Airbus A330 da Azul, nas cores da bandeira brasileira.

Todo começo de ano, é muito comum observarmos diversas análises, projeções, comparações e especulações sobre as mais variadas atividades econômicas. O desejo ou necessidade de vislumbrar o futuro é um marco essencial no cotidiano, o qual, no momento em que estamos vivendo, torna-se substancial e ainda mais imprescindível no mundo dos negócios.

O setor de transporte aéreo comercial no Brasil vem crescendo arduamente nos últimos anos. Hoje, o país é o terceiro maior mercado doméstico do mundo, estando atrás de Estados Unidos e China, respectivamente. A partir disso, devemos reconhecer a grandeza e a importância do setor no país e compreender as ações dos agentes de ação do modal aéreo.

Embora este enorme mercado seja tão importante e precípuo para a nação, as quatro maiores companhias aéreas nacionais que detêm 99% do market-share doméstico, acumularam prejuízo de R$ 2 bilhões nos três primeiros trimestres de 2018. Como exceção somente a Azul e a Latam, que obtiveram lucro líquido no terceiro e último trimestre do ano passado, de acordo com a ANAC.

O primeiro 737 MAX 8 da GOL.

De fato, o marco mais importante do final de 2018 que acarretará no dia a dia das empresas e passageiros em 2019, é a liberação de 100% do capital estrangeiro em companhias aéreas brasileiras. Com isso, espera-se um aumento na competitividade e uma redução no preço médio das tarifas, aliado ao aumento na margem de lucratividade das empresas.

Através deste breve artigo, busco exemplificar algumas projeções para o mercado brasileiro de aviação comercial e apresentar as novidades que estão por vir. O texto está dividido nas categorias que envolvem os novos voos internacionais que irão surgir no país neste ano e as movimentações na indústria aeronáutica e no mercado.

VOANDO ALTO

A partir de Março de 2019, a companhia aérea norueguesa de baixo custo, Norwegian, passará a realizar voos diretos entre o Rio de Janeiro e Londes (Gatwick). O voo operado pela subsidiária britânica da empresa, a Norwegian Air UK, iniciará com quatro frequências semanais. Ainda, a conexão Brasil – Europa continuará crescendo em 2019.

A companhia aérea espanhola Air Europa realizará a partir de Abril, voos diretos entre Fortaleza e Madri. A empresa já opera voos diretos ligando São Paulo, Salvador e Recife à Espanha e demais conexões. A previsão inicial é de que o voo opere duas vezes por semana.

A Norwegian começará a voar para o Brasil. (Foto: Donal Morrissey)

A Latam Brasil anunciou no mês passado o início das vendas para o voo entre São Paulo e Munique, na Alemanha, a ser operado quatro vezes por semana. Anteriormente, a companhia aérea alemã Lufthansa operava nesta rota, contudo, a grave recessão econômica na qual o Brasil passou em 2016 obrigou a empresa a cancelar a escala.

Na América do Sul, a Avianca Argentina iniciará suas operações entre São Paulo e Buenos Aires (Aeroparque) em duas frequências diárias já no mês de Fevereiro. Assim, a rota entre a maior cidade brasileira e a capital argentina passará a ter mais um player disputando este trecho, além das atuais companhias aéreas que já operam nesta rota. No dia 11 de Janeiro, a Azul Linhas Aéreas também terá voos entre as duas cidades, contudo, através do aeroporto de Viracopos, em Campinas, e do aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires. Ainda, a empresa lançará no dia 15 de Junho voos entre Campinas e Bariloche, também na Argentina, reforçando a presença da empresa no país do tango.

No mês de Junho, além da já citada nova rota da Azul Linhas Aéreas entre Campinas e Bariloche, a empresa vai operar três vezes por semana o voo entre Campinas e Porto, Portugal. Este trecho atualmente é operado somente pela TAP Portugal.

INDÚSTRIA AERONÁUTICA EM 2019

O tema mais importante que trata sobre a indústria aeronáutica brasileira, são as negociações da formação da joint venture que envolvem a Embraer e a Boeing. Após
diversas conversas, as empresas decidiram, estrategicamente, definir em 80% de participação da Boeing e 20% de participação da Embraer na linha de aviões comerciais da nova JV. Este é um tema que promete muito debate em 2019 e valerá a pena acompanhar!

Embraer E190-E2 “Shark”

Ainda, após cinco meses de demonstração por todo globo, a Embraer concluiu, ainda em Dezembro de 2018, a fase final de apresentação do novo modelo de jatos E2 com o seu modelo “Shark”. A primeira aeronave da série foi entregue a Widerøe em Abril de 2018 e acumula pedidos de diversas companhias aéreas do mundo, inclusive da Azul Linhas Aéreas, com 51 aeronaves no total. A empresa irá receber seus primeiros jatos neste ano e substituirá gradativamente seus E-jets atuais.

