Caça F-15 armado com 16 mísseis ar-ar, de médio e curto alcance. (Foto: Boeing)
Caça F-15 armado com 16 mísseis ar-ar, de médio e curto alcance. (Foto: Boeing)

O Ministério da Defesa do Japão provavelmente deve solicitar uma dotação orçamental para que a sua força aérea do país possa responder com mais frequência às provocações chinesas, podendo então carregar mais mísseis em seus aviões de combate F-15, conforme disseram fontes ligadas ao ministério.

O ministério quer dobrar o número de mísseis ar-ar que podem ser carregados nos jatos de combate, operados pela Força de Autodefesa Aérea do Japão (JASDF). Ele também planeja aumentar a expectativa de vida dos jatos.

O ministério gostaria que o dinheiro fosse alocado no orçamento para o ano fiscal com início em abril próximo.

Tem havido um aumento no número de aviões de guerra chineses, bem como aumento das provocações chineses nas águas em torno das ilhas Senkaku, no extremo sul da prefeitura japonesa de Okinawa. A China também reivindica as ilhas, chamando-as de Diaoyu.

O ministério parece querer contrariar os movimentos da China, melhorando os jatos existentes e introduzindo os caças de próxima geração.

A Força de Autodefesa Aérea do Japão possui cerca de 200 caças F-15J atualmente em operação.
A Força de Autodefesa Aérea do Japão possui cerca de 200 caças F-15J atualmente em operação.

A JASDF possui 200 aviões de caça de quarta geração Boeing F-15 Eagle, e o ministério planeja dobrar o número de mísseis que cada jato pode levar para 16. Ela também planeja consertar as asas danificadas e outras partes para prolongar a vida operacional.

As aeronaves da JASDF tem sido mais frequentemente usadas em resposta as manobras chinesas. Entre abril e junho deste ano, os caças foram acionados 199 vezes, um aumento de 75% em relação ao mesmo período do ano passado.

Recentemente, os jatos chineses voaram mais ao sul, perto das ilhas contestadas. “À medida que a autonomia dos aviões militares chineses permitem que eles voem mais tempo, eles estão chegando cada vez mais perto de nossos territórios”, disse um funcionário do Ministério da Defesa japonês.

Em janeiro, a JASDF transferiu seu esquadrão da base aérea de Tsuiki na província de Fukuoka, no sul do Japão, para uma base em Naha, Okinawa, quase dobrando o número de F-15s de lá para 40. Se a China enviar um grande esquadrão no espaço aéreo japonês, Tóquio precisaria responder com qualidade e quantidade.

Caças F-15J tiveram um aumento significativo nas partidas para responder as ameaças chinesas no sul do Japão.(Foto: Department of Defense / U.S. Air Force Tech. Sgt. Michael R. Holzworth/Released)
Caças F-15J tiveram um aumento significativo nas partidas para responder às ameaças chinesas no sul do Japão. (Foto: Department of Defense / U.S. Air Force Tech. Sgt. Michael R. Holzworth/Released)

No final do ano fiscal de 2017, a JASDF deve implantar os seus caças stealth de quinta geração F-35, que são difíceis de detectar por radares. Mas os primeiros F-35s serão implantados na base de Misawa, em Aomori, no extremo norte da principal ilha do Japão. A Força Aérea dos EUA compartilha a base, e o JASDF planeja o primeiro trabalho conjunto na formação de pilotos e uma cooperação de manutenção com os EUA antes de colocar os jatos em operação nas áreas mais tensas.

Fonte: Nikkei

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26 COMENTÁRIOS

  1. Carregar um caça com 8 mísseis já degrada sua capacidade de manobra e velocidade, além de aumentar dramaticamente seu RCS. Colocar mais 8 seria o mesmo que colocar uma âncora e transformá-lo em uma árvore de natal para os radares. Para os japoneses, urge pensar em estratégias de uso combinado de seus F-15 e F-35, e continuar seu programa de caça de nova geração próprio.

    • Pra derrubar J-7 precisa de pouca manobra e velocidade, precisa é de mais munição mesmo. Ademais, que radares chineses pegariam? o Japão está fazendo o certo? creio que sim… reforça o que tem, porque o outro lado só tem a vantagem numérica, o grosso de seu material é defasado.

      • concordo, esses misseis seriam em maioria BVR, ou seja quando o caça precisasse de manobra e velocidade ele ja teria atirado quase dota a carga de misseis

    • Não, isso não se aplica a todos caças.
      O F-15 foi feito para não perder sua alta manobrabilidade mesmo com 8 mísseis, o mesmo se aplica a 16 mísseis, certamente não seria uma ancora. O RCS certamente seria aumentado, mas nada a ponto dramático.

      O que prejudicaria mesmo são os tanques externos.

      A posição dos hardpoints do F-15 de nada alteram o CG, e a aerodinâmica quase não é afetada.

      O F-15C, assim como o F-15J, tem somente 1 hardpoint em cada asa, na area subalar, justamente para não atrapalhar o taxa de roll entre outras coisas, diferente do F-16 por exemplo.

