do Ministério da Defesa.

Centenas dos melhores engenheiros de Israel foram demitidos após o cancelamento. Também havia um elemento bizarro, quase cômico, no debate do governo que concluiu com a trágica decisão. Shimon Peres, que tinha sido fundamental na fundação da Israel Aircraft Industries, e foi considerado seu patrão por muitos anos, liderou a oposição contra o Lavi. Ele explicou aos ministros que o avião não estava suficientemente avançado. Portanto, concluiu, o programa deveria ser cancelado, e em seu lugar, o desenvolvimento de uma aeronave mais avançada deveria ser lançado, o qual ele chamou “Lavi 2000”. Ezer Weizman, ex-comandante da IAF, por outro lado, explicou que o Lavi era uma aeronave muito avançada para a IAF e, portanto, o programa deveria ser cancelado.

E foi assim que o Lavi perdeu. Com certeza um dos melhores aviões de combate do mundo, projetado por engenheiros israelenses, com a participação de muitas indústrias de aeronaves dos EUA e apoiado por Ronald Reagan.


FONTE: Haaretz


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32 COMENTÁRIOS

  1. Já pararam para pensar que o Lavi poderia não ser esta maravilha toda e que valia mais a pena continuar com o F16 que já estava disponível, a um bom preço e sem nenhum tipo de restrição ?

    As teorias de conspiração são sempre mais divertidas, mas normalmente são apenas teorias.

    Israel tomou o caminho inteligente em investir em sensores e armas ao invés do ciclo completo.

    Pessoalmente sempre achei que este seria o melhor caminho a ser adotado por aqui idem, mas aqui se quer tudo de tudo e no fim terminamos sempre com o nada de nada.

    • Tem certeza?

      A França tem dificuldades de financiamento e dificilmente se arrisca novamente sozinha, a Suécia procura como louca clientes para manter linha aberta, europeus tiveram que se unir em um caça comum, a Boeing desesperada…

  2. O Lavi não seria um sucesso de exportação, fato. Era recheado de tecnologias vitais provenientes do EUA, poucos países teriam chancela para comprar, e esses poucos países já estavam comprometidos como F-16.
    E sem vendas externas, seria proibitivo o custo para a IAF comprar e operar esse caça, uma excelente obra de engenharia, mas não econômico.
    O que me lembra um certo vetor tupiniquim, que passados 40 anos, ainda não está com sua configuração definitiva totalmente implementada.