Sper Lynx (10)
AH-11A Super Lynx – Marinha do Brasil / © Anderson Gabino, em caráter ilustrativo

Em junho de 2014, foi assinado um contrato entre a Marinha do Brasil (MB) e a AgustaWestland (AW), fabricante da aeronave, para a atualização da meia-vida (Mid-Life Upgrade – MLU) em oito helicópteros Lynx Mk.21A (Super Lynx) pertencentes à corporação e designados localmente AH-11A. A fim de saber sobre o andamento deste processo, o Cavok contatou a MB, que gentilmente nos forneceu as seguintes informações:

O contrato contempla a substituição do atual motor pelo LHTEC CTS800-4N e do Sistema de Navegação; inclusão do Full Glass Cockpit; compatibilização com Óculos Visão Noturna (NVG); e substituição dos principais Sistemas Aviônicos.

As atividades relacionadas com a modernização tiveram início em junho de 2015, com recebimento na fábrica da AW, em Yeovil, no Reino Unido, do primeiro helicóptero a ser modernizado (matrícula N-4001), que começou a ser desmontado e encerrou sua fase de desmontagem e de retirada de todos os componentes em fevereiro de 2016.

Atualmente, a contratada está trabalhando nas modificações da fuselagem, pintura interna e reforço estrutural desta aeronave, visando, principalmente, a futura instalação dos motores LHTEC CTS 800-4N e atender as novas demandas de potências, cerca de 40% superiores ao modelo AH-11A.

Está previsto o envio para o Reino Unido das demais aeronaves a serem modernizadas ao longo dos anos de 2016 e 2017.

De acordo com o atual cronograma, a MB deve receber a primeira aeronave modernizada no final de 2017, com a conclusão da modernização dos oito helicópteros para o início de 2019. Tal previsão poderá sofrer impacto em função da evolução da situação orçamentária do Brasil.

A modernização dos Lynx Mk.21A é mais um importante passo para a Marinha do Brasil, na revitalização de seus meios aeronavais. As aeronaves modernizadas receberão a nova designação de AH-11B.

Além do AH-11A Super Lynx matrícula N-4001, serão modernizadas para o padrão AH-11B as aeronaves cujas matrículas são as seguintes:

  • N-4003
  • N-4004
  • N-4005
  • N-4006
  • N-4009
  • N-4010
  • N-4012

Após a atualização, as aeronaves receberão, na MB, a denominação de AH-11B ‘Super Lynx’.

Breve histórico do Lynx na Marinha do Brasil

Na segunda metade década de 1960, a Marinha do Brasil iniciou os estudos para a aquisição de novas fragatas para a corporação, que seriam destinadas a substituir unidades mais antigas, de origem americana, construídas durante a Segunda Guerra Mundial.

No início de 1970, a MB abriu uma concorrência internacional para as novas embarcações. Em setembro do mesmo ano, um contrato foi assinado com o estaleiro britânico Vosper Thornycroft, vencedor do certame, para a construção de seis fragatas Vosper Mk 10, designação britânica do projeto das fragatas classe Niterói da Marinha do Brasil. Foram assim construídas seis unidades, as quatro primeiras nos estaleiros da Vosper e os dois últimos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). As novas fragatas entraram em serviço entre 1976 e 1980, e pela primeira vez em muitos anos, a MB estava recebendo navios de escolta novos em folha, em vez de embarcações de segunda mão.

Quando o projeto Vosper Mk 10 foi selecionado pela MB em 1970, nenhum dos helicópteros da corporação possuía características de desempenho compatíveis com as novas embarcações.

Em 1973, a MB enviou ao Reino Unido um grupo de especialistas a fim de avaliar o então Westland WG13, que viria a ser designado mundialmente como Lynx. Em 1975, ao encomendar nove exemplares do Lynx Mk.21 (equivalente ao modelo inglês HAS.2), a Marinha do Brasil tornou-se um dos primeiros clientes internacionais da aeronave, que na época representava o estado da arte em termos de helicópteros embarcados.

