A aeronave Xavante do IPEV usada para testes de voo junto ao DCTA. (Foto: Carlos Santos)
A aeronave Xavante usada para testes de voo com o IPEV em São José dos Campos. (Foto: Carlos Santos)

Quem mora perto do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), provavelmente percebeu um ruído diferente na manhã desta quinta-feira (28/02). Nas próximas três semanas, alunos e instrutores do Instituto de Pesquisa em Voo (IPEV), subordinado ao DCTA, estarão envolvidos na calibração anemométrica, atividade que inclui voos rasantes com a aeronave Xavante. A atividade faz parte da grade curricular do Curso de Ensaios em Voo do IPEV.

O Capitão Castilho e o Coronel Silva, pilotos que estão encarregados dos testes com a aeronave Xavante. (Foto: Carlos Santos)
O Capitão Castilho e o Coronel Silva, pilotos que estão encarregados dos testes com a aeronave Xavante. (Foto: Carlos Santos)

Nessa etapa do curso, é realizado um conjunto de testes nos sensores da aeronave para verificar se estão em pleno funcionamento. Assim, os pilotos fazem passagens com variadas velocidades e altitudes. Neste momento, os instrutores da própria aeronave verificam fatores como angulagem, pressão, temperatura, velocidade e altura. Em solo, estão engenheiros e instrumentadores fazendo as mesmas medições e comparando, em tempo real, os dados obtidos a partir da aeronave. Quando há discrepância, é sinal de que os equipamentos da aeronave precisam ser calibrados.

Durante o teste foram realizadas 12 passagens, sem pouso, entre 7h30 e 9h. De acordo com o Capitão Diogo Castilho, copiloto da aeronave, estes testes precisam ser realizados sempre no início da manhã, devido às condições climáticas. Nesta hora há menos turbulência e ventos fortes. “As aulas do Curso de Ensaios em Voo iniciaram há três semanas, mas a calibração é que vai fornecer os pilares de conhecimento que serão utilizados até o final do curso”, explica o aviador.

Curso de Ensaios em Voo

A aeronave Xavante vai permencer durante três semanas voando sobre São José dos Campos. (Foto: Carlos Santos)
A aeronave Xavante vai permencer durante três semanas voando sobre São José dos Campos. (Foto: Carlos Santos)

O Curso tem duração de, aproximadamente, onze meses, e as modalidades de asa rotativa (helicóptero) e asa fixa (avião) são intercaladas a cada ano. Neste ano o curso é de asa fixa, e é por isso que está sendo utilizado o Xavante – o IPEV, inclusive, é a única organização da FAB que voa com esta aeronave. Os profissionais especialistas em ensaios em voo estão envolvidos nas aquisições e modernizações de aeronaves, além de serem responsáveis pelos sistemas embarcados – que podem ser desde um instrumento de navegação até um armamento. Apenas seis instituições, no mundo, formam este tipo de mão de obra e a única que está no hemisfério sul é o IPEV.

Fonte: ACS/DCTA

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10 COMENTÁRIOS

  1. quando servi o exercito em 94 anti-aérea fizemos treinamento das baterias anti-aérea tendo como inimigo aviões xavante e amx, tenho até uma foto ao lado de um xavante.

  2. Xavantão ainda útil! Ê véio de guerra danado! O certo seria ter tb um Mirage III em condição de voo…

  3. Esse avião é mais uma prova que as parcerias com a Itália dão mais certo que com as outras nações "aliadas", até hoje.
    E Olha que na Segunda Guerra Mundial declaramamos guerra contra os italianos, assim como declaramos guerra contra a Alemanha, aquela que nos ensinou a fazer os primeiros submarinos e obter tecnologia nuclear, interessante né???
    Agora as parcerias com nossos "aliados" …

  4. O Xavante AT 26 era o ¨bixo¨. Aguentava o tranco dos alunos novos e inexperientes e ainda servia para bombardeiros leves, e tudo com muita econômia. Aqui perto da minha cidade tem dois Xavantes acidentados ( além de dois F 5 e um Bandeirante transporte ) e tempos atrás eu fui até o local da queda e peguei várias peças ( principalmente do painel ) deles como lembrança. É meio triste afinal morreram 4 pilotos da FAB neste acidente. Na época visitei o local da queda dos F 5 também. Dos F 5 peguei peças bem maiores como um dos canhoes Pontiac de 20 mm retorcido e irrecuperável que o PARASAR achou bobagem tirar do lugar.

    • Caro Paulo, cuidado!

      Nos EUA tem um camarada com um estabilizador de SR-71 em casa (com os materiais RAM? Não sei…). Mas, às vezes, ele põe a peça rara no e-bay para vender — o CAVOK até já mostrou o caso –, sem problemas.

      Aqui, por ter um canhão aeronáutico ar-ar em casa, mesmo detonadão, imprestável para o uso, mas de interesse aos aficcionados em aviação militar, tal material pode passar a ser considerado instantaneamente “ultrasecreto” — daí, já você recebe a visita dos MIB da FAB (Secint, Secretaria de Inteligência) em domicílio… 😀

      • E que ninguém se engane. Tem muita "gente" lendo os blogs dessa natureza. Tudo interessa.

        • O problema é que o canhão está tão destruido e enferrujado (afinal quando eu fui lá pegar já havia passado mais de 10 anos desde o acidente que aconteceu no início dos anos 80 ) que ele não tem mais nenhuma utilidade a não ser como lembrança. E um mecânico da FAB amigo meu da base aérea de Santa Cruz ( casa dos caças) já veio aqui ver os restos ( ele sabe que eu costumo garimpar esse tipo de objeto nas montanhas do sul de minas) e ele me falou que a peça não serve para nada mesmo. Está totalmente estourada pelo impacto de mais de 600 km por hora, velocidade que parece que os aviões estavam. Agora se eu tivesse uma peça de um SR 71 de fato eu não contava para ninguém e a vendia para os chineses. Rsrsrsrs.

      • ¨Ultrasecreto¨ um cano torto de cerca de um metro de comprimento serrado na base? Pois é, acho melhor o MIB tupiniquim se preocupar mais com os rifles FAL, granadas, munições, coletes, etc que somem dos quarteis das FAs para aparecerem nas mãos de traficantes e assaltantes de banco. Me parece que essas armas que somem toda hora funcionam mais que meu canhão, não? Fala sério.

  5. Cara, após dois dias , como é bom ouvir o retumbante silêncio após a VERDADE.
    Abs.

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