Como era a detecção de aeronaves de 1917 a 1940.

A localização acústica foi utilizada desde meados da Primeira Guerra Mundial até os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial para a detecção passiva de aeronaves ao pegar o ruído dos motores.

A localização acústica passiva envolvia a detecção de som ou vibração criada pelo objeto que está sendo detectado, que era então analisado para determinar a localização do objeto em questão. Os chifres dão ganho acústico e direcionalidade; o aumento do espaçamento entre chifres em comparação com as orelhas humanas aumenta a capacidade do observador de localizar a direção de um som. As técnicas acústicas tiveram a vantagem de poderem “ver” nos cantos e sobre as colinas, devido à refração do som. A tecnologia tornou-se obsoleta pela introdução do Radar (radio detection and ranging – deteção e telemetria pelo rádio), muito mais efetivo.

O primeiro uso de detecção por som foi reivindicado pelo Comandante Alfred Rawlinson da Royal Naval Volunteer Reserve, que no outono de 1916 estava comandando uma bateria antiaérea móvel na costa leste da Inglaterra. Ele precisava de um meio de localizar os Zeppelins durante condições adversas de tempo e improvisou um aparelho com um par de chifres gramaphone montados em um poste rotativo. Vários desses equipamentos foram capazes de dar uma correção bastante precisa sobre os dirigíveis que se aproximavam, permitindo que as armas fossem direcionadas para eles, apesar de estarem fora da vista.

Super heróis? Não! Dois soldados alemães em uma estação de detecção em 1917. A fotografia mostra um oficial subalterno e um soldado que usam aparelhos de localização acústica/óptica combinados. Os óculos de pequena abertura eram ajustados para que quando o som fosse localizado girando a cabeça, a aeronave seria visível.

Embora nenhum método de sucesso tenha sido obtido, Rawlinson afirmou ter forçado um Zeppelin a desistir de um ataque em uma ocasião. Os instrumentos de defesa aérea geralmente consistiam em grandes chifres ou microfones conectados às orelhas dos operadores usando tubos, como um estetoscópio muito grande.

A maior parte do trabalho sobre o alcance da detecção através do som foi feito pelos britânicos. Eles desenvolveram uma extensa rede de “espelhos” de som que foram usados da Primeira a Segunda Guerra Mundial. Os espelhos de som normalmente funcionavam usando microfones móveis para encontrar o ângulo que maximizava a amplitude do som recebido. Dois espelhos de som em diferentes posições geravam duas informações, o que permitia a triangulação para determinar a posição de uma fonte de som.

À medida que a Segunda Guerra Mundial se aproximava, o radar começou a se tornar uma alternativa confiável para a localização sólida das aeronaves. A Grã-Bretanha nunca admitiu publicamente que estava usando o radar até a guerra, e, em vez disso, a publicidade foi dada à localização acústica, como nos EUA. Os alemães continuaram cautelosos com a possibilidade de localização acústica, e é por isso que os motores de seus bombardeiros pesados eram ajustados para não operarem sincronizados (uma prática habitual para reduzir a vibração) na esperança de que isso torna-se a detecção mais difícil.

Para as velocidades típicas das aeronaves da época, a localização sonora só dava alguns minutos de aviso. As estações de localização acústica foram deixadas em operação como backup caso a tecnologia do radar falha-se. Após a Segunda Guerra Mundial a detecção por ondas sonoras continuou sendo estudada, mas sem aplicação prática.


FONTE: Rare Historical Photos

6 COMENTÁRIOS

  1. Bem inútil usar um método de detecção sonoro contra um alvo supersônico, melhor caçar com binóculos mesmo ehehhe.
    Mas a técnica de mudar o angulo para maximizar o sinal recebido tem aplicações atuais bem importantes contra stealths!

  2. Já tinha visto essas fotos algumas outras vezes pela internet, sempre fiquei na dúvida se eram mesmo verdadeiras, tendo em vista o quão ridículo isso nos parece hoje em dia, mas para época era uma super tecnologia..
    Daqui 100 anos vão pensar a mesma coisa e dar risada da nossa atual tecnologia.
    Agora imaginem o estrago que isso deveria fazer nos tímpanos dos pobre coitados operadores..
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    Em relação ao uso atual, com equipamentos mais sofisticados para detecção de aeronaves stealth por exemplo, acredito que realmente seja de valia.
    É bom lembrar que hoje é usado principalmente nos oceanos para detecção de submarinos etc..
    Vide a pouco tempo o caso da "escuta" da explosão do submarino argentino, por equipamento semelhante, aonde foi feito uma triangulação com vários sensores acústicos espalhados pelo oceano obtendo-se assim a localização aproximada.
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    Esse é só mais um dos inúmeros recursos que os americanos e britânicos tem a disposição na ilha de Ascensão para vigilância/espionagem de todo atlântico sul por exemplo..