O primeiro F-35 italiano durante sua travessia para os EUA.

A Ministra da Defesa da Itália, Elisabetta Trent, declarou no dia 6 de julho que seu país não pretende comprar mais caças americanos de quinta geração F-35 e vai considerar a compra atual dessas aeronaves de acordo com o contrato concluído anteriormente.

Esta declaração foi feita durante uma entrevista com o canal Trinty TV La 7.

“Não vamos comprar mais F-35”, disse Trenta em entrevista à televisão com a emissora privada La 7. “Estamos avaliando o que fazer em relação aos contratos já em vigor”.

De acordo com a Ministro da Defesa da Itália, e divulgado pela Reuters, os fundos alocados para a compra de 90 caros caças americanos poderiam ser gastos em outros objetivos mais urgente, para ajudar a levantar a fraca economia italiana.

A Ministra acrescenta que a encomenda de 60 caças F-35A e 30 F-35B, que a Itália concluiu em 2012, pode ser colocada sob revisão.

Ela explicou várias razões para ser cautelosa, dizendo que “fortes penalidades financeiras” podem significar que “desmantelar o pedido pode custar mais do que mantê-lo”.

O primeiro F-35 fabricado em Cameri, na Itália.

Ela também citou benefícios em termos de tecnologia e pesquisa na Itália ligados aos aviões, bem como empregos que seriam perdidos.

No entanto, Trenta disse que viu mérito em estender as compras, a fim de liberar recursos para investimentos em projetos de defesa europeus.

Algumas autoridades de 5 estrelas disseram no ano passado que a Itália deveria cancelar a encomenda dos combatentes, mas Trenta deixou claro que poderia avaliar isso.

“Ninguém está escondendo o fato de que sempre fomos críticos … Em vista dos contratos existentes assinados pelo governo anterior, estamos realizando uma avaliação cuidadosa que considera exclusivamente o interesse nacional”, disse ela.

A Itália foi incluída na lista dos países que participam no financiamento de desenvolvimento do F-35 Joint Strike Fighter. Além dos EUA, essa lista também incluiu o Reino Unido, Noruega, Holanda, Canadá, Turquia, Austrália e Dinamarca. Israel teve acesso total às informações acumuladas durante o desenvolvimento da aeronave, uma vez pago em 2003 no valor de US$ 20 milhões.

A Itália se comprometeu com a compra de 90 caças F-35.

A Itália se tornou o único país com uma instalação de produção do F-35 fora dos EUA, onde deverá produzir um total de 30 F-35Bs para serem entregues à Marinha Italiana, à Força Aérea Italiana e à Força Aérea Real da Holanda. Em maio de 2017, foram apresentados os primeiros jatos F-35 prontos pela unidade. No entanto, eles deveriam ser antes entregues à base naval dos EUA em Maryland para certificação e treinamento de tripulação.

Já Israel se tornou o primeiro país estrangeiro a receber o F-35 e usar essas aeronaves em condições reais de combate. O primeiro par destes aviões chegou a Israel no dia 12 de dezembro de 2016. No dia 6 de dezembro de 2017, foi anunciada a capacidade operacional inicial do primeiro esquadrão da quinta geração do caça F-35 “Adir” em Israel e a prontidão do esquadrão para uso operacional.

25 COMENTÁRIOS

  1. Os países europeus estão relutantes em fazer gastos militares.
    Como enfatizado, não há possibilidade de qualquer conflito na região.
    Como diversos países estão desenvolvendo seus 5G, restará pouquíssimos compradores para o F-35.
    No final, esse abacaxi caríssimo projeto ficará não mãos dos EUA.

    • Engraçado mas a despeito da equivocada decisão do atual governo populista de extrema-direita italiano, o caça continua sendo encomendado e o que é melhor, está sendo usado em combate para matar fascistas.

      Chato né?

    • Tirando o fato que os caças ja foram vendidos e já estão sendo entregues.

  2. Interessante a última foto em que a parte dianteira das fuselagens das aeronaves parecem se fundir. Mas será que temos na Itália mais uma Ursula von der Leyen ?

  3. É de ser imaginar que tenham dúvida se vale a pena comprar os 90 ou não….A Itália está numa situação $$ complicadíssima, pode acontecer com ela o que aconteceu com a Grécia ,uma intervenção da UE em seu sistema financeiro ….E junto com ela tem Turquia ,Espanha, Grécia e alguns países do leste europeu, com situações econômicas delicadas…

  4. Típica decisão açodada de um governo populista, nesse caso de extrema-direita (xucra), que visa apenas o agrado imediato de uma maioria eventual. Contudo, quando você analisa mais detidamente a decisão os reflexos negativos são inegáveis. A Itália possui uma posição privilegiada no programa visto que além de construir partes do aparelho possui uma linha de produção final na cidade de Cameri, e a decisão de não encomendar mais aparelhos e ainda por cima cortar o pedido existente pode simplesmente tornar a manutenção da instalação economicamente inviável. Ou seja, além da perda do conhecimento tecnológico obtido com a participação do programa tal decisão ainda irá provocar reflexos sociais negativos na forma de desemprego de mão de obra altamente especializada.