A entrega dos nove Lynx ocorreu entre 31 de março de 1978 e 02 de agosto do mesmo ano, com as aeronaves tendo sido designadas SAH-11 (matriculas N-3020 até N-3028) e incorporadas ao então recém criado 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (HA-1), sediado em São Pedro D’Aldeia (RJ).

AH-11A Super Lynx - Marinha do Brasil / © Anderson Gabino, em caráter ilustrativo
AH-11A Super Lynx – Marinha do Brasil / © Anderson Gabino, em caráter ilustrativo

Com o passar dos anos, apesar do ganho de experiência por parte da MB na operação dos Lynx, quatro aeronaves foram perdidas decorrentes da complexidade das operações embarcadas. A fim de repor as perdas da frota, após análise das opções disponíveis, que podiam contemplar até a aquisição de outro modelo de aeronave, em janeiro de 1994 a MB adquiriu da Westland nove helicópteros novos, modelo Lynx Mk.21A (Super Lynx).

Entre 1995 e 1997, os cinco Lynx Mk.21 (SAH-11) restantes da primeira encomenda, cujas matrículas eram N-3027, N-3023, N-3025, N-3026 e N-3021,  foram enviados à fábrica da Westland para serem modernizados para o mesmo padrão dos Super Lynx.

As entregas das aeronaves (incluindo as modernizadas) ocorreram entre 1996 e 1998, com todas tendo sido designados como AH-11A.

Os helicópteros novos receberam as matrículas N-4001 a N-4009. Já os modernizados, após sua reincorporação à MB, já como AH-11A, receberam as matrículas N-4010 a N-4014.

As principais missões do Super Lynx incluem guerra anti-submarina (ASW) e anti-superfície (ASuW), esclarecimento e aquisição e rastreamento de alvos fora do horizonte radar dos navios, busca e Salvamento (SAR), evacuação aeromédica, transporte, recuperação de alvos, etc.

AH-11A (1)
AH-11A Super Lynx – Marinha do Brasil / © MC3 Matthew Bookwalter – US Navy, em caráter ilustrativo

Características técnicas (AH-11A Super Lynx)

  • Tripulação: Piloto e Co-piloto/Observador
  • Passageiros: até nove pessoas
  • Motor: 2 Rolls-Royce Gem 42-1 de 900HP cada
  • Capacidade de combustível: 786 kg ou 1.492 kg (com dois tanques auxiliares de 353 kg cada)
  • Diâmetro do rotor principal: 12,80 m
  • Diâmetro do rotor de cauda: 2,36 m
  • Comprimento: 15,16 m (total, com rotores girando), 13,33 m (fuselagem)
  • Altura: 3,48 m (3,25 m com rotores dobrados)
  • Peso: 5.330 kg (máximo)
  • Velocidade: 137 nós (cruzeiro)
  • Alcance: 530 milhas náuticas, com tanques auxiliares
  • Autonomia: 5,4 horas
  • Armamento:
    • ASW: 2 torpedos Mk.44/46 ou 2 cargas de profundidade Mk.11
    • ASuW: 4 mísseis Sea Skua

Como parte do programa de modernização dos AH-11A Super Lynx da MB, em agosto de 2010, as aeronaves começaram a receber o imageador térmico Star SAFIRE III, produzido pela FLIR Systems.

AH-11A (2)
AH-11A Super Lynx – Marinha do Brasil / © Katsuhiko Tokunaga, em caráter ilustrativo
Histórico do Lynx na Marinha do Brasil
Estão indicadas na cor amarela as aeronaves que serão modernizadas para o padrão AH-11B Super Lynx

Em 19 de maio de 1999, o AH-11A matrícula N-4008 foi perdido em um acidente, na lagoa de Araruama, em São Pedro D’Aldeia. Já em 10 de setembro de 2003, o AH-11A matrícula N-4007 foi perdido em acidente a 200 km da Baía da Guanabara, quando se preparava para pousar a bordo da fragata Constituição (F-42).

