capa de VEJA2Na noite de 10 para 11 de outubro de 1985, uma missão pouco conhecida ocorreu nos céus acima do Mar Mediterrâneo.

Naquela noite, vários aviões de combate pertencentes a Carrier Air Wing 17 (CVW-17) foram lançados a partir do USS Saratoga (CV-60) para interceptar um Boeing 737 da Egyptair que transportava os terroristas que sequestraram o navio de turismo Achille Lauro, após estes aportarem no Egito.

No dia 07 de outubro de 1985, quatro militantes da PLF tinham sequestrado o navio de cruzeiro, fazendo 511 reféns, entre passageiros e tripulantes. Eles navegaram para Tartus, na Síria, exigindo a libertação de 50 palestinos que estavam em prisões israelenses.

(Fotomontagem: historia.co.id)
(Fotomontagem: historia.co.id)

Um dos passageiros, cadeirante e hemiplégico, Leon Klinghoffer (empresário aposentado judeu que estava em uma cadeira de rodas), foi executado com um tiro na testa e seu corpo jogado ao mar, junto com a cadeira de rodas. Após dois dias de negociações os terroristas concordaram em abandonar o navio em troca de um salvo-conduto oferecido pelo governo do Egito, garantindo-lhes voarem em qualquer direção a bordo de um avião comercial egípcio.

No dia 10 de outubro, enquanto o Boeing 737 estava decolando do Cairo, o “Super Sara” catapultou quatro F-14A, um E-2C, dois KA-6D e um EA-6B para a tarefa de interceptar o avião que transportava os sequestradores do Achille Lauro. Era o sequestro dos sequestradores!

Outro E-2C e mais três F-14, além de mais duas aeronaves de inteligência (um EA-3B e um RC-135) também participaram da missão planejada pelo CAG (Commander Grupo Air) do CVW-17, Robert “Bubba” Brodzky.

(Imagem: Peter Tonna)
(Imagem: Peter Tonna)

A missão foi planejada para ser a noite, com luzes apagadas para interceptação. Os F-14 foram vetorados para o Boeing 737 pelo E-2C e um Tomcat do VF-103. Aproximando-se do 737 por trás e por baixo, um Tomcat foi capaz de fazer a identificação positiva do alvo. O F-14 ficou a meros 5 metros do avião para ler o seu registro!

O E-2C vetorou mais cinco Tomcats (embora algumas fontes digam que havia apenas três) para juntar-se a formação, todos com suas luzes apagadas acima da ilha de Creta. Daquele momento em diante, cada comunicação com o Boeing egípcio foi feito pela E-2C que usou uma frequência VHF para transmitir as novas coordenadas a fim de desviar para Sigonella, na Itália.

top gun
Bela tomada aérea de um F-14 sobre o CVN-63 “Kitty Hawk”. Naquela noite as naves partiram do Saratoga.

Somente quando o piloto egípcio se recusou a cumprir a ordem, o E-2C ordenou “luzes acesas, AGORA!”, iluminando todos os F-14 que cercavam o Boeing 737. O Hawkeye disse à tripulação do 737 que, de uma forma ou de outra, eles tinham que chegar a Sigonella na Sicília.

A tripulação do 737 obedeceu.

Uma vez no chão, os Tomcats fecharam o espaço aéreo para todas as aeronaves de entrada, exceto para dois C-141 da USAF que traziam uma equipe de SEALs.

Houve uma pequena crise diplomática, pois os italianos queriam tomar a frente das operações, uma vez que a base ficava em solo italiano. Após cinco horas de negociações os sequestradores foram deixados para os italianos que tiveram de leva-los para Roma em um voo especial ao passo que os outros passageiros no avião (incluindo o líder dos sequestradores, Muhammad Zaidan) foram autorizados a continuar até o seu destino, apesar dos protestos dos Estados Unidos .

F-14 do VF-103, um dos esquadrões que participaram da ação.
F-14 do VF-103, um dos esquadrões que participaram da ação.

Por volta das 22 hs (hora local) de 11 de outubro, o Boeing 737 da Egyptair decolou de Sigonella para o aeroporto de Roma. O voo contou com a escolta especial de dois F-104S Starfighter do 36° Stormo, sendo que mais tarde outros dois F-104 se juntaram a formação.

Com o 737 em voo, escoltado para Roma, ocorreu um fato inusitado e negado veementemente pelos italianos. Caças F-14 aproximaram-se por trás da formação e os F-104 revidaram. Um breve duelo sobre o mar de Tirreno foi travado entre a AMI e a USN. O mais interessante nessa história é o fato de que um EA-6B interferiu nos radares italianos…

A formação seguiu para Roma e os caças da USN voltaram para o Sara.

As relações diplomáticas italo-americana foram negativamente influenciadas por algum tempo. A interceptação noturna foi, até então, a missão anti-terrorista mais complexa já planejada.


Fonte: The Aviationist / Revista VEJA #893 de 16 de outubro de 1985.

Edição: CAVOK

Imagem de capa: Reprodução modificada da capa da Revista VEJA.


NOTA DO EDITOR:reagan


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