Painel da fuselagem do segundo KC-390 de produção em série sendo preparado na OGMA em Portugal.

A OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal iniciou a entrega dos componentes destinados ao segundo avião KC-390 de série. Pouco mais de seis meses depois do envio dos componentes da primeira aeronave de série de um conjunto de 28, destinadas à Força Aérea Brasileira, a OGMA realiza uma nova contribuição para que a aeronave de transporte multimissão concebida pela Embraer se torne uma realidade a partir de 2018, anunciou a fabricante portuguesa.

Nas instalações da OGMA em Alverca são produzidos os 10 painéis que constituem a fuselagem central do avião, as carenagens do trem de pouso principal bem como os painéis em compósito que formam o seu revestimento. O transporte destes componentes exige uma imensa operação de logística e de transporte, com os componentes estruturais de maior envergadura sendo transportados em caminhões especiais até ao Porto de Lisboa, seguido por via marítima rumo ao Brasil, com destino à fábrica da Embraer, localizada em Gavião Peixoto, no Estado de São Paulo.

Para Ana Isabel Fernandes, chefe de operações (COO) da OGMA, “a entrega do segundo kit de componentes para a produção em série do KC-390 espelha a competência técnica e humana da OGMA no domínio das aeroestruturas e sublinha o papel que vem desempenhando desde o início do projeto para que o KC-390 seja um marco incontornável no panorama aeronáutico internacional”.

Este é um dos projetos mais ambiciosos da Embraer e tem Portugal como maior parceiro internacional. Presente desde a fase inicial de concepção da aeronave, a OGMA tem contribuído decisivamente para o sucesso desta aeronave, nomeadamente no desenvolvimento e gestão de uma cadeia de fornecimento sustentada, competitiva e flexível, preferencialmente nacional. A planta da OGMA é especializada na produção de painéis compostos, a Embraer também escolheu a empresa para fabricar partes em material composto do E175 E2.

A empresa líder da indústria aeronáutica portuguesa tem a responsabilidade da fabricação da fuselagem central, fabricação e montagem dos sponsons direito e esquerdo (conjuntos com cerca de 12 metros de comprimento que compõem a carenagem do compartimento do trem de pouso principal) bem como dos lemes de profundidade. Estas peças são fabricadas em material compósito e ligas metálicas.

Na fase de industrialização deste programa aeronáutico, a OGMA investiu 35 milhões de euros, dos quais se destaca a aquisição de uma rebitadora automática que permite a incorporação de automação nos processos de montagem e diminui o ciclo de produção.

O KC-390 é uma aeronave de transporte multimissão desenvolvida pela Embraer, preparada para responder às mais variadas missões, nomeadamente busca e salvamento, transporte e lançamento de cargas e tropas, combate a incêndios, reabastecimento em voo e evacuação médica, e para aterrar inclusive em pistas semi-preparadas.

Atualmente a OGMA tem 1700 funcionários e 65% da sua propriedade na mão da Airholding SGPS, uma empresa que é 100% Embraer, sendo que os outros 35% pertencem ao Governo Português.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Boa notícia. Aparentemente alguns AN-124 as vezes fazem entrega para a Embraer. Não seria o caso da Embraer adquirir uma aeronave desse porte para esse tipo de transporte? A exemplo dos Belugas?

    • Marco, às vezes não faz sentido adquirir o avião/desenvolver. Se esses transportes não forem constantes, pode ser que o custo de aquisição e manutenção não compense, comparado ao simples fretamento de um avião, como o An-124 ou o Beluga.

      Mas isso tudo é só suposição. Tem que fazer as contas pra saber… 😉

      • Valia a pena para a Antonov, fabricou o avião, usava para transportar seus produtos e até hoje ganha dinheiro com fretamento do An-22, An-124 e An-225 e outros menores.
        O mesmo vale para o Boeing 747 Dreamlifter e Airbus Beluga, as empresas o fabricaram para transportar seus produtos e fazem frete para ganhar algum $$$.
        Como a Embraer não fabrica avião deste porte fica mais difícil, poderia ter um B747 Cargo, mas dificilmente valeria a pena, a não ser que abrisse uma Divisão de transporte de carga para fazer frete como a Antonov, Boeing e Airbus.
        Não parece ser do estilo Embraer este tipo de diversificação de atirar para todo o lado.
        . http://www.antonov.com/services/antonov-airlines

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