O Japão ainda não decidiu como vai substituir seus jatos F-2.

Com funcionários do Ministério das Finanças japonês acompanhando em segundo plano, parlamentares agressivos do Partido Liberal Democrata (PLD), no poder, continuam a pressionar o Ministério da Defesa pelo desenvolvimento do caça de próxima geração para substituir o atual jato de combate F-2.

O plano inicial dos legisladores do PLD para ter um desenvolvimento conduzido inteiramente por empresas japonesas foi descartado devido aos altos custos esperados e possíveis armadilhas de engenharia.

Mas eles não desistiram totalmente e agora argumentam que as empresas japonesas devem desempenhar um papel de liderança em qualquer desenvolvimento conjunto do novo jato de combate.

No entanto, os funcionários do Ministério das Finanças querem manter os gastos sob controle, independentemente da decisão tomada sobre o projeto de desenvolvimento.

O F-2 foi desenvolvido em conjunto com os Estados Unidos e implantado pela primeira vez no ano fiscal de 2000. O prazo de validade dos caças deve expirar por volta de 2030.

O Ministério da Defesa tinha inicialmente três opções para o caça de próxima geração: desenvolvê-lo internamente; desenvolvê-lo em conjunto com outras nações; ou prolongar a vida do F-2 através de várias modificações.

O jato X-2, com 93% do desenvolvimento e componentes feitos no Japão.

A terceira opção foi descartada porque as modificações sozinhas não obteriam os recursos necessários.

Quanto ao desenvolvimento interno total, os funcionários do Ministério das Finanças disseram que seria muito caro.

Isso deixou o desenvolvimento conjunto como o rumo tomado pelo Ministério da Defesa, mas os membros do PLD não estão tomando essa decisão.

Em uma sessão de estudos realizada no dia 6 de novembro, legisladores do PLD discutiram uma proposta para apresentação ao Ministério da Defesa, dizendo que, mesmo com o desenvolvimento conjunto, as empresas japonesas necessitam desempenhar um papel de liderança.

Os legisladores querem garantir que as empresas japonesas da indústria de defesa garantam sua parcela dos lucros e repassem a base tecnológica que foi criada através do desenvolvimento de jatos de combate no passado.

Eles ainda têm em mente o desenvolvimento, pelo Ministério da Defesa, de um jato protótipo apelidado de X-2, que foi confirmado com alta capacidade stealth e de motor.

Mais de 200 empresas participaram do projeto X-2, incluindo a Mitsubishi Heavy Industries Ltd., com 93% do protótipo sendo fabricado no Japão.

O Ministério da Defesa, no entanto, já recebeu respostas de três empresas estrangeiras após a emissão de um pedido de informação (RFI).

O Japão vem recebendo seus caças F-35A, montados pela Mitsubishi.

Uma proposta apresentada pela Lockheed Martin dos Estados Unidos seria de um modelo híbrido que combinaria as capacidades stealth do seu jato F-35 no corpo do F-22, considerado o jato de combate mais poderoso do mundo.

Além disso, a proposta da Lockheed Martin dizia que as empresas japonesas seriam responsáveis ??por mais da metade do trabalho de desenvolvimento e produção.

As outras propostas do exterior foram apresentadas pela Boeing, também dos Estados Unidos, e pela britânica BAE Systems.

Independentemente de qual avião de combate for desenvolvido, os funcionários do Ministério das Finanças estarão atentos para garantir que os custos não aumentem.

O orçamento para o novo jato de combate deve valer trilhões de ienes. Tais gastos viriam em cima de seis anos consecutivos de aumento no orçamento de defesa.

Caça F-2 da JASDF chega na Base Aérea de Andersen, em Guam. (Foto: U.S. Air Force / Senior Airman Nichelle Griffiths)

O número inicial de gastos com defesa no atual ano fiscal foi de 5,191 trilhões de ienes (US$ 46 bilhões).

Como os pagamentos devem ser feitos em equipamentos caros contratados no passado, apenas cerca de 1 trilhão de ienes por ano no orçamento de defesa pode ser usado livremente para novos projetos.

E há sempre a possibilidade de que as despesas de desenvolvimento e os custos de fabricação aumentem.

“Para manter as despesas baixas, tem que haver outras maneiras de desenvolver o jato e fazer os pedidos para os jatos”, disse uma autoridade do Ministério das Finanças.


Fonte: The Asahi Shimbun

11 COMENTÁRIOS

  1. Se os parlamentares "agressivos" do PLD japonês estão pressionando e não sai nada desse ansiado F-3, não quero nem imaginar como seriam os parlamentares pacatos…

    E torraram um monte de grana no tal IHI XF5… Os chineses, que não desenvolvem nada no assunto (nem sozinhos nem acompanhados), pelo menos, já copiaram e pagaram o suficiente pela tecnologia do tal WS-10C…

  2. o jeito é comprar mais F-35 orá. Proposta da L. Martin vai demorar para lá de 2030 um stealth, boieng é o F-15 ou f-18 e da BAE Systens deve ser o Thyphhon. o Gripen E pode até ser por ser barato e curto prazo em 2021. Pequim com Rússia não vão esperar.

  3. O caminho mais óbvio é uma variante do F-35, creio que até o desenvolvimento de uma versão do F-22 teria custos proibitivos se não for levada á cabo com os EUA.

    Outra saída seria a versão Silent Eagle do F-15, mas é claro que o Japão quer mais. Porém, o que realmente seria interessante era uma empreitada junto com a BAE no novo Tempest.