AF-6 Flight 57O F-35 é o caça mais caro da história atual. Um programa ousado, revolucionário, ambicioso, que visa atender a todos os requisitos aeronáuticos de uma aeronave militar, mas tudo tem o seu preço.

Todos os dias surgem notícias na mídia dos problemas enfrentados pelo F-35. Numa hora é o software que não apresenta o que foi prometido, noutra é a fadiga da estrutura e quando não é nenhum desses dois, o motor apresenta problema.

Porém, se buscarmos na literatura veremos que o que acontece hoje com o F-35 e o F-22, já aconteceu com aeronaves ditas “revolucionárias” no Passado.

Abaixo, uma pequena seleção das “problemáticas” aeronaves que demonstraram de sobre maneira que o conhecimento é Empírico.

Hawker Hunter

Projetado para recuperar o prestígio da indústria aeronáutica britânica, foi o último aparelho da Hawker. O Hunter sofreu com o motor AVON que possuíam características de aceleração horríveis e que se acentuavam com o disparo das armas. Além disso, o caça britânico tinha profundores comandados manualmente que depois passaram para acionamento elétrico, mas tal arranjo causava dificuldades no instante final do pouso, além de proporcionar um pobre controle lateral a elevados números Mach. A vibração causada pelo disparo dos canhões também comprometia a estrutura nas proximidades das armas e os gases dos cartuchos se acumulavam na fuselagem dianteira, chegando, em certa ocasião, a estourar o cone do nariz! Mas o grande problema, além da pequeníssima autonomia, foi o seu freio aerodinâmico, o que retardou a sua entrada em serviço.


F-4 Phantom II

Recebido com desconfiança pelos especialistas, o F-4 tornou-se o principal avião de combate do Ocidente.

Quando a McDonnell Aircraft projetou nos anos 50, ninguém dentro da empresa poderia supor que estavam criando aquele que dominaria o cenário mundial nas duas décadas seguintes, mas o caminho não foi fácil. Desde o início, em testes de túnel de vento, se descobriu que o Phantom sofria de problemas de instabilidade, as quais as soluções resultaram na sua singular silhueta. No Vietnã, acidentes frequentes de estol e parafuso, quando a aeronave executava uma curva fechada a baixa altitude e com carga bélica total (algo totalmente não especificado no projeto) levou a criação de um novo bordo de ataque para as asas e o uso de slats gigantes ao invés dos flaps de fluxo forçado, melhorando em muito o raio de curva e as manobras de combate.

f-4-phantom


F-100 Super Sabre

Primeiro projeto supersônico do Ocidente, o ‘Hun’ enfrentou grandes problemas, mas serviu com eficiência diversas forças aéreas.

O F-100 era novo em tudo e apresentou graves problemas de instabilidade de voo, falha estrutural e falha do sistema hidráulico. A adição de meros 66 cm de deriva fizeram a diferença entre a vida e a morte.

F-100 Super Sabre


F-101 Voodoo

Caça de penetração e escolta, o McDonnell Voodoo desempenhou funções diversas e comprovou o seu valor.

O Voodoo desde o início enfrentou problemas, fosse de motor, fosse de suas linhas. O motor J57-P-13 tendia a sofrer estol do compressor, apagando o motor. Outro problema era a instabilidade longitudinal, fazendo o avião ter a tendência a empinar o nariz. Cerca de 2.300 melhorias foram feitas para a aeronave entre 1955 e 1956 antes da produção plena ser  retomada em novembro de 1956. O F-101A, aceito pelo TAC (Tactical Air Command), apesar de uma série de problemas, como a sua fuselagem que só podia resistir a somente 6,33 g de manobras, em vez do pretendido 7,33 g. O Voodoo teve problemas por toda a sua vida operacional.

f_101_voodoo_b


F-104 Starfighter

Prejudicado como caça pelas asas curtas, revelou-se um ótimo projeto para ataque, reconhecimento e interceptação.