A Azul Linhas Aéreas segue acumulando pedidos e recebendo novas aeronaves. A empresa estará recebendo ainda este ano as primeiras unidades do novíssimo Airbus A330-900neo. Após atrasos na entrega, a empresa iniciará suas operações no dia 04 de fevereiro na rota Campinas (VCP) – Orlando.

A Azul está recebendo seus novos Airbus A320neo.

Seguindo na linha de novos pedidos, a partir do plano ambicioso da Gol Linhas Aéreas de renovar totalmente sua frota até 2028, a companhia já vem recebendo suas primeiras aeronaves Boeing 737 MAX 8. A expectativa da empresa para 2019 é receber uma quantia significativa de aeronaves para tornar o plano possível, afinal, são mais de 100 aeronaves encomendadas junto à fabricante americana.

MERCADO

Conforme estimativas do BB Investimentos, a demanda de passageiros domésticos passará de 90,6 milhões em 2018 para 96,7 milhões em 2019. A estimativa dos analistas é de que o câmbio se mantenha mais estável em 2019, aliado a maiores perspectivas de crescimento do PIB. Deste modo, espera-se que os custos operacionais das companhias aéreas, os quais são, em sua grande parte, operados em dólar, se reduzam.

Airbus A350 da LATAM.

A Latam Brasil anunciou uma redução de 41% nos investimentos em aeronaves no período compreendido entre 2018 e 2021. Esta medida foi tomada para reduzir o endividamento em dólares, o qual estava acima do projetado pela empresa durante o ano passado. Ademais, a empresa decidiu que irá abolir os voos partindo do Rio de Janeiro com destino aos Estados Unidos. Os dias 29 e 30 de Março determinarão o fim da rota entre a cidade maravilhosa e Orlando e Miami, respectivamente e, após esta data, os voos serão concentrados no Aeroporto Internacional de São Paulo – Guarulhos.

Um tópico importante para observarmos em 2019 é os próximos capítulos da recuperação judicial da Avianca Brasil. A empresa, que entrou com o pedido no mês de Dezembro de 2018, possui uma série de dívidas com companhias de leasing e amarga prejuízos milionários nos últimos trimestres. No entanto, as operações seguem mantidas sem alterações até o momento no qual este texto foi escrito.

As privatizações aeroportuárias também estão na mira do novo governo no período entre 2019 e 2022. Somente com a concessão à iniciativa privada dos aeroportos de Guarulhos, Campinas e de Brasília em fevereiro de 2012, o governo federal arrecadou cerca de US$ 14 bilhões. Recentemente, outros aeroportos também foram concedidos, como o aeroporto de Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte.

A expectativa é de que haja duas rodadas de privatizações aeroportuárias, onde a primeira, inclui aeroportos das regiões Sul, Norte I e Central (2020) e a segunda rodada, inclui aeroportos das regiões São Paulo-Mato Grosso do Sul, Rio-Minas e Norte II (2020 ou 2021). Os quadros abaixo demonstram o planejamento anunciado pelo governo federal, com base na Valor Econômico.

Em estudo recente, Paula Rolim , Humberto Bettini e o Alessandro Oliveira , do ITA, sugerem que as privatizações produziram um aumento geral na demanda das companhias aéreas, isto porque a gestão privada é mais flexível e pode se engajar em estratégias de desenvolvimento de rotas com companhias aéreas novas e as já existentes.

O plano ousado do novo governo pode não ser efetivamente concluído, isso porque as negociações são complexas e levam tempo para serem acordadas.

CONCLUSÃO

Outra questão cerne considerada essencial a ser debatida neste ano é o alto preço do combustível de aviação, o qual encarece os custos das empresas e que, a partir disso, eleva – e muito – o preço das passagens aéreas ao passageiro no mercado doméstico.

A Avianca está em recuperação judicial, e luta para manter suas aeronaves. (Foto: Afonso Delagassa)

Vale salientar que o combustível é o principal custo das companhias aéreas e é diretamente impactado pela variação de ICMS, podendo chegar a até 25% em alguns estados. Claramente, a tarifa yield vem se reduzindo ano após ano, mas que poderia ser menor poderia.

Por hora, cabe a nós aguardarmos as novidades que irão surgir nos próximos meses. A expectativa é de que mais voos internacionais, além dos já citados no texto, sejam anunciados, aumentando assim, a conectividade do país com as mais variadas regiões do globo. O crescimento da demanda de passageiros domésticos é algo muito esperado por todos os agentes do transporte aéreo, embora seja necessário avaliar as condições de infraestrutura aeroportuária e capacidade de tráfego dos aeroportos. Espera-se que com as privatizações dos aeroportos neste e nos próximos anos, a situação caótica de alguns aeroportos brasileiros se resolva.

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2 COMENTÁRIOS

  1. As perspectivas de forma geral são muito boas. Acabou a política pacheca e uma visão mais pragmática do país está sendo adotada.

    O aumento dos players no mercado é positiva para a economia e para as próprias empresas de aviação.

  2. Parabéns Matheus Capoani, excelente matéria!!! Clara, precisa e direta aos pontos principais de nosso modal. Parabéns & Saudações,

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