Canberra FAPNo dia 2 de julho de 1972 um Canberra pertencente a Força Aérea peruana, voando ilegalmente, caiu no Rio Grande do Sul, expondo a fragilidade do controle aéreo brasileiro.

O texto a seguir é a reportagem do Jornal do Brasil da época.

Porto Alegre (Sucursal): Foram recolhidos, em boas condições físicas, dois dos três ocupantes do avião Canberra da Força Aérea Peruana, que caiu na sexta-feira no Município de Alegrete, a 598 km de Porto Alegre. 

Os três tripulantes, que se dirigiam de Lima a Buenos Aires, saltaram de paraquedas depois que o avião, devido ao mau tempo, se desviou de sua rota e esgotou o combustível. São eles: o comandante Pablo Varella, o major Oscar Carrera ? que estão no Hospital Militar de Alegrete ? e o capitão Victor Cevallos, cujo paraquedas já foi encontrado. 

BUSCAS 

As buscas foram realizadas por terra, devido ao mau tempo. Um pelotão do 12º Batalhão de Engenharia de Combate encontrou os destroços do Canberra na localidade de Jataquá, a 20 quilômetros de Alegrete. O comandante Pablo Varella estava em boas condições físicas ao lado dos destroços do seu avião.

Contou ele que ordenou que os seus dois companheiros saltassem, a fim de tentar uma aterrissagem, pois a região é muito plana. Quando o combustível acabou, no entanto, teve de acionar o botão do assento-ejetor. 

O primeiro a ser encontrado, com uma perna fraturada, foi o major Oscar Carrera, imediatamente internado no Hospital Militar de Alegrete. Depois, os soldados encontraram o comandante Pablo Varella e logo a seguir o paraquedas utilizado pelo capitão Victor Cevallos, que deve estar vivo. 

As buscas continuarão até que se esclareça o paradeiro do capitão Cevallos. 

ASSISTÊNCIA 

O adido aeronáutico junto à Embaixada do Peru no Brasil, coronel Jorge Barbosa Falconi, chegou às 11 horas de ontem a Alegrete, a fim de prestar assistência aos seus colegas de armas e providenciar junto às autoridades militares brasileiras a sua remoção para Lima. 

O oficial peruano não quis prestar declarações. Do Aeroporto do Alegrete dirigiu-se diretamente para o quartel do 12º Batalhão de Engenharia de Combate, a fim de conferenciar com seu comandante, coronel Edu de Sousa. 

Segundo informações das autoridades militares brasileiras, os três aviadores peruanos se dirigiam para a Base Aérea de Palomar, nas proximidades de Buenos Aires, a fim de concluir um curso.

Comandante conta história da queda

Alegrete ? No Hospital da Guarnição Militar de Alegrete, o comandante do avião peruano, tenente-coronel Pablo Varella contou, com certa dificuldade, alguns detalhes do acidente: “quando perdemos contato com a cidade argentina de Escobar a péssima visibilidade nos deixou praticamente perdidos. Como o combustível estava no fim, mandei meus dois colegas saltarem numa diferença de cinco minutos entre cada um. Depois, ainda tentei realizar uma descida forçada, mas o avião se descontrolou. Não me sobrou outra alternativa senão pular, também e, quando caia, ouvi o estrondo do avião explodindo no chão.” 

Pablo Varella, que é o chefe do Estado-Maior do Grupo de Bombardeio Aéreo do Peru está com o olho esquerdo intumescido e com escoriações generalizadas pelo corpo. Ao seu lado, no quarto de recuperação do hospital, está o major Oscar Carreira, comandante do Esquadrão de Bombardeio, que foi o segundo a saltar e que resultou com fortes luxações no pé direito e no joelho esquerdo. Mas o major Carreira preferiu não falar sobre o acidente, a conselho do adido militar do Peru, coronel Jorge Barbosa. 

CONTATOS 

O coronel Jorge Barbosa, que chegou às 14 horas a Alegrete, a bordo de um Avro da Varig, proveniente do Rio de Janeiro, após visitar seus dois colegas de farda, manteve contato pelo rádio com o Ministério da Aeronáutica do Peru, informando sobre o resgate dos dois pilotos. Acrescentou que o avião ficou completamente destroçado, mas que sobre a localização do capitão Victor Cevallos “temos a esperança de localizá-lo, pois diversos moradores da região haviam visto os três pára-quedas descendo.”


NOTA DO EDITOR: No dia 28 de julho, o corpo do capitão Victor Cevallos foi localizado. Ao pular, por algum motivo, ele não estava devidamente bem conectado ao paraquedas. Os tripulantes peruanos, quando interrogados, optaram por não revelar o seu plano de voo. Segundo o tenente-coronel Varela, a missão consistia no adestramento dos tripulantes e no transporte do malote diplomático. O Canberra da FAP tinha o número de cauda 71501 e fora adquirido da Inglaterra entre 1957 e 1978. Junto aos destroços, os militares brasileiros descobriram mapas contendo rotas de voo sobre o Brasil, evidenciando que o espaço aéreo brasileiro era um verdadeiro ‘queijo suíço’. Alguns destroços ainda se encontram em Alegrete.


IMAGEM de abertura meramente ilustrativa.


FONTES:

Revista Força Aérea Nº 6 mar/abr 1997, Vôo sem destino – o mistério do FAP 245, Por Aparecido Camazano Alamino

Jornal do Brasil

Velhasreportagens.blogspot.com.br

forum.contatoradar.com.br

desastresaereos.net

Jornal Zero Hora

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6 COMENTÁRIOS

  1. Para ver como é a realidade. Mesmo durante um governo chefiado por militares, nossas forças armadas nunca estiveram (com raras exceções) à um nível digno da grandeza e importância de nosso país.

    • Até onde sei missões recíprocas eram executadas pela FAB.Conheço casos de Regentes invadindo território Argentino e Uruguaio para fazer missões de observação a baixa altitude e com farol entre outros desligados para não serem presenciados.

  2. A Fab tem que evitar estas invasões a todo custo. Se esse fato fosse hoje, certamente íamos ter que indenizar a FAP, a tripulação e pedir desculpas formais.

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