O DC-3 nas cores da companhia aérea TACA, repousa no gramado do Museu del Aire, em Honduras, com um C-46 Commando visto atrás. (Foto: Rafael Venzon / Cavok)

Fundado em 2000 e aberto ao público em 2002, o Museo del Aire de Honduras, está localizado no histórico aeroporto de Toncontín, na capital hondurenha, Tegucigalpa. São 25 aviões que estão expostos em um espaço vizinho à Base Aérea Hernán Acosta Mejía. Acompanhe a visita com o Cavok.

Apesar de ser um museu jovem, que ainda está sendo estruturado, pode-se ver o cuidado com que os voluntários (sim, voluntários) que o administram, tem com o raro acervo que contam em suas mãos. Com aviões que fizeram história na aviação latina à partir da década de 30 , o museu conta com verdadeiras raridades preservadas nesse simpático país centro-americano.

No prédio principal há várias salas temáticas que contam a história da aviação civil e militar em Honduras. Em um desses painéis, uma homenagem ao nosso Santos Dumont. Uma de suas companhias aéreas surgidas na década de trinta, a TACA (Transportes Aéreos Centro Americanos), fundada em 1931, fez frente à toda poderosa Pan American.

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Com o apoio político do governo hondurenho, tinha um ousado plano de criar uma subsidiária em cada país do continente americano. No Brasil, fundaram a Aerovias Brasil em 1942. Por isso, qualquer semelhança entre pinturas das aeronaves e suas marcações , não é mera coincidência.

North American NA-16

North American NA-16. Aeronave mais antiga da coleção, participou da Segunda Guerra pela FAH. (Foto: Rafael Venzon / Cavok)

Entregue em conjunto com um lote de 03 unidades, compradas em 1935, o NA-16 é a aeronave mais antiga do museu, recebida em 1938 e que teve participação importante na patrulha da costa hondurenha durante a Segunda Guerra Mundial. Esse modelo, foi o que iniciou a linhagem de treinadores da North American Aviation, sendo fornecido para o USAAC ( United States Army Air Corps ) como BT-9, para treinamento básico. Nossa Aviação Naval utilizou 12 aeronaves do modelo NA-46, muito similar ao modelo usado por Honduras. O NA-16 FAH-21 foi a primeira aeronave restaurada pelo museu e hoje está exposta na parte externa, sobre uma pista modular metálica. É provavelmente o único exemplar original no mundo, preservado e restaurado com todas as peças recebidas no lote da década de trinta.

Além dessa aeronave, o museu também conta com um raro P-63E Kingcobra, que apesar de fazer parte do seu acervo, está exposto sobre um pedestal em frente ao Cassino dos Oficiais da FAH, em um prédio vizinho ao Museo del Aire. Essa aeronave foi recebida em conjunto com alguns P-38 Lightning após a Segunda Guerra Mundial e tornou a FAH uma das mais bem equipadas da região. Ambos modelos foram utilizados em um conflito contra a Nicarágua em fins dos anos 50.

Guerra das 100 Horas – Também conhecida como a Guerra do Futebol (aliás, segundo Hondurenhos e Salvadorenhos, é um desrespeito se referir ao conflito dessa forma), foi um conflito de muito curta duração, originado em disputas de fronteira entre os dois países no ano de 1969. Nesse conflito, registraram-se os últimos combates entre aviões a pistão no mundo.

No museu estão alguns aviões que participaram desse conflito, tais como o C-47 Dakota FAH-306, que realizou missões de bombardeio em alvos Salvadorenhos em resposta aos ataques surpresa realizados pela Força Aérea Salvadorenha no primeiro dia do conflito.

Imediatamente após os ataques, a FAH lançou patrulhas de combate com seus Vougth Corsair, dos modelos F4U-5 e F4U-4, para caçar invasores salvadorenhos e conquistar a supremacia aérea do conflito. No dia 17 de julho de 1969, segundo dia do conflito, o então Cap. Fernando Soto Henriquez, pilotando seu F4U-5 Corsair FAH-609 abateu três aviões inimigos: um Cavalier F-51D Mustang pela manhã e dois FG-1D Corsair (versão fabricada pela Goodyear dos Corsair) na parte da tarde. Isso o tornou o piloto com maior número de vitórias aéreas na América Latina.

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Seu avião, o FAH-609, ou simplesmente o “609” é a estrela da coleção do museu! Hoje é a única aeronave que está exposta dentro do hangar principal do Museo del Aire.

O Corsair impressiona, tanto pelo tamanho, como pela primorosa e cuidadosa restauração realizada em conjunto com a FAH. Parece recém-saído de fábrica. As marcações dos aviões abatidos, abaixo do canopy, remetem aos tempos guerreiros dessa aeronave.

Após esse conflito, a FAH programou sua modernização encomendando aviões F-86K Sabre Dog, de segunda mão e fabricados na Itália. Receberam também 10 jatos F-86 Sabre, ex-Iugoslávia e fabricados pela Canadair. Prosseguindo com suas aquisições de jato, receberam de Israel, 12 jatos MD Super Mystére B.2. Essas aeronaves são veteranas das Guerras do Yom Kippur e dos Seis Dias e tiveram seus motores franceses substituídos por motores J-52. Exemplares dessas três aeronaves estão também expostos no museu.

Vários outros clássicos fazem parte do inventário, tais como os North Americans T-6C Texan e T-28B Trojan, jatos T-33 Shooting Star e A-37B Dragonfly. Os helicópteros estão representados por modelos Bell H-13 e UH-1B, além de um pequeno Hughes 300. A aviação civil está representada por modelos leves da Cessna e Beechcraft, além de modelos de transporte como o Beech 18, um Curtiss C-46 Commando, um Douglas DC-6 e um belíssimo exemplar de um C-47 da TACA.

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Hoje a maior prioridade do museu é a construção de hangares para então, começar os restauros dos aviões colocados na área externa. Tratativas com empresas e com a FAH estão sendo feitas para viabilizar esses recursos. Dificuldades assim, são vistas em vários outros museus e o Museo del Aire não é uma exceção. Há também, uma loja de souvenires para os visitantes além de vários modelos plásticos em exposição estática.

O Museo del Aire é um museu pequeno, jovem, mas que conta com uma motivação muito grande por parte de seus administradores e voluntários. Todas as visitas são acompanhadas por guias com muito conhecimento para compartilhar. Você vai se sentir em casa, imaginando aquelas fantásticas aeronaves combatendo em céus da América Central. Vale a visita com certeza!

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