Um tupolev russo TU-142 voou pelo USS Mount Whitney da Marinha dos EUA durante o exercício militar liderado pela OTAN Trident Juncture, em 2 de novembro de 2018. no mar norueguês na costa de Trondheim, Noruega. (Foto: JONATHAN NACKSTRAND/AFP/Getty Images)

O zumbido de um avião de guerra da era da União Soviética vindo em baixa altitude sinalizou a chegada inesperada da Rússia ao maior exercício militar da OTAN desde o fim da Guerra Fria. Os fuzileiros a bordo do USS Mount Whitney, na costa norueguesa, reuniram-se para uma foto no convés quando o Tupolev Tu-142 russo sobrevoou o navio de guerra USS Mount Whitney.

“É um avião de reconhecimento e patrulha marítima de longo alcance”, disse um fuzileiro naval fascinado depois de lançar um olhar de especialista sobre o visitante.

Apesar de ter visto muitas imagens da aeronave, esta foi a primeira vez que viu ao vivo, por assim dizer.

A Rússia já deixou claro seu descontentamento nos exercícios do Trident Juncture da OTAN, o maior da aliança desde o final da Guerra Fria.

Eles alertaram que o exercício de duas semanas, que vê como uma demonstração de força anti-russa, não ficará sem resposta.

Na semana passada, Moscou anunciou planos para testar mísseis na região.

Segundo a Avinor, a operadora pública da maioria dos aeroportos civis da Noruega, a Rússia enviou um NOTAM (Notice to Airmen) sobre os testes de mísseis, entre os dias 1 e 3 de novembro no Mar da Noruega.

Qualquer teste de mísseis “não mudará o plano de nosso exercício”, disse o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, na quarta-feira.

“Não vimos nada parecido com um teste de mísseis, ou mesmo navios ou aeronaves na área que seriam relevantes para documentar ou monitorar testes de mísseis”, disse Robert Aguilar, capitão do USS Mount Whitney.

Sobras da Guerra Fria

A passagem do Tupolev parecia fazer parte da resposta da Rússia.

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, dois Tupolev TU-142 realizaram um “voo planejado” de mais de 12 horas.

“Todos os voos dos aviões marítimos da frota russa são realizados estritamente de acordo com os regulamentos do espaço aéreo internacional”, disse o ministério no sábado.

O Coronel Garth Manger, um fuzileiro naval britânico encarregado dos deveres operacionais a bordo do navio norte-americano, disse que estava tudo certo.

“Eles estão nos observando e estamos observando-os”, disse ele.

Como o Tupolev, o USS Mount Whitney é um resquício da era da Guerra Fria.

O terceiro navio mais antigo da Marinha dos EUA e o carro-chefe da 6ª Frota dos EUA, tem quase 50 anos de serviço.

Atualizado com o mais recente equipamento de telecomunicações, serviu como o navio de comando para a Trident Juncture, que é talvez o que provocou o interesse do Tupolev.

Mas se a passagem provocou gritos de fuzileiros a bordo do monte Whitney, oficiais superiores minimizaram qualquer provocação.

O USS Mountan Whitney, o terceiro navio mais antigo da Marinha dos EUA e o carro-chefe da 6ª Frota dos EUA. (Foto: AFP/US NAVY/Mass Communication Specialist 2nd Class Daniel Viramentos)

“Estamos no mar, todos têm o direito de estar aqui. São águas internacionais, é o espaço aéreo é internacional”, disse o almirante britânico Guy Robinson, segundo em comando da força-tarefa marítima.

“Então, claramente, monitoramos de perto. Mas tudo o que vemos neste exercício é que eles foram seguros e profissionais.”

Jason Bohm, comandando os fuzileiros navais dos EUA que participaram do exercício, foi igualmente fleumático: “O maior problema que tivemos neste exercício foi o clima”.


Fonte: AFP

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14 COMENTÁRIOS

  1. Excelente: ninguém está temendo ninguém, "o parque é público, nós pedalamos aqui e eles caminham ali"…

    E quem gosta de aviação, como boa parte dos fuzileiros americanos que foram admirar o Tupolev, tiveram uma oportunidade ímpar de ver e ouvir esse dinossauro…

  2. ahahah. ditador PutinKGB quis e reviveu a cold War. Tu-95 cacareco serve como alvo até para S. tucano e falta de verba dá em não aposentar esse cacareco. Pode olhar que em caso de guerra seria derrubado e russos não gostarem é que são fascista mesmo. os povos ucraniano, georgiano e chechenos é que sabem

    • O USS Mount Whitney ali da foto é mais antigo que os Tu-142.
      E outra, Tu-95 serve como alvo para Super Tucano? Sério isto? Que delírio, cara…

  3. Russos só fabricam porcarias soviéticas ineficientes. Bons são os brasileiros, que fabricaram o formidável Xavante, entre outras maravilhas kkkk

    • Não precisamos, pois participamos da comunidade internacional e não estamos em um estado feudal.

    • São vários os cases de insucesso ou sucesso parcial brasileiro, como o AMX sem radar, o míssil anti-navio com alcance de 70km, o MAA-1, as corvetas que adernam a proa, etc, etc…

  4. Lembrando que a USAF voa o B-52 há 63 anos e que é reabastecido pelos KC-135 de 61 anos e o próprio USS Mount Whitney navega desde 1966.

    • Quase todas as aeronaves americanas são digitais. Os americanos adotam atualizações pontuais constantes em um roadmap que abrange todo o ciclo de vida da aeronave. Sensores, processamento, novas armas e atualização de software.

      70% das aeronaves russas são analógicas. Os russos adotam modernizações de meia vida.

      O USS Mount Whitney tem o que é mais moderno em telecomunicações no mundo. Veja na foto o mastro com antenas integradas.

      Abra fotos de todos os grandes navios de superfície russos. É antena pra todo lado.

      Os almirantes russos dariam o braço direito para ter os Ticonderoga que estão indo pro boneyard.

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