    Para piorar tal decisão ainda abrirá um Gap de capacidade nas forças italianas que não poderá ser suprido com os meios atuais, especialmente a baixa futura da força de Tornados, visto que o Typhoon não teria a capacidade de penetrar em defesas antiaéreas, especialmente de SAM, muito densas. Mas o baque maior indubitavelmente se dará na Marina Militare visto que seus AV-8B aproximam-se do fim de sua vida útil. E ao não serem repostos seus NAes serão reduzidos à condição de Porta-Helicópteros ou navios de assalto anfíbio.

    • Toda vez que um governo decide não comprar ou reduzir a compra do F-35 vc os critica, ou como de esquerda, ou como de direita.
      Será que não poderiam simplesmente ter chegado ao entendimento que não previsam do F-35 agora.

      • Walfrido, a atual coalizão governista no poder na Itália é capitaneada por partidos de extrema-direita e seu discurso anti-imigração e anti-UE. Então não se trata de una crítica e sim de apontar um fato concreto embora, pessoalmente, eu coloque a esquerda e a extrema-direita como os piores setores do espectro político por todo o conjunto da obra.

        Quanto à precisar (ou não) do F-35 sugiro que você leia meu comentário.

      • Pois então, meu amigo, pois então. Para o nosso colega HMS Tireless, se o país, independente de qual seja, decidir reavaliar este projeto caro e problemático que é o F-35, estes são considerados, por ele, como república de bananeiras. Será que todos estão errados e só ele é o certo?!

        • Sem essa Wellington! Reavaliar programa militares é algo que qualquer país pode fazer. Agora no caso italiano resta muito claro que se trata de uma decisão açodada afinal os benefícios da Itália no programa ( produção de componentes e uma linha de montagem final) são inequívocos. E sim, a atual coalizão governista é composta por partidos populistas e de extrema-direita.

          Lógico, tem o caso belga também, mas nesse caso o que temos é a conjugação de um governo que não honra seus próprios atos administrativos assim como um fabricante do país ao lado famoso pelo jabá. Mas isso é outra história…

          Acho que você tem a esperança de que os italianos comprem a caríssima jaca francesa, que por sinal já custa mais que o F-35. Só pode…..

  5. Vão receber o pedido, pois como o próprio post diz, as penalidades são altas.

    Daí o governo já mudou, o que na Itália acontece duas vezes por ano.

    • Verdade! Ali o Primeiro Ministro vai ao banheiro e quando sai não apenas ele caiu como já foram convocadas novas eleições. E essa atual coalizão governista é um verdadeiro saco de gatos, tem tudo para não durar muito!

  6. Os Gabirus Transformers (os "B")serão recebidos. O problema são os "A"…

    O alento é a Itália ser "concessionária autorizada" F-35 para a Europa continental, podendo prestar serviços a qualquer outro usuário — o que manterá empregos…

    • Israel já está de olho nisso. Se os italianos abrirem mão de ser concessionário, tio Jacob vai ulular de alegria!

      • Caso a tresloucada decisão da coalizão governista do dia de hoje (amanhã, literalmente, pode ser outra) seja efetivada é o que fatalmente irá ocorrer. E com Israel desempenhando um papel cada vez mais proeminente no programa seria até natural que assumisse esse papel de "concessionária autorizada" para a região afinal é o único usuário estrangeiro até agora que recebeu permissão para fazer manutenção em nível de depósito.

        Quanto aos exemplares do modelo "A", caso realmente haja o cancelamento, pode ser a deixa que a RAF queria para pegá-los e deixar os modelos "B" com a Royal Navy.

    • Pra mim, virão todos. A multa é alta e o governo fraco demais para assumir o ônus de pagá-la.

  7. Este é mais uma parte deste imbróglio que se tornou um F-35 caro e problemático demais, associado às pataquadas do Trump em relação a seus parceiros europeus.

    • Não, é só uma possível decisão interna da Itália querendo reduzir gastos.

      Melhor não escrever nada, do que fazer comentários sem nexo apenas por ideologia ou fanboysismo russo.

    • Está mais para mais uma decisão política oportunista. Se perigar, também etílica…..

  8. Muitos países diminuindo as compras do F-35… breve "uszamericanos" estaram oferecendo-o fora das parcerias pra diminuir o tamanho do rombo de bilhões que eles tiveram !

    • Xiiiii! Acho que nem assim vai dar. Tem tanto país projetando e construindo 'estélfi' que dentro em breve teremos na feirinha do Paraguai.

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