O Pentágono emitiu um relatório onde consta que a China está melhorando e aumentando suas opções para uma possível invasão de Taiwan, com investimentos maciços em capacidades militares multi-domínio, oferecendo um leque de opções para derrotar a ilha autônoma.

Essas opções vão desde um bloqueio aéreo e marítimo de Taiwan a uma invasão em larga escala, embora a última opção exija um aumento significativo no número de navios anfíbios, de acordo com o mais recente Relatório Anual do Poderio Militar da China (China Military Power Report) divulgado no dia 3 de maio pelo Departamento de Defesa.

No entanto, o relatório advertiu que os esforços do Exército chinês para converter a maior parte de suas unidades de manobra em brigadas de armas combinadas “deveriam eventualmente criar brigadas e batalhões modulares mais capazes”, enquanto a “expansão da aviação do Exército e a criação de duas novas brigadas de assalto aéreo também oferecem mais capacidade de ataque aéreo e opções de apoio aéreo aproximado para uma invasão de Taiwan”.

O Exército da China também fez esforços para melhorar sua capacidade de inserir forças por via aérea, reestruturando seu corpo aéreo e estabelecendo unidades de assalto aéreo, que seriam encarregadas da ocupação do terreno principal. Essa reestruturação viu reorganizar suas unidades anteriores em brigadas de infantaria aerotransportadas, uma brigada de operações especiais, uma brigada de aviação e uma brigada de apoio. Num grande exercício de treinamento em 2018, operações de longa distância e aéreas com base em planos reais de guerra foram conduzidas.

O Exército também estabeleceu uma força de apoio logístico conjunto no final de 2016, com o objetivo principal de apoiar uma campanha estratégica, como uma invasão a Taiwan. Isso seria realizado por meio de comando e controle de logística conjunta, entrega de material e gerenciamento de vários mecanismos de apoio à integração civil-militar. Sua força de apoio estratégico seria então responsável pelo uso de guerra eletrônica e operações cibernéticas durante a campanha, “capturando e mantendo o controle de informações no campo de batalha na guerra informatizada contemporânea”.

O relatório acrescentou que o Exército provavelmente ainda está explorando como reformar seus processos conjuntos de comando para integrar mais plenamente as operações de informações e Inteligência, Vigilância e Reconhecimento na linha de frente, mas observou que as reformas estruturais removeram as maiores barreiras à integração dessas organizações.

No entanto, o relatório levanta questões sobre a capacidade atual da China de realizar uma invasão em grande escala. Apesar dos avanços na qualidade e quantidade de seus navios e submarinos de superfície, a Marinha chinesa tem adquirido nos últimos anos apenas um pequeno número de navios ´de navios-anfíbios que seriam necessárias para um assalto direto em larga escala na praia”.

A preparação do recém-expandido Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha da china também estava em dúvida, com exercícios raramente indo além dos eventos do batalhão e suas brigadas recém-criadas ainda para receber “todo o equipamento necessário e não totalmente capacitado para a missão”. Um outro relatório observou que o escopo de treinamento para essas unidades era “rudimentar e as novas brigadas continuam desequipadas para realizar operações de assalto anfíbio”, concluindo que uma invasão à Taiwan, além de estar repleta de risco político significativo, “provavelmente forçaria as forças armadas chinesas”.


Com informações de Defense News

8 COMENTÁRIOS

    • Duvido muito que os EUA se dedicariam de corpo e alma na defesa de Taiwan, porque a despeito da rivalidade entre EUA e China e também do tratado de defesa que os americanos têm assinado com Taiwan, também é muito forte a interdependência econômica que há entre China e EUA e, o principal: a classe econômica americana na forma de suas empresas ganha muito, mas muito dinheiro, atuando no mercado doméstico chinês, o maior do mundo. Duvido que o discurso belicista de um Olavo de Carvalho americano conseguisse dobrar os interesses econômicos do 'business' americano.

      • Também acho. Quando digo consequências me refiro não só às militares, mas principalmente econômicas. Teriam que lidar com o custo do conflito e também com possíveis sanções internacionais que poderiam gerar perdas maiores até do que o custo do próprio conflito.