O Starfighter dispensa um texto. Sua história é mais do que conhecida e é preciso admitir que o avião só tinha um grande defeito: não admitia erros. O avião também sofreu, no início, de estabilidade direcional e um fraco pós queimador, mas o caça sempre será lembrado pelo fato de ter um assento ejetável para baixo (que foi mais tarde substituído por um modelo convencional), o que se mostrou fatal a baixa altitude e alcunhou a aeronave como “fazedora de viúvas”.

F-104


F-105 Thunderchief

Com uma intensa carreira operacional, o F-105 Thunderchief tornou-se um dos principais caças da USAF nos anos 50 e 60.

O projeto do ‘Thud’ surgiu num período em que as inovações se sucediam com grande rapidez. O YF-105A logo revelou que a aeronave era fraca em potência e sofria de problemas com arrasto transônico. Para solucionar esses problemas a Republic substituiu o motor pelo mais potente Pratt & Whitney J75, que alterou a disposição das entradas de ar, e forçou ao redesenhado da fuselagem do F-105. O avião, assim como o F-35, foi inicialmente atormentado por problemas com seus aviônicos.

F-105D_Thunderchiefs_refuel


F-111 Aardvark

O F-111 foi pioneiro em várias tecnologias para a produção de aeronaves, incluindo as asas de geometria variável, motores turbofan com pós queimador, radar de seguimento de terreno para vôo supersônico em baixíssimo nível, dentre outras. Seu design influenciou mais tarde aeronaves de asas moveis, e alguns dos seus recursos avançados, desde então, tornaram-se comuns. O F-111 sofreu uma série de problemas durante o desenvolvimento inicial e vários de seus papéis destinados, como o interceptador naval F-111B não se concretizou, vindo a ser cancelado. O F-111 teve seus defeitos de projeto revelados durante a operação “Combat Lancer”. Das 55 missões lançadas, três das seis aeronaves enviadas ao Vietnã foram perdidas! Relatos de dois tripulantes que sobreviveram levaram a descoberta de fadiga estrutural com menos de 5.000 horas! Descobriram-se problemas estruturais na caixa central da asa (o coração estrutural da aeronave!), que logo retirou toda a confiabilidade no programa de testes da General Dynamics. A caixa continha os pinos de 21cm da articulação das asas. Apesar do aço extremamente resistente (ladish D6AC) e da forma como eram construídos, a solução custou varios milhões de dólares, um peso adicional de 227kg e um limite de força G, mas mesmo assim, uma aeronave simplesmente perdeu uma asa em vôo. Durante os novos testes, mais e mais problemas foram encontrados. Além disso, o F-111 tinha um problema com as entradas de ar, que tiveram de ser reprojetadas (com o F-111E). A Pratt & Whittney desgastou muito a sua imagem por causa disso, mas é claro, não podemos deixar de lembrar que o motor TF-30 também tinha a sua parcela de culpa.

F-111A

“E preferível ser o primeiro numa aldeia a ser o segundo em Roma.” (Júlio Cesar)


PESQUISA: CAVOK

IMAGENS: Internet

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74 COMENTÁRIOS

  1. me parece desculpa para acalmar os puros de coração! hoje em dia guerras tem poucas semanas de ação intensa, e olha lá! em mais uns 5 anos, o F-22 teria que passar por uma senhora atualização para encarar o que vem vindo por ai, que é mais facil investir em outros meios!

  2. RR,

    não tome o que vou dizer como arrogancia, mas sua formação não é tecnica, a forma das asas pode ser dimensionada e suas tensões facilmente definidas por equações matematicas, o que torna sua forma diferente e a necessidade da reflexão das ondas de radar, ou novos materias que tem seus limites mecanicos definidos em ensaios!

    estamos falando de um pais que produz aviões a 100 anos, experiencia não falta!

    por isso e como disse antes, a Lockheed prometeu algo que não pode entregar, pelo menos não com os materiais disponiveis hoje!

    o motor pode ser o mais potente em um caça, mas não é o mais potente motor ja feito pelos americanos!

  3. Ótimo post.
    Tem um detalhe interessante na foto do Hunter vocês perceberam?

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