O motor GP7270 número 4 do Airbus A380 da Air France que começou a desmanchar em pleno voo.

Um Airbus A380-800 (matrícula F-HPJE) operado pela Air France, com 497 passageiros e 23 tripulantes, foi forçado a fazer um pouso de emergência no leste do Canadá depois que um de seus quatro motores GP7270 começou a “desmanchar” em voo sobre o Oceano Atlântico.

A aeronave estava voando de Paris para Los Angeles, quanto em rota a 37.000 pés de altitude, a cerca de 370 quilômetros ao sudeste de Nuuk (Groenlândia), quando o fan e a entrada do motor simplesmente se desprendeu do restante do motor, levando os pilotos a pousarem em Goose Bay, Labrador, informou a companhia no domingo em um comunicado.

Ninguém no Voo 66 da Air France ficou ferido e foram feitos arranjos para levar os 497 passageiros para a Califórnia, disse a companhia aérea, que mandou um 777 e um 737 para transportar todos passageiros. A Airbus e a agência de investigação de acidentes aéreos da França (BEA) enviaram uma equipe de especialistas para o Canadá para analisar a aeronave e o motor número 4 que teve problemas, disseram. A agência de segurança de transportes canadense (TSB) informou que enviou uma equipe de investigadores para Goose Bay para coletar provas e avaliar a ocorrência.

Os passageiros relatam que foram mantidos a bordo da aeronave até a chegada da aeronave de substituição porque o aeroporto não tem escadas para acomodar o A380. Uma inspeção de pista descobriu detritos na pista após o pouso, que precisou ser limpa antes que a pista pudesse ser reaberta para outras aeronaves.

Embora as falhas do motor não sejam incomuns, as chamadas falhas sem contenção, quando a parte externa protetora do motor conhecida como carenagem se separa isso sim é raro. Tais problemas são mais graves porque podem causar danos catastróficos à asa onde está armazenado o combustível ou o sistema hidráulico que ajuda a controlar as superfícies móveis. As turbinas a jato do avião da Air France são fabricadas pela Engine Alliance, uma joint venture da General Electric e a Pratt & Whitney. A Alliance disse no Twitter que está ciente do incidente ocorrido no sábado e que está analisando os dados.

As fotos postadas pelos passageiros on-line mostraram a exterior dos dois motores sob a ala direita com danos extensos e todo o anel frontal da carenagem externa faltando. A Pratt & Whitney é uma empresa da United Technologies, e a fabricante também equipa o Airbus A320neo com motores atualizados, enquanto a GE e a parceira Safran oferecem um produto concorrente.

Trajeto feito pela aeronave em emergência.

O incidente é o mais severo desde que a Qantas Airways em 2010 aterrou as seis aeronaves A380 depois de uma explosão em um dos motores do avião. Essas fontes de energia foram feitas pela Rolls-Royce, cujo modelo Trent 900 é o outro motor disponível para escolha pelos clientes do A380. Os jatos da Qantas ficaram fora de serviço por 18 meses para reparos e retestes.

O avião A380 está entre a cada vez mais rara linha de aeronaves alimentadas por quatro motores. Os outros dois aviões ainda em uso são o Boeing 747, bem como o A340, que já não é mais produzido. As companhias aéreas agora favorecem os modelos de dois motores porque são mais eficientes em termos de combustível e as aeronaves bimotoras tornaram-se mais confiáveis, mesmo depois de um mau funcionamento de um motor. As aeronaves como o Airbus A350 são certificadas para voar por várias horas com apenas um motor para chegar ao próximo aeroporto e realizar pousos de emergência.

A aeronave após o pouso em Goose Bay, Labrador. (Foto: David Rehmar)

Após uma década em serviço, a Airbus reduziu a produção do A380, o maior avião de passageiros do mundo, para apenas uma unidade por mês. A Air France opera 10 exemplares da aeronave. O maior usuário do gigante jato é a Emirates, que usa principalmente turbinas da Engine Alliance para seus aviões, mas mudou recentemente para o modelo da Rolls-Royce.

Colaborou o amigo Mauro Lins de Barros.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Um baita estrago! Ainda bem que não houve uma catástrofe, pois é bem provável que houve sérios impactos na asa.

  2. Imagine vc vendo a cena deste motor se despedaçando ao lado… Que terror!

    • Se foi! Mas eu queria mesmo era saber se há informação quanto a algum registro de alerta emitido pelos sensores do motor, vibração, temperatura, etc… Talvez possa ter sido algo relacionado a lubrificação por exemplo ou outra coisa que possa ajudar a esclarecer o caso, é difícil de acreditar que o fan se desprendeu sem mais nem menos.

  3. Uma duvida para os experts, é possivel voar somente com 1 motor ou com dois no caso de uma aeronave de quatro motores, mas ambos somente numa asa?
    Pergunto isso porque outro dia vendo mayday no NatGeo, sobre o acidente do fokker da TAM, disseram que mesmo com o reversor acionado em voo, ainda assim é possivel voar desde que não aumente a vel,. Dai fiquei na duvida se mesmo com reversor acionado em voo o motor fornece potencia ou se com 1 motor só, a aeronave voa, e claro tem as variaveis, era um fokker e eu estou pondo o A380 na parada.

    • Estas análises "tênicas" feitas pós-desastres são uma grande furada… Fatores técnicos são uma coisa mas levar em consideração o fator humano é algo muito complexo e delicado, por exemplo no caso do Fokker ficou provado que a causa foi falha técnica mas mesmo que houvesse uma chance daquela aeronave ter sido salva… não daria pra imaginar que os pilotos considerariam alguma reação específica e tão rapidamente sendo que além de terem de lidar com o problema, tiveram que lidar com o fato de que estavam decolando uma aeronave cheia de vidas, carregados com combustível e sobre centenas de casas…

      O fator humano manda muito e um bom exemplo é o caso do voo 447, onde a aeronave podia se manter voando mas os pilotos não conseguiram interpretar o que a aeronave estava dizendo. Então o que tecnicamente é possível, esbarra no fator humano, que quase nunca pode ser considerado.

    • Sim, o centro de massa tão distante…. como sou leigo nisso e pelo que vi no caso descrito do fokker da TAM, dai fiquei com aquela duvida kkkk

    • Por coincidência ontem ainda revi o episódio May Day – Desastres Aéreos do voo 1862 da El Al. Um 747 cargo que perdeu dois motores do mesmo lado, após decolar de Schiphol, em 1992.
      Estudos posteriores (sem contar outros aspectos, como o humano, citado pelos colegas acima) mostraram que outros pilotos, em simulação, também não conseguiram, com 2 motores do mesmo lado da asa, retornar ao aeroporto e pousar seguramente. Claro, contou também o grau de destruição dos slats (no programa falam flap), mas mesmo sem a atuação destes, o pouso seguro não seria possível…
      Agora, de um ponto de vista mais leigo, creio que esse caso do A380 da AF foi um milagre: já pensaram se o fan ou outra parte bate no outro motor, ou "rasga" a asa, sobre o Atlântico?
      Quanto a bireatores e operações ETOPS, tem um ditado antigo: quem tem dois, tem um; quem tem um, não tem nenhum.

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