Boeing 747-300 da KLM, que usou biocombustível num voo com passageiros
Boeing 747-300 da KLM, que usou biocombustível num voo com passageiros

As aeronaves comerciais são as maiores contribuidoras na emissão de gás carbônico na atmosfera, mas os fabricantes e as operadoras aéreas estão tomando medidas para contornar o problema.

Companhias aéreas como a Virgin Atlantic estão conduzindo voos de demonstração usando biocombustíveis, e agora a KLM Royal Dutch Airlines completou seu primeiro voo com passageiros a bordo, usando querosene sustentável. Usando um percentual de 50% de bioquerosene e 50% de combustível normal para jatos em apenas um dos quatro motores, um Boeing 747 transportando 40 passageiros selecionados, na semana passada circulou os céus da Holanda por uma hora, no voo que a KLM diz ser o primeiro do tipo na Europa.

Pouso do Boeing 747-300 da KLM usando biocombustível num de seus motores
Pouso do Boeing 747-300 da KLM usando biocombustível num de seus motores

O combustível “verde” usado para o voo foi convertido do óleo da planta camelina, uma planta comestível, usando um processo originalmente desenvolvido em 2007 pela UOP, uma subsidiária da Honeywell, trabalhando num contrato para a agência de Projetos e Pesquisas Avançadas de Defesa dos EUA (DARPA) para produzir combustível renovável para jatos militares para as forças armadas dos EUA. O processo é baseado na tecnologia de hridroprocessamento usado normalmente nas refinarias que produzem os combustíveis para os meios de transporte. Nesse processo, o hidrogênio é adicionado para remover o oxigênio dos óleos naturais produzidos a partir de matérias-primas sustentáveis incluindo a camelina, pinhão-manso e algas.

O processo de produção feito pela UOP para o biocombustível para jatos é misturado ao combustível com a base de petróleo. Quando são misturados na taxa de 50% para cada tipo, o biocombustível adquire as mesmas características de operação do combustível normal, mantendo as especificações dos motores atuais, incluindo o ponto de congelamento de -47°C e o ponto de ignição de 38°C.

O Brasil também se prepara para usar o biocombustível na aviação comercial

Na semana passada, a companhia aérea Azul anunciou que fará um voo experimental em 2012, com uso do bioquerosene, um combustível renovável produzido a partir da cana-de-açúcar.

O projeto para o uso do bioquerosene é resultado de uma parceria entre a Embraer, a multinacional Amyris, especializada no desenvolvimento de biotecnologias, e a General Electric, fabricante de motores para jatos. Durante o anúncio do memorando de entendimento entre as companhias, em São Paulo, acordou-se que  o voo, daqui a três anos, será comandado pelo diretor de operações da Azul, Miguel Dau,  e usará uma mistura de 20% a 50% do biocombustível misturado ao querosene normal de aviação.

O bioquerosene, desenvolvido pela empresa americana Amyris, companhia com seis anos de vida, será fabricado a partir de uma das etapas da produção do etanol. Após a fermentação do caldo da cana, o material que dará origem ao combustível será separado por um processo de centrifugação, ao contrário do etanol, obtido por meio da destilação.

Com a adoção do querosene de origem renovável, a Azul pretende resolver antigas questões econômicas e ambientais. Além de reduzir sua dependência pelos combustíveis de origem fóssil, que hoje representam entre 30 e 40% dos seus custos, a empresa diminuirá significativamente suas emissões de gás carbônico (CO2), que provocam o aumento do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.

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