Um terceiro AH-11A, matrícula N-4002, sofreu um acidente em 2002, sem perda total, mas não será recuperado pelo fabricante. Desta forma, restaram 11 aeronaves operacionais, sendo 6 do segundo lote e 5 do primeiro. Foram selecionados para modernização os oito helicópteros cujas células tenham maior quantidade de horas de voo disponíveis.

AH-11A (3)
AH-11A Super Lynx – Marinha do Brasil / © Marinha do Brasil, em caráter ilustrativo
divider 1

EDIÇÃO: Cavok

NOTA DO EDITOR: Registramos aqui o nosso agradecimento à Marinha do Brasil, nas pessoas do Capitão-de-Corveta Henrique Afonso Lima e do Contra-Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, pelas informações que nos foram enviadas.

14 COMENTÁRIOS

  1. Eu só consigo imaginar o quanto a Marinha estava 'iluminada' quando decidiu adquirir o Lynx, ainda mais no estado-da-arte! Esse helicóptero é simplesmente um dos melhores do mundo, provado em combate e altamente capaz! Fazendo uma analogia bruta, quando a MB adquiriu ele, seria o mesmo que a FAB adquirir um F-15! Percebam, quando se quer, tudo se consegue!

    • Perfeitíssimo, Gio!
      Também gosto bastante do Lynx. É uma baita plataforma!

    • Exato. Como eu sempre falo. Não nos falta dinheiro, nos falta seriedade.

    • Mas os nossos Super Lynx são inferiores em relação aos ingleses. A caixa de transmissão despressurizada limita bastante o pacote de manobras evasivas desse que é um dos helicópteros mais ágeis já construídos.

  2. Achei que muita gente iria reclamar desta atualização…

    Em todos os lugares da net, se fala bem deste heli

    Como disse o colega acima, vale cada centavo…

    Qual é o concorrente direto deste heli?

    Pesquisando alguns heli, a maioria são de outras categorias…

    • Creio que os AH-1B só serão inferiores aos AW159 Wildcat, mesmo tendo vários componentes em comum com este.

  3. Poderiam economizar esse dinheiro e investir na kombi marinha ahaha

    Esse heli é ótimo, junto do seahawk.

  4. O N-3024 foi perdido aqui no porto de Rio Grande, durante pouso na fragata F-40(se a minha memória não está brincando comigo)! A fragata estava atracada no porto, aberta para visitações, quando o Lynx bateu na estrutura do navio e foi parar no fundo do canal. Eu vi os destroços retirados do fundo, ficou um bagaço! Mas os tripulantes foram salvos…O piloto deu entrevista no jornal daqui e tudo! Tava bem aborrecido, ele…

    • Não estava acostumado o piloto as rajadas fortes e inesperadas dos ventos pampeiros…
      Agora com uma unidade aeronaval estabelecida localmente em Rio Grande os pilotos de heli "da terra" orientam os colegas visitantes a não ficar hoverando muito perto do navio para não serem surpreendidos por a cá…

  5. Amigos,

    Concordo que esse helicóptero é excelente… Fosse para escolher hoje um substituto do atual modelo e do Sea King, eu não teria dúvidas em escolher o AW-159 e padronizar os meus ASW e ASuW de asas rotativas com ele. Mas…

    O fato é que já escolheu-se o Sea Hawk… Assim sendo, o Lynx se torna redundante… Manter essa aeronave operando somente tem sentido enquanto os atuais meios da esquadra ( classes Greenhalgh, Niterói e Inhaúma ) continuarem a operar. Por isso até acredito que o upgrade foi uma boa; mas uma vez tendo as novas escoltas, então o melhor é substituí-los por mais Sea Hawk ( seria o melhor de qualquer jeito, já que a própria MB se decidiu por ter escoltas capazes de operar aeronaves médias )…

    • RR mas os sea hawk não é de outra categoria, isto é mais pesado e com isso em embarcações menores teria limitações ao seu peso?

  6. Parece que a Marinha de Portugal vai seguir a Marinha do Brasil e modernizar seus Lynx com remotorização…

Comments are closed.