Caça MiG-29K realiza uma aproximação sobre o porta-aviões USS Nimitz durante o exercício Malabr 2017 com a Marinha Indiana. (Foto: U.S. Navy / Mass Communication Specialist 3rd Class Weston A. Mohr)

A Marinha dos EUA divulgou incríveis imagens de caças MiG-29K da Marinha Indiana realizando aproximações e passagens sobre o porta-aviões nuclear norte-americano USS Nimitz e de caças F/A-18 Hornets realizando o mesmo sobre o porta-aviões indiano INS Vikramaditya. As duas nações, Índia e EUA, em conjunto com a Marinha Japonesa, estão realizando o exercício militar Malabar 2017, e passaram pela Baía de Bengala, junto de poderosos navios de guerra. Confira a seguir um vídeo das passagens sobre os porta-aviões.

De acordo com a Marinha indiana, como parte dos exercícios tri-laterais do Malabar 2017, entre a Índia-EUA-Japão, os aviões de combate MiG 29K decolaram do maior navio de guerra da Índia, o porta-aviões INS Vikramaditya. Ao mesmo tempo, os aviões de combate F-18 da Marinha dos EUA foram lançados do porta-aviões USS Nimitz da Marinha dos EUA, como parte de uma formação combinada das duas tripulações. O navio japonês porta-helicópteros JS Izumo também participou do exercício.

As aeronaves MiG-29K e F-18 Hornets realizaram passagens em formação sobre os porta-aviões dos dois países.

Além das operações de combate, os aviões de combate de ambas as marinhas realizaram um voo de formação conjunto, demonstrando assim outro passo na interoperabilidade apontada por esse exercício, disse a Marinha indiana. No total, 17 navios dos três países participaram do exercício, que começou há dez dias.

Durante as manobras navais, os MiG-29Ks relativamente novos da Índia fizeram aproximações baixas no USS Nimitz – provavelmente a primeira vez para o tipo. Essas aeronaves não podem decolar do Nimitz porque não conseguem usar as catapultas do Nimitz. Em vez disso, eles exigem uma rampa sky jump e sistema de retenção especializados para operar. Então, cross-decking não era uma opção.

A força naval dos MiG-29K da Índia permanece controversa, pois a aeronave foi relatada como inadequada para o uso persistente em condições severas embarcadas, com problemas no motor, controles de voo e de estrutura. O caça tem uma taxa de disponibilidade muito baixa, conforme relatado pelo India Today.

O porta-helicópteros japonês JN Izumo, com helicóptero SH-60 a bordo.

O exercício também pode observar operações no convés de voo, em que um helicóptero do USS Shoup pousou a bordo do INS Sahyadri e do JN Sazanami. Um helicóptero partiu do JN Sazanami e realizou operações de voo no INS Sahyadri e no USS Shoup. As operações entre convés de voo requerem um alto grau de interoperabilidade e conhecimento de procedimentos dos navios participantes e helicópteros, disse a Marinha Indiana. O INS Jyoti, um navio-tanque da Marinha da Índia, realizou o reabastecimento no mar com o navio da Marinha dos EUA, USS Shoup e o navio da marinha japonesa Sazanami.

As tripulações entre os três países puderam também trocar informações operacionais.

O porta-helicópteros JN Izumo do Japão não opera aviões de asa fixa, é um transportador de helicópteros. Mas isso não significa que não seja altamente relevante para as operações da coalizão na região. O navio está carregado com helicópteros de guerra anti-submarino SH-60J/K, e portanto, sua principal missão é a guerra anti-submarina e fornecer rastreio contra ameaças sub-superficiais para um grupo de batalha da coalizão. Ele faz isso usando seus próprios recursos e coordenando um “plano de jogo” de guerra anti-submarino com outros ativos na flotilha e em terra.

As três principais embarcações dos países que participaram do Malabar 2017.

Além dos destaques táticos do exercício, o subcontexto estratégico para o Malabar 2017 foi a ameaça naval crescente que a China apresenta e como as coalizões serão necessárias para deter ou enfrentar essa ameaça no futuro. Tanto a Índia quanto o Japão têm disputas territoriais severas com a China, e os EUA têm seus próprios problemas com as ambições extraterritoriais de Pequim.

A edição de número 21 do exercício de Malabar ocorre em meio as tensões em curso entre a Índia e a China sobre o impasse Dokalam. Este ano, participam 16 navios de guerra, dois submarinos e mais de 95 aeronaves dos três países, Índia, EUA e Japão. Originalmente, o Malabar era um exercício bilateral entre a Marinha da Índia e a Marinha dos EUA, mas em 2015, o Japão tornou-se um membro permanente, acrescentando à ira da China. O fato de o exercício de Malabar deste ano se concentrar especificamente nas operações de caça submarina enviou um forte sinal para a China – e há relatos de que os submarinos chineses foram vistos na região do Oceano Índico.

Colaborou Rustam Bogaudinov, direto de Moscou.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Exercício interessante. Os indianos estão dentro d'água, literalmente, com estes MiG-29K. Não tem jeito, são limitados. E não tem opção ali, pois os russos não tem outro modelo que o substitua – nem para eles mesmos. Braço torcido, seria o caso de os indianos fecharem o Rafale de vez, já que ele pode, em tese, operar em ski-jump da mesma forma que os MiGs. O Tejas também, mas… esquece.

    • não é atoa que todos os paises que estão investindo em Porta Aviões estão investindo em modelos com catapultas ou aeronaves que podem fazer o uso do Sky-jump sem sacrificar a carga vulgo F-35B e o HMS Queen Elizabeth

  2. Recado sendo dado à China. E é possível que no futuro outras nações, como Austrália e Taiwan, venham a participar do mesmo exercício.

  3. Pequim não gostou deste exercicio conjunto USN-Japão – India. Austrália queria participar , mas governo indiano não quis provocar os chinas ainda mais. A cooperação dos 3 vai acontecer também no mar da ASEAN contra o imperialismo de pequim

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