B-52 Dropping Rocket PlaneQuando o AIM-9 Sidewinder entrou em uso com as unidades da Guarda Aérea Nacional dos EUA, pilotos decolavam para treinar interceptação de bombardeiros usando como alvo o B-52.

f-100d_sidewinderA primeira unidade da Guarda Aérea Nacional a usar o AIM-9 Sidewinder foi o 188º FIS (188th Fighter Interceptor Squadron), baseado no Novo México, tendo como vetor o North American F-100 Super Sabre.

No dia 7 de abril de 1961, o primeiro tenente James W. Van Scyoc decolou da Base Aérea Kirtland pilotando o F-100A-20-NA #53-1662, tendo como ala o Capitão Dale Dodd. Cada “Hun” tinha um par de mísseis AIM-9B Sidewinder (na época a designação que a USAF usava era GAR-8).

O alvo daquele dia era o Boeing B-52B Stratofortress “Ciudad Juarez”, da 95º Ala Bombardeira do Comando Aéreo Estratégico (95th Bomb Wing, Strategic Air Command), pertencente a Base Aérea de Biggs em El Paso, Texas. O piloto e veterano de guerra, Capitão Donald D. Blodgett, não gostava de servir de alvo para os caças, mas a missão era também uma boa forma do sargento Ray Singleton, artilheiro do canhão de 20mm da cauda, praticar um pouco, mesmo o canhão tendo mira por radar.

O controle de solo guiou os F-100 para uma interceptação perto de Albuquerque, a 34.000 pés (10.300 m) acima de uma nevasca. O controle de solo após confirmar com ambos os pilotos que suas armas estavam em segurança, vetorou-os para a interceptação. O Ten. Van Scyoc, então com 27 anos, não era apenas responsável pela segurança do 188º, mas também tinha escrito os procedimentos operacionais padrão do Sidewinder. Com um interruptor na posição “nonfiring” e um disjuntor desligado, o lançamento de um GAR-8 era teoricamente impossível.

Ciudad Juarez
B-52B “Ciudad Juarez”

No horizonte, o Sargento Singleton viu os rastros de vapor dos Super Sabres, logo eles estariam ao alcance das armas, flashes de metal e tudo estaria terminado. Os F-100 passaram rugindo pelo bombardeiro. Cinco passes no total.

Van Scyoc observou o nível do combustível e por rádio contatou Dodd para uma ultima passagem. Ele puxou o manche e iniciou mais uma corrida, nivelou e mergulhou sobre o B-52. Nos fones, a cabeça do Sidewinder rosnava cada vez mais alto. Ele apertou o gatilho, simulando o lançamento do míssil e já se preparava para puxar o manche quando um clarão surgiu ao seu lado e ele viu, horrorizado, o Sidewinder partir em direção ao grande avião.

Na cabine do Ciudad Juarez, o piloto automático estava no comando. Foi quando Blodgett ouviu um espantado Van Scyoc chamando: “Cuidado! Cuidado! Um dos meus mísseis se soltou e vai em direção de vocês!

F-100_AIM-9B
No início a USAF havia renomeado o AIM-9B Sidewinder como GAR-8
F-100 abate B-52_don hollway
Concepção artística do incidente. (Crédito: Don Hollway)

Um grande baque, seguindo de um estrondo que inundou a cabina. O bombardeiro estremeceu e rolou para a esquerda. O Sidewinder acertou a asa esquerda, na altura entre os motores internos e externos, explodindo a asa.

O co-piloto consegui puxar a sua alavanca de ejeção. Blodgett ficou preso por causa da força G, mas conseguiu puxar a sua alavanca e se ejetar. No B-52, só os pilotos tem assentos ejetores. As 12h15min o Ciudad Juarez caiu, abrindo uma cratera de 20 metros no Monte Taylor, levando consigo a vida de três tripulantes. Blodgett quebrou a pélvis na aterrissagem, sendo logo encontrado por Singleton, que sofrera queimaduras causadas por respingos de combustível. No final, Blodgett, Singleton e mais três tripulantes conseguiram se salvar.

O "Ciudad Juarez"
O “Ciudad Juarez”

Um inquérito eximiu o tenente Van Scyoc de culpa. O incidente se deu por causa da umidade em um conector de encaixe desgastado, causando um curto circuito que permitiu que o Sidewinder fosse lançado. Investigações posteriores revelaram que quase todos os F-100 tinham a mesma fiação defeituosa.

O F-100A não foi originalmente projetado para disparar Sidewinders, sendo os lançadores adicionados quando o modelo entrou em serviço com a ANG. Esse problema foi corrigido. Atualmente esse tipo de treinamento é realizado com mísseis fictícios, só com as cabeças de guerra, mas sem motores.

f100aim9

North American YF-100Aquele míssil partiu com tanto ódio, com tanta raiva, que as vezes penso que aquilo foi mais do que um mero curto circuito”, disse Van Scyoc tempos depois…

FONTE: DonHollway – Edição: CAVOK

IMAGEM de capa: F-100B durante missão de lançamento do X-15, em 1960. Crédito: Corbis

20 COMENTÁRIOS

  1. Só o piloto e co-piloto tinham assentos ejetores. Os demais tinham de usar as saídas de emergência.

Comments are closed.