Finda a Segunda Guerra Mundial, houve um ‘boom’ no transporte de passageiros por via aérea.

De início os aeroportos eram verdadeiros campos de aviação afastados dos centros das cidades. Eram instalações rudimentares, com pouco ou quase nada de infra-estrutura. Um hangar ali, um pátio de estacionamento acolá, uma torre de controle e uma simples cerca separando o publico dos aviões. Mas havia algo que hoje está faltando: espaço físico.

Com o passar dos anos a aviação comercial se desenvolveu sobre maneira. Novos, melhores e maiores aviões vieram a se juntar a frota mundial de transporte. O britânico Comet abriu as portas e o Boeing 707 consolidou o motor a jato no mundo do transporte aéreo comercial.

Mas as cidades também cresceram e o antes afastado campo de aviação tornou-se um aeroporto, cercado pela ocupação habitacional que, por vezes, de modo desordenado.

Os aeroportos hoje precisam crescer, mas não há espaço para expansão. E quando isso se faz necessário, é um processo lento, com as prefeituras precisando desapropriar e remover centenas de famílias. Um exemplo disso é o aumento da pista do aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A pista, curta demais para aviões de grande porte, arrasta-se há anos a expansão. A área para onde a pista será aumentada pertence ao aeroporto, mas havia sido invadida há décadas por pessoas que ali construíram uma vila. Resumindo, a área teve de ser retomada por via judicial, o que levou anos.

Mas não vamos tratar disso. Os aeroportos estão confinados em espaços pequenos. Cada vez mais serão verdadeiros “porta-aviões” num mar de prédios. Só existem duas soluções: mudar-se ou adaptar-se.

Mudança é igual a custo e construir um novo aeroporto é algo bem custoso e os governos nem sempre estão dispostos a desembolsar tal, se bem que tem governante que prefere torrar bilhões com a construção de estádios de futebol…

A outra opção seria a indústria aeronáutica criar novos aviões, capazes de se adaptarem as dimensões disponíveis. Uma solução – bem viável – pensada ainda nos anos 1960 seria o uso de aeronaves comerciais dotadas de asas com geometria variável ou que dobráveis.

Imagine um avião com as dimensões de um 707 ou até mesmo de um 747. Após o pouso, enquanto executa o táxi suas asas vão diminuindo e ele se encaixa no terminal ocupando um espaço bem menor no pátio do que hoje ele precisa. Isso sem falar que uma asa de geometria variável daria um enorme ganho na necessidade de comprimento de pista e um voo mais suave para os passageiros.

Infelizmente isso é algo que não vingou, pois um conjunto de engrenagens quer seja para geometria variável ou apenas para dobrar – como num A-3 ou Hornet – é igual a peso. Peso é igual a maior consumo de combustível. Maior consumo de combustível é igual a maior custo. Maior custo é igual a passagem mais cara. E isso é um ônus que as companhias aéreas não querem arcar.

A única tentativa da industria de aeronaves comerciais a tentar equacionar espaço x maior capacidade de transporte de passageiros foi a Airbus com o seu A380, projetado desde o início com base nas limitações de espaço dos principais aeroportos do mundo e mesmo assim o enorme – e convencional – jato opera no limite dos atuais espaços físicos.

 


– Giordani –

10 COMENTÁRIOS

  1. O novo 777-9 terá as pontas das asas dobráveis para otimização de espaço em aeroportos.

  2. Parece piada essa história do Salgado Filho, mas é retrato do Brasil.

      • Caro Eduardo,

        Mas trem não tem a mesma emoção — não atinge velocidades supersônicas e não pode ficar com uma das asas inoperante… Preferiria um grande MiG… 😀

        • O trem também não vem com um caça israelense disparando em vc.

          Kkkkkk

          • Caro Eduardo,

            Seria legal também! Mas aquele "USA Supersonic" na fuselagem, como mestra a foto, afasta totalmente essa possibilidade… ;D

  3. A impressão que tenho é que no futuro, vai ficar muito explícito que as cidades sejam classificadas por sua importância econômica, mais do que por qualquer outro critério. E as principais urbes serão os que vão concentrar o hub principal em termos de logística e, dali, via ramais secundários vão se ligar a cidades de menor importância. Exemplo claro disso, será SP-RS, já comentando rapidamente a pataquada que é a ampliação da pista do campo de pouso (aeroporto…haha) Salgado Filho.

    Tal obra de extensão da pista do SF bateu todos os recordes no quesito competência gerencial, visão estratégica e falta de vontade política dos políticos gaúchos. Ficou claro pro povo gaúcho que seus políticos (desde os reaças até os comunas) era muito mais cômodo ser dependente de forma explícita de São Paulo no quesito logística.

    E pensar que ainda tem uns chupadores de bomba de chimarrão que se prestam a ser separatistas baseada numa difusa ideia de serem supostamente 'superiores' por conta da herança europeia. Com licença que tenho que ir ao banheiro, pois tô me mijando de tanto rir ! Que palhaçada, gauchada (ih…até rimou!)

  4. Eu fico imaginando o que será do Eixo São Paulo/Campinas daqui 40 anos… Congonhas não resistirá por muito tempo; qualquer obra esbarra em desapropriações bilionárias, algumas caso de polícia. Tá lançado o desafio…

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