No início do ano, os jatos de corredor único e os caças eram os únicos dois segmentos que impulsionavam o crescimento do mercado de aeronaves.

Infelizmente, as entregas do Boeing 737 MAX e o corte na produção significam que os jatos de corredor único não contribuirão para o crescimento neste ano, apesar dos aumentos de produção do A320 e do A220.

Mas os caças ainda estão indo muito bem e manterão a linha de frente da indústria crescendo este ano. As entregas de caças em 2018 cresceram apenas 4% em relação a 2017, mas agora as linhas de produção estão prontas para fazer de 2019 um ano recorde, com crescimento de 24% sobre 2018. Este ano será o melhor desde 1992 (em termos de dólares).

Existem cinco razões principais por trás do crescimento notável do segmento de caça, que não são mutuamente exclusivas:

O F-35 da Lockheed é o maior impulsionador do mercado, com a tão esperada “rampa de produção” (aumento da produção) finalmente alcançando resultados. No ano passado, as entregas atingiram 91 aeronaves, contra 66 de 2017 e 46 de 2016. No primeiro trimestre de 2019, houve 26 entregas, com expectativas para o ano inteiro de 130. Espera-se que o crescimento continue até 2023, com um pico provável de 164 entregas naquele ano. A linha do F-35 será capaz de atingir 180 entregas com as instalações atualmente planejadas.

O segundo fator é o alto nível de gastos com defesa, com níveis associados de utilização de equipamentos. Em abril, o Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz em Estocolmo (Stockholm International Peace Research Institute – SIPRI) divulgou seus últimos dados sobre gastos militares em todo o mundo, que mostraram um aumento de 2,6% em 2018. Isso estabeleceu um novo nível recorde (desde os dados do SIPRI em 1988) de US$ 1,822 trilhão. Esse crescimento é o reflexo da aquisição de novas aeronaves militares e, é claro, reflete a maior utilização da frota existente em áreas de conflito e tensão. Maior utilização também impulsiona a demanda de substituição.

Frotas envelhecidas são o terceiro impulsionador. A idade média das frotas de aviões de combate no Mundo varia entre 25 e 30 anos. Esse problema é razoavelmente distribuído – não há regiões do mundo onde a idade média não seja de pelo menos 25 anos. Combine isso com altos níveis de utilização e um conjunto simples de opções surgirá: os países podem comprar mais jatos, gastar mais em atualizações e programas de extensão de vida ou podem confiar menos no poder aéreo. Novamente, não há nada sobre eventos mundiais que impliquem que alguém escolherá a terceira opção.

A Coreia pretende finalizar o desenvolvimento do KF-X até 2026.

O Japão é uma boa ilustração disso. No ano passado, o país aumentou a compra planejada do F-35 de 42 para 147 aeronaves. No entanto, ainda não tem um plano para substituir muitos de seus 200 F-15 Eagle e 100 Mitsubishi F-2.

O quarto fator é o dobro (e até o triplo) da terceira. A geopolítica desempenha um papel importante nas decisões de compra de caças – quando um país compra um caça, também adquire uma relação estratégica. Cada vez mais, os países clientes estão buscando vários desses relacionamentos, talvez para se proteger contra o risco (constante) do corte de armas por parte dos humores dos governantes.

Assim, nos últimos anos, o Egito quebrou sua sequência de três décadas de dependência de caças dos EUA ao comprar o Dassault Rafale da França e o MiG-35 (29M/M2) da Rússia. Notavelmente, o pequeno Qatar tornou-se o primeiro cliente de exportação a encomendar três modelos pesados bimotores (F-15, Typhoon e Rafale) ao mesmo tempo.

Finalmente, os produtores emergentes (e reemergentes) estão contribuindo para o crescimento do mercado. A soberania do design e fabricação de caças está voltando à moda como uma aspiração. A Coréia do Sul está finalizando o protótipo do seu KF-X e a Turquia está avançando com seu TF-X. A AIDC de Taiwan retomou a produção do caça Ching-Kuo numa variante de treinamento rápido e o Japão está considerando produzir sozinho ou em parceria com outra nação do seu projeto de caça, o F-3.

Esses cinco fatores, e outros menores, continuarão a impulsionar o mercado de Caça até 2025, pelo menos. Espera-se ver o crescimento retomar no mercado de aviões comerciais no próximo, tanto no segmento de jatos regionais quanto nos modelos maiores. Por enquanto, caberá aos caças manter a indústria aeronáutica sem a luz vermelha acessa.


Com informações de Aviation Week

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