  1. Duas observações sobre o tema:

    1 – Numa eventual operação militar contra a ilha, segundo especialistas militares chineses e ocidentais ouvidos por órgãos de mídia, dificilmente se veria a clássica invasão apoiada na infantaria como foram os movimentos militares até a segunda metade do século passado. O ataque, segundo eles, começaria com uma chuva intermitente de mísseis sendo disparados da costa leste da China – que fica a não mais que 300 km do seu ponto mais próximo, a costa de Guandong, em relação ao litoral de Taiwan. Após essa chuva de mísseis, começariam os ataques aéreos contra alvos específicos como instalações militares e torres de comunicação. Esses ataques visariam minar a moral da população taiwanesa, onde alguns se radicializariam na defesa contra os agressores, mas como também haveria aqueles que defenderiam a anexação. E, não esqueçamos, que atualmente já existe uma parcela da opinião pública da ilha que defende a incorporação à China.

    2 – Não teria certeza, mas é quase certo que na História da Humanidade, os nacionalistas chineses derrotados pelos comunistas de Mao Zedong na Guerra Civil Chinesa, foi (ou foram) o único (ou um dos poucos) grupo(s) político(s) derrotado(s) e, que assim mesmo, não sumiu(ram) da face da Terra, por graça de intervenção de força estrangeira. Podem se considerar abençoados de ainda poderem desfrutar de uma existência ainda moderadamente pacífica, mas que acaba tendo sua mensagem político-ideológica um tanto questionada, a partir do momento que seus rivais conseguem transformar a nação mais populosa do planeta (e que era uma das mais pobres quando do final da Guerra Civil) em uma superpotência, enquanto eles, os nacionalistas, só conseguiram fazer da sua ilha um próspero lugar, tendo em vista terem se abrigado sob o guarda-chuva americano.
    Concordo com os que se manifestaram antes: Taiwan deveria ser parte da China e, no fundo, é apenas um ajuste político de como se encaixar os interesses da elite taiwanesa frente ao que seria um novo ordenamento jurídico-legal sob a China. Talvez a adoção da chamada política de 'Um país, dois sistemas', em que atualmente se escora a relação entre a China e Hong Kong/Macau, seja o mais indicado.

  2. Tem um elemento interessante nessa história que a reportagem citou indiretamente.

    Uma analise demográfica de Taiwan mostra que a exemplo de países europeus, a população nativa taiwanesa está envelhecendo e diminuindo rapidamente, enquanto as imigrações, principalmente de chineses continentais, estão aumentando. Hoje a taxa de natalidade está menor que 1,2, 20% da população já são idosos e já está oficialmente em declínio populacional.

    Por isso a temperatura na reportagem aumentou a partir de 2016.
    A eleição presidencial taiwanesa de 2016 teve como ingredientes principais esse panorama, com o Kuomintang tentando manter a política tradicional de neutralidade de soberania, uma China, duas visões, enquanto a vencedora é a favor de uma resolução da situação da soberania de Taiwan antes que o fluxo migratório/demográfico crie um cenário desfavorável. Obviamente, se a candidata da independência ganhou com ampla maioria, pode-se dizer que a população taiwanesa nativa compartilha dessa visão de necessidade de independência em breve, e por isso os chineses começaram a ficar ouriçados.
    De imediato a presidente limitou ainda mais a imigração chinesa mas a questão de soberania precisa logicamente de armas e ajuda externa, coisa que até hoje não conseguiram.

    Na prática, no cenário do jeito que está Taiwan será anexada pacificamente em 50 anos ou menos, e não é de interesse chinês acelerar esse processo mas podem surgir atritos se Taiwan conseguir um parceiro de costas quentes para garantir seu processo de independência, o que é quase impossível.

  3. O Tigre está se exercitando. E o Tigre não despende energia a toa.
    Porém, a China procura intimidar Taiwan, o poder militar da ilha não é nada desprezível. Seu poder militar é um reflexo do poder econômico, a China usa de suas forças armadas como projeção de poder, até para dizer que os EUA não mandam na região.
    Porém, um ataque a Taiwan seria muito mais que mera afronta aos EUA, seria uma demonstração de inércia dos EUA perante Coréia e Japão, algo que não seria tolerado.