Nesta foto é possível ver as “manchas” na aeronave NF-106B “N816NA” causadas pelos raios que atingiram o jato durante os voos em tempestades e queimavam a pintura azul e branca. (Foto: NASA)

A NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) usou um jato modificado Convair F-106B Delta Dart para receber descargas de raios durante testes em altos níveis atmosféricos, voando dentro de nuvens de tempestades. A NASA coletou dados sobre os raios que ocorreram perto da aeronave, bem como os que atingiram diretamente o avião. Em um dos voos a aeronave foi atingida por raios 72 vezes.

O jato NF-106B teve sua pintura azul e branca removida, pois os raios queimavam a tinta e poderiam causar um incêndio na aeronave..

O NF-106B “57-2516″(matrícula civil N816NA) foi usado pelo Programa Storm Hazards, no Centro de Pesquisas de Langley, Virginia. Durante o período de testes ele ficou conhecido como NASA 816 Lightening Strike Burns, sendo especialmente modificado para pesquisa de raios durante um estudo para determinar como e por que um raio atinge uma aeronave.

Em um único voo de testes realizado, o F-106B “N816NA” foi atingido 72 vezes por raios em apenas 45 minutos, quando entrou propositalmente em uma tempestade a 37.000 pés, sobre a Carolina do Norte em julho de 1982, tripulado pelo piloto de testes Bill Brown (ex-piloto de caça da Marinha dos EUA) e pela tenente Vicki Rondo. Phil Brown também é um engenheiro de fotografia e foi um dos responsáveis pela criação dos sistemas de câmeras usadas para capturar os raios de luz.

O site Tails Through Time informa que depois que o F-106B voou como N616NA para o Centro de Pesquisas de Lewis da NASA em Cleveland por vários anos em estudos relacionados ao transporte supersônico, foi transferido para o Centro de Pesquisas de Langley e rematriculado N816NA para um programa que durou quase seis anos desde janeiro de 1979. O N816NA na verdade se uniu ao Storm Hazards Program da NASA para estudar os efeitos dos raios que atingem uma aeronave.

O programa começou no ano anterior, em 1978, usando uma aeronave De Havilland DHC-6 Twin Otter que voava ao redor de nuvens de tempestades coletando dados de raios para serem usados no planejamento dos voos com o N816NA.

O F-106B modificado foi preparado e pintado de azul e branco para entrar nas tempestades e ser atingido por raios. Operando principalmente na costa da Virgínia e em vários locais no Meio-Oeste dos EUA, o Delta Dart voava em altitudes de 5.000 a 40.000 pés (1,5-12 km) em seus voos dentro das tempestades.

O NF-106B “N816NA” teve depois sua pintura removida e no total voou dentro de 1.496 tempestades durante mais de 200 voos, sendo atingido por raios 714 vezes entre 1980 e 1986, sem danos à aeronave. Quase 10 vezes mais descargas de raios ocorreram nas altitudes elevadas, embora o número de penetração de nuvens altas e baixas não tenha sido muito diferente.

Os dados coletados durante o curso do programa provaram ser extremamente valiosos para a aviação comercial e militar e representaram um passo significativo na segurança da aviação. O programa de riscos de tempestades aprendeu muito sobre a natureza fundamental do raio em voo que beneficiou os projetistas de futuras aeronaves. As aeronaves de hoje são relativamente imunes aos efeitos do raio.

9 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite Senhores!

    Outro avião clássico! Época em que a aeronaves de combate tinha cara de aviões de combate.
    Hj a maioria tem cara de playmobil.

    CM

    • Na última sexta-feira tive o prazer/sorte/condições de ir até o Kennedy Space Center no Cabo Canaveral e lá havia um piloto retirado da USAF/NASA e que trabalhou como engenheiro nos programas Gemini e Apollo, ele tinha um caderno com uma foto e dedicatória do Chuck Yeager que ele mostrou para mim, e ao final da conversa ele falou que “este e outros desta época eram pilotos de verdade, hoje são “cooktop pilots”.

      O mesmo são para os aviões na minha modesta opinião.

      • Puxa que inveja branca! Antes de morrer ( e estou perto disso) vou lá e no Musal mais uma vez, já faz 8 anos desde que fui por última vez.

        CM

  2. Toda vez que vejo esse avião me lembro daquela história de quando um pousou sozinho em um milharal..
    Quem ainda não conhece dê uma googleada, vale a pena.
    Um baita caça para a época, muito manobrável e com um motor poderoso, como manda a tradição americana.
    Segundo seus pilotos era capaz de derrubar qualquer coisa que voasse.

  3. E ainda como curiosidade, esse avião muito antes de F-22, F-35.. Já levava mísseis internamente.

  4. Nunca viu combate, não foi exportado e virou alvo no fim da vida. Uma aeronave que prometeu tanto, acabou tendo uma carreira bem discreta.

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