O helicóptero H-36 Caracal da FAB pousou pela primeira vez a bordo do Navio Doca Multipropósito Bahia (NDM Bahia), da Marinha do Brasil (MB). (Foto: Tenente Airton)

O Helicóptero H-36 Caracal, do Esquadrão Puma (3º/8º GAV), da Força Aérea Brasileira (FAB), efetuou, pela primeira vez, um pouso embarcado em um navio em alto mar. A missão ocorreu, nessa quarta-feira (24), no Navio Doca Multipropósito Bahia (NDM Bahia), da Marinha do Brasil (MB) e contou, também, com a participação do Exército Brasileiro (EB).

O pouso foi resultado de um mês de estudos de um Grupo de Trabalho Interforças (GTI), coordenado pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, do Ministério da Defesa (MD), e integrado por militares das três Forças.

A MB disponibilizou a embarcação e realizou a qualificação de tripulações do EB e da FAB; o EB participou com quatro militares (dois oficiais pilotos e dois graduados tripulantes) e a FAB participou com a aeronave e com nove militares (um oficial superior coordenador, quatro oficiais pilotos e quatro graduados tripulantes).

“A importância da capacitação que o Esquadrão e, por conseqüência, a FAB acabou adquirindo, é a de poder, a bordo de embarcações da Marinha, operar em qualquer parte do mundo. Pois são justamente os helicópteros, vetores extremamente versáteis, aqueles mais utilizados em missões humanitárias da ONU”, avaliou o Comandante do 3°/8° GAV, Tenente-Coronel Aislan Brum Cursi.

Para o coordenador do grupo, Vice-Almirante Victor Cardoso Gomes, o acontecimento foi um marco. “Tanto o Exército quanto a FAB estão acostumados a cumprir missões em aéreas restritas, então, se ambientar em uma situação embarcada, é algo em que a orientação pra pouso, a fonia e os circuitos de tráfego aéreo são diferentes e demandam uma preparação grande. É uma ação que exige tomar precauções de segurança”, explicou.

O treinamento inicial começou no dia 15 de outubro na Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia (BAeNSPA), no Rio de Janeiro (RJ). Nos dois primeiros dias, ocorreram aulas teóricas sobre a doutrina da MB acerca do pouso embarcado. Já o terceiro dia foi utilizado para a realização de treinamento dos procedimentos numa plataforma em terra, ao lado da pista de São Pedro. Tal treinamento ocorreu em uma aeronave da Marinha, com tripulação mista, visando a ambientação com os sinais dos orientadores, sinalizadores e o restante do pessoal embarcado.

Entre os dias 22 e 24 de outubro, ocorreu o efetivo pouso embarcado no NDM Bahia em alto mar. No primeiro e segundo dias, os pousos foram realizados ainda com uma aeronave da MB, com tripulação mista. Já no dia 24, foram utilizados helicópteros do 3º/8º GAV, com equipagem completa da FAB.

Atualmente o H225M, na FAB conhecido como H-36, é utilizado pelas três Forças Armadas do Brasil, sendo esse um dos principais fatores de sua escolha para futuras participações em operações embarcadas.

“A interoperabilidade tem sido cada vez mais importante, pois a interação entre as Forças torna possível uma maior flexibilidade diante de vários cenários que possam aparecer. Isso já vem acontecendo, inclusive, na parte logística, onde o projeto HXBR troca muitas informações entre aeronaves similares. Temos aproveitado esse ganho, e agora partimos para a parte operacional também”, ressaltou o Comandante do Esquadrão HU-2, da Marinha do Brasil, Capitão de Fragata Leonardo Alonso Corrêa da Costa.


Fonte: Ala 12 – Edição: Agência Força Aérea, por Tenente Carlos Balbino

4 COMENTÁRIOS

  1. Todos os envolvidos só tem o que ganhar com tais operações. Treinar nunca é demais, és a diferença em uma ação real. Muitos vão achar simples o acontecido e que essa foi uma matéria desnecessária, porém o pouso embarcado não é uma coisa fácil.

  2. O acontecimento é marcante.

    Se um dia a MB voltar a operar navio-aeródromo, uma boa solução seria dotar o navio com aeronaves de alto desempenho da MB e da FAB.

    Assim, o esquadrão seria formado por Gripen M da FAB e do VF-1 ou outra aeronave semelhante.

    As aeronaves AEW&C poderiam ser operadas pelo VEC-1.