    • Acredito que a ideia é transformar o F-15J em uma 'canhoneira' mesmo! Quando as hordas de J-8, J-11 e J-16 decolarem, cada AIM-120 que puder ser disparado será imprescindível!

      Alguém sabe discernir as funções da PLAAF da PLANAF? Me parece que a aviação naval chinesa nasceu para simples proteção da frota. Após, aumentou sua área de atuação, utilizando vetores semelhantes aos da Força Aérea, porém, sempre uma 'modernização' atrás. Uma prima pobre, talvez?

        • Há um tempinho o Japão fez uma compra de 17 AIM-120C7, aquisição meio sem sentido. Reconheço que o futuro será o AAM-4 e o irmão menor AAM-5, falha minha!

          • Estoque de misseis japoneses
            AAM3-1.936 unidades
            AAM4-440 unidades
            AAM4B-200 unidades
            AAM5-400 unidades
            AIM9L-4.531 unidades
            AIM7F-3.098 unidades
            AIM120c5-125 unidades
            Foi comprado tambem em 2015 algumas unidades do AIM9X e AIM120C7 para serem utilizadas no F-35.

        • O temor japonês é claramente este. Os F-15J com armamento pesado e sendo vetorados pela boa rede radar costeira, tem muita chance de repelir ataques pesados chineses antes de as defesas de terra começarem a operar neste sentido.

      • Rafael, é a mesma diferença que existia entre a VVS e a AV-MF na URSS: A aviação naval era encarregada da proteção da costa e da escolta das unidades navais. Também pode realizar ataques estratégicos de médio alcance. Este é o motivo de a China ter tentado de todas as formas possiveis comprar TU-22M3 da Rússia, por exemplo. Parte dos Tu-22M era da AV-MF e servia exatamente para realizar aquele tipo de missóes.

        • Quem sabe um J-20 com um míssil antinavio interno não possa ser adotado pela PLANAF no futuro, substituindo os JH-7, para preencher essa necessidade.

  2. O problema é esse mesmo, contra os chineses tem de contar com o número mesmo.

  3. Quando vejo matérias sobre este assunto, me vem a memória os avião de interceptação puro sangue.
    Acredito que ainda exista mercado nas forças armadas de países com grandes potencias militares para este tipo de avião que combina altíssimas velocidades de cruzeiros e raios de combate continentais…

    • interceptadores puros dependem da capacidade de alerta precoce pra terem seu potencial totalmente explorado, sem contar que na maioria das missões ele n teria utilidade, sendo assim um custo com baixo benefício, aeronaves multimissão com bom alcance em supercruzeiro acabam tendo desempenho similar e melhor custo benefício

      • Mas as aeronaves multimissão da atualidade que voam em velocidades de supercruise ficam entre mach 1,2 e 1,6 e tem alcance variando de 500 a 1500km de raio de combate.
        Eu estava querendo ver um projeto novo com raio de combate de 5000km e supercruise de mach 2,5, mesmo sabendo que o mesmo não teria capacidade de dogfight.
        Não estou falando que tem que ter, mas é somente desejo pessoal e acredito que quanto mais longe do território a aeronave invasora estiver menos chance ela terá de lançar bombas mesmo que em altitudes elevadas.

        • Acho que você não vai estar vivo, e nem eu, pra ver tal projeto. Hehhe

          • Pois é isso mesmo que penso….
            A única esperança seria se o tal "boato" do tal "MIG-41" realmente virasse realidade.
            Por enquanto eu vou mesmo só admirando as fotos e vídeos dos que já existiram: Panavia Tornado ADV, F-14, F-106, MIG25 e 31,….
            Já que eu tenho uma queda por esse tipo de vetor.

      • Depende, olhe o F-14 nasceu como um interceptador, e terminou sendo um caça interceptador multimissão.

        Foi muito necessário em 1991 pra manter a NFZ, e em 2002 o F-14B/D era o que mais podia ir longe e aonde era necessário devido a seu grande raio de ação.

        PS: Um fato interessante é que em abril de 1973, um F-14A disparou um AIM-54A a 201km de distancia do inimigo, o acertando com sucesso.

        A USN quase comprou um projeto da Grumman, o F-14 Tomcat 21, teria TVC, Baixo RCS, novo conjunto de intercepção e várias outras coisas, seria um verdadeiro multimissão, mas fica pra outro dia. 🙂

  4. Advanced F-15 2040C?

    *16 misseis BVR
    *APG-63 V3 Aesa Radar
    *IRST
    *FBW
    *Full Glass Cockpit
    *EPAWSS (Eagle Passive / Active Warning Survivability System)
    *CTF (conformal fuel tanks)
    *Extensão de vida estrutural 20.000 horas.
    ————————————————————————————

    A Boeing esta oferecendo este upgrade para cerca de 400 F15C da USAF a um custo de US$5 Bilhões ou seja cerca de US$125 milhões a unidade, custa mais que um F-35A pelado será que vale a pena?

    • O padrão 2040C pode levar até 22 mísseis A2A, usando os pylons certos.

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