Caça F-16AM da Força Aérea Portuguesa realiza uma passagem sobre a Base Aérea de Beja. (Foto: Filipe Barros / Cavok)

Durante o período de 3 a 17 de março realizou-se em Portugal a nona edição do Exercício Real Thaw, na Base aérea de Beja (BA11), com a coordenação do Comando Aéreo, órgão da Força Aérea Portuguesa responsável pelo treinamento e aprimoramento das unidades operacionais, seja através de operações aéreas na defesa dos interesses nacionais, seja na participação em operações militares nos mais diversos quadros de cooperação internacional (OTAN e UE). O Cavok Brasil esteve presente e mostra aqui imagens exclusivas de um dos maiores exercícios militares europeus.

O exercício. focado na integração e interoperabilidade das várias forças participantes, destaca a execução das seguintes missões:

  • Defesa do Espaço Aéreo;
  • Proteção a helicópteros e viaturas terrestres de transporte em missão humanitária;
  • Apoio aéreo aproximado a forças terrestres e operações especiais;
  • Extração de elementos militares ou civis, com e sem  ameaça aérea;
  • Lançamento de carga aérea e paraquedistas;
  • Busca e salvamento em zonas de combate;
  • Evacuações aeromédicas;
  • Operações CIMIC (Cooperação Civil-Militar)
  • Defesa de meios aéreos de importância estratégica;
  • Ataque convencional com armamentos guiados e de alta precisão a alvos fixos e móveis;
  • Ataque convencional a forças marítimas.

O REAL THAW

Apesar de ter nascido junto a Esquadra 301, atualmente o REAL THAW é planejado e executado pelo Comando Aéreo, tendo-se constituído como o exercício anual da Força Aérea Portuguesa. Conduzido em ambiente conjunto e combinado, o seu objetivo principal é o treinamento, qualificação e certificação das várias unidades e sub-unidades da Força Aérea, visando a sua projeção para um Teatro de Operação (TO).

Ao nível táctico, o exercício está focado na integração e interoperabilidade das várias forças participantes, de forma a proporcionar-lhes os requisitos de treino adequados à execução das suas qualificações nas missões as quais são atribuídas, e neste desígnio, envolvê-las num espectro de missões o mais realista e abrangente possível.

O exercício na Base Aérea Nº11 (BA11), em Beja, funciona como Base Operacional de Implantação (DOB) para as várias unidades. As missões decolam diariamente para as áreas de treinamento, onde ocorre a ação do dia, regressando posteriormente à Base. Com este modelo pretende-se maximizar as coordenações inerentes a cada uma das missões, bem como assegurar um briefing e debriefing com a participação de todos os participantes, dando assim ênfase aos aspectos de segurança e às lições apreendidas.

Baseados em critérios de competência, participam atualmente do Real Thaw vários meios aéreos nacionais, mas sobretudo, internacionais, o que permite às várias Unidades da Força Aérea Portuguesa aperfeiçoar as suas ações durante o trabalho com outros meios e unidades.

Participaram do Real Thaw 2017 as seguintes aeronaves:

  • Força Aérea Portuguesa: F-16AM Fighting Falcon, Alphajet, C-130H Hercules, C-295M, P-3C+ Cup, Alouette III, EH-101 Merlin
  • Força Aérea da Bélgica: C-130 Hercules
  • Força Aérea da Espanha: F-18 Hornet, C-212 Aviocar
  • Força Aérea dos EUA: C-130J Super Hercules, MV-22 Osprey
  • Força Aérea Francesa: E-3A AWACS
  • Força Aérea da Holanda: C-130 Hercules
  • OTAN: E-3A AWACS, Diamond DA-20

A Dinamarca, EUA e Holanda enviaram também Controladores Aéreos Avançados (TACP).

O CENÁRIO

O REAL THAW é desenvolvido num cenário que tem por base um contexto de Operação de Resposta a Crises (CRO) no âmbito da ONU.

Normalmente são criados três países fictícios: o primeiro, um país democrático e pró-ocidental (país Azul); o segundo, um país anti-democrático e agressor (país Vermelho); e entre estes dois, um terceiro país (país Verde) alvo de agressões por parte do país Vermelho. O país Verde caracteriza-se por ter uma situação permissiva, onde a liderança política é favorável à entrada de forças Aliadas, mas onde a maioria da população é contra esta situação. No país atuam inclusivamente pequenos grupos de resistência com ligações ao país Vermelho e com capacidade bélica suficiente para provocar perdas às forças Aliadas.

Deste modelo de cenário, apesar de imaginário, facilmente se encontrará semelhanças com situações reais atuais em alguns pontos do globo. Assim, durante a realização de missões de elevada importância para a condução da campanha aérea (ajuda humanitária, extração de refugiados ou pessoal não militar, operações de resgate, etc…), é pedido às forças Aliadas que mantenham a superioridade aérea na área de operações, podendo ser chamadas, quando estritamente necessário, a empenhar armamento contra alvos – aéreos ou terrestres – na eminência de provocar danos ou baixas às forças amigas.

O cenário permite dar forma ao principal objetivo do exercício: exercitar e treinar a integração e interoperabilidade das forças em operações conjuntas e combinadas. Este é o principal desafio colocado aos esquadrões participantes. Mais do que operações para resolução de conflitos, pretende-se integrar as capacidades no planejamento das missões.

Sendo a coordenação das várias ações aéreas já complexo, essa exigência aumenta quando os esquadrões têm de interagir com as forças terrestres, na medida que uns são dependentes dos outros. Se adicionarmos a existência de forças opositoras constituídas por meios aéreos e terrestres, capazes de influenciar e perturbar o desenrolar das missões, essa complexidade aumenta exponencialmente. Para um evento desta natureza, a coerência do treinamento e os parâmetros de segurança são fatores determinantes – e obrigam principalmente um planejamento muito detalhado e minucioso.

O FUTURO DO REAL THAW

A continuidade do REAL THAW é essencial para a Força Aérea Portuguesa, não só para garantir um elevado nível de prontidão e competência técnica mas, essencialmente, para aprimorar o crescimento e consolidação táctica das Unidades Aéreas. Além do treinamento operacional, a sua realização é ainda decisiva na manutenção do moral dos militares envolvidos, pois motiva e estimula o seu profissionalismo e o seu espírito de missão.

Concomitantemente, por ser cada vez mais difícil a participação dos esquadrões portugueses em eventos no exterior, a realização de exercícios de grande dimensão em território nacional ganha cada vez maior importância. Estas também são premissas inerentes à execução do REAL THAW – sem suportar custos de deslocamento no exterior, a Força Aérea de Portugal assegura às suas Esquadras a participação num exercício de qualidade, garantindo com isso, o seu treinamento, preparação e aprimoramento, capacitando o cumprimento de destacamentos futuros.

Apesar de não ser negligenciável, o aspecto financeiro inerente à realização destes eventos em Portugal, os custos mais significativos são suportados pelas forças estrangeiras, uma vez que se deslocam a Portugal. Sendo que, são ainda responsáveis por trazer ao nosso país militares estrangeiros que contribuem de forma significativa para a dinamização econômica da região onde se realizam.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela cobertura!! De fato, a seleção das imagens estão ótimas